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Em 2012 a DICA volta com o evento Ciência Viva. Confira o site.

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domingo, 21 de outubro de 2012

Feira de ciência em Uberlândia traz fontes alternativas de energia

Caixinhas de leite que vão para o lixo podem ser transformadas em isolante térmico alternativo, reduzindo a temperatura no interior dos imóveis em até 8º C. Esta e outras informações relacionadas às fontes alternativas de energia foram apresentadas na 17ª Ciência Viva. O evento, realizado nesta semana no Center Convention, reuniu alunos de escolas públicas e particulares para a mostra de experimentos relacionados ao tema “Energia na Vida e na Sociedade”.

O aproveitamento das embalagens foi apresentado por um grupo de oito alunas que cursam o segundo ano do ensino médio na Escola Estadual Bueno Brandão. Por meio do projeto “Uso de caixa longa vida como isolante térmico”, as alunas desenvolveram, durante seis meses, a teoria e a prática do estudo. “Além de economizar energia, a ideia contribui para diminuir a quantidade de lixo nos aterros sanitários, visto que a caixa longa vida é de difícil decomposição”, disse a estudante Letícia Gomes.

Além de ser de fácil instalação, o custo da caixa de leite longa vida é menor se comparado ao de outros materiais como o gesso e o PVC, que também são utilizados como revestimento (veja quadro). “Para fazer as placas em casa, basta abrir a caixas e costurar ou grampear umas às outras”, afirmou a aluna Andressa Moreira. Recentemente, foi ao ar pela Rede Globo uma reportagem que mostrou famílias do Rio Grande do Sul que utilizam a técnica para enfrentar os dias frios e também os de muito calor.

Força gerada pelo movimento da água
A geração de energia através da movimentação da água dos oceanos provocada pelas marés – energia maremotriz – foi abordada por um grupo de cinco alunas do 9º ano da Escola Municipal Professor Otávio Batista Coelho Filho. Segundo a professora responsável pelo projeto “Energias Alternativas e Sustentabilidade”, Mariselma Martins, as alunas construíram um protótipo que utiliza uma miniturbina para fazer o efeito das ondas do mar. Ainda de acordo com a professora, em todo o mundo, há três usinas maremotriz: na França, no Japão e na Inglaterra. “Há o projeto de construir uma no Brasil, no Estado do Amapá, mas ainda depende da liberação de recursos financeiros”, afirmou.


Compostagem e recursos renováveis
Uma solução para o lixo orgânico (restos de alimentos e cascas de frutas, legumes e verduras) foi apresentada por cinco alunos do 6º e 9º anos do ensino fundamental da Escola Estadual Professor José Inácio de Sousa. Por meio da compostagem – técnica que consiste na transformação de materiais orgânicos em adubo –, os alunos mostraram a possibilidade de reaproveitar os resíduos produzidos em casa.

Na escola, os alunos colocaram o projeto em prática. “Uma pequena plantação de alface foi adubada com o material resultante da compostagem”, disse a professora responsável pelo projeto, Izaura Cristina Duarte. Quem passou pelo estande conferiu o passo a passo do projeto e pôde aprender a montar uma composteira em casa.

Um grupo de cinco alunos da Escola Municipal do Moreno, que fica na zona rural de Uberlândia, mostrou durante a feira o projeto “Energia solar e captação de água: economia em dose dupla”. A utilização de recursos renováveis é a base da técnica, que consiste em captar a água da chuva por meio de calhas. A água é armazenada em um reservatório de metal para ser aquecida e ter parte dos micro-organismos eliminados, sendo utilizada para molhar hortaliças e também na limpeza da casa. O projeto também mostrou a utilização de placas solares para o aquecimento da água.

Como fazer compostagem
Em um recipiente de plástico colocar camadas de:

Terra Matéria orgânica picada em pedaços pequenos (casca de frutas e vegetais) Folhas secas Esterco de gado Borra de café (serve para afastar insetos e evitar mau cheiro)

Tampar e deixar guardado por três meses De quatro em quatro dias, abrir a tampa e remexer a terra para arejar o produto da compostagem

Fonte: Correio de Uberlândia.

sábado, 20 de outubro de 2012

Reciclagem de lixo eletrônico evitaria que ouro parasse no lixo

A reciclagem evitaria que fossem parar no lixo algo em torno de 228 kg de ouro, 1,7 mil kg de prata e 81 mil kg de cobre na Argentina, apenas em 2011. A estimativa foi divulgada no relatório Mineração e Lixo Eletrônico, produzido pela Organização Não Governamental Greenpeace, e se refere somente aos metais preciosos presentes em um tipo de lixo eletrônico: os celulares.

O documento aponta que cerca de 10 milhões de aparelhos celulares foram descartados no país em 2011. Cada argentino produz, em média, três quilos de lixo eletrônico anualmente, sendo que destes, metade termina em lixões e apenas 10% destina-se ao manejo adequado de resíduos – número mais alto que outros países vizinhos, como o Chile, que recicla de 1,5% a 3%.

Se a geração de lixo eletrônico é problemática na Argentina, em terras brasileiras a situação não é diferente. Em 2010, o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) apontou o país como líder na geração de lixo eletrônico per capita entre os países emergentes: meio quilo por ano, à época.

Mineração Urbana
O ouro é utilizado para fabricação de componentes eletrônicos devido às suas propriedades de condução e estabilidade. No entanto, o material é encontrado em quantidades mínimas dentro de celulares ou computadores, cerca de 0,025% do total. A prática de retirar metais preciosos de aparelhos eletrônicos ainda é incipiente nos países latino-americanos, inclusive no Brasil, mas é bastante difundida em nações desenvolvidas.

A mineração urbana, como é conhecida, tem sido constantemente estimulada, pois evita a contaminação ambiental de dois modos (segundo o relatório):

1) Permite recuperar metais ou materiais que são cada vez mais escassos (como o ouro e a prata) e cuja obtenção, por meio da mineração, gera um alto impacto ambiental e social;

2) Ao mesmo tempo, freia o impacto que estes resíduos geram no ambiente ao degradar-se em lixões ou aterros, contaminando os lençóis freáticos, o solo e o ar.

Cerca de 90% de todos os materiais presentes em equipamentos eletrônicos podem ser reciclados ou reutilizados, sendo que 3% são substâncias altamente tóxicas, como o mercúrio, o cádmio e o amianto – daí a importância de levar esses materiais a postos de coleta em vez de simplesmente jogá-los no lixo.

Além dos metais citados no relatório, a reciclagem do lixo eletrônico permite a obtenção de materiais como a platina, alumínio, aço e o plástico e os oriundos das terras raras – situados na China, que detém 97% das reservas conhecidas, sendo assim mais um importante fator para estimular a reciclagem.

Fonte: Envolverde.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Você usaria roupas e acessórios feitos de sobras de comida?

Designer transforma resíduos de comida em fivelas de cinto, botões, bolsas e colares, a fim de alertar sobre o desperdício de alimento

Uma designer britânica de 26 anos levou a reciclagem de lixo a um novo patamar, ao lançar uma coleção inteira de peças de vestuário feitas a partir de resíduos de alimentos. Hoyan Ip reutiliza as sobras de comida para criar acessórios como bolsas, colares, fivelas de cinto, botões e golas de camisas, aos quais chama de 'bio-trimmings', algo como “bio-enfeites”, no português.

Apesar da matéria-prima incomum, o processo de transformação é bem simples: depois de selecionados, os restos de comida são “esmagados” e moldados na forma desejada, seguindo então para secagem. Por fim, eles recebem uma camada de uma substância especial que dá brilho às peças.

Os ingredientes podem variar de restos de um jantar sofisticado, de um almoço tradicional ou, até mesmo, da sobra de um lanche junkfood – ela não faz distinção, seu objetivo principal é apenas alertar sobre o desperdício de alimento no mundo e, de alguma forma, trazer a indústria da moda para a discussão.

"Eu proponho a identificar a relação entre o desperdício de alimentos e os resíduos produzidos a partir da própria indústria da moda", escreveu ela em seu site. "Pode-se argumentar que nada é mais novidade em termos de tendências de moda. As roupas são re-interpretadas a cada temporada. Por isso vale a pena preservar o que no nosso guarda-roupa já tem pronto, e encontrar novos formas de usá-las”, sustenta.

Mas o que o consumidor pensa sobre isso? Essa é outra questão que instiga Hoyan a tocar o projeto. Para a designer, o 'bio-trimmings' muda a psicologia dos consumidores em relação às marcas, ao alterar pequenos detalhes em uma peça de vestuário. “Como um devoto da Burberry reagiria a um icônico trench coat da marca com enfeites de comida desperdiçada?”, questiona.

“Será que a adição de produtos feitos a partir de resíduos de alimentos reduziria o valor da marca ou aumentaria esse valor, tendo em conta a importância crescente dos valores de sustentabilidade e ética hoje em dia?”. Se a moda vai pegar, não dá para saber, mas certamente vai dar o que falar.

Fonte: EXAME.com.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A sustentabilidade e os novos modos de viver

Este programa aborda os desafios de construir a sustentabilidade no dia a dia.

Pensar na sustentabilidade a partir do nosso cotidiano sobre, por exemplo, o que fazemos na cozinha, durante as compras, no trânsito e em todos os hábitos de consumo.

É preciso partir de nós a iniciativa para criarmos um modo de viver sustentável.

Novos Modos de Viver é o filme deste programa. A direção é de Ricardo Carvalho e José Maurício de Oliveira.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um ensaio para o ‘álcool verde’

A engenheira de alimentos Rosana Goldbeck conseguiu identificar, em sua tese de doutorado, microrganismos silvestres isolados de frutos do Cerrado, entre os quais os Acremonium strictum, que sinalizam um potencial para o desenvolvimento de celulases (enzimas) empregadas na produção de álcool de segunda geração, que é o bioetanol produzido a partir de diversas fontes de biomassa vegetal, preferencialmente para matérias-primas não destinadas ao consumo humano. “Em cinco anos o país será um dos maiores produtores de etanol de segunda geração, o ‘álcool verde’”, calcula a pesquisadora. “Esta seria uma produção mais acessível e viável por empregar subprodutos agroindustriais.”

As enzimas estudadas são capazes de degradar a celulose (um polímero) em glicose, que poderá ser posteriormente convertida em etanol, mostra Rosana, que teve seu trabalho financiado pela Fapesp. Foram achados esses microrganismos novos produtores de enzimas de interesse industrial até então pouco conhecidos.

Segundo ela, os microrganismos mais adotados para a produção de álcool combustível e de bebidas como a cerveja hoje, as Saccharomyces, não conseguem fazer a conversão de celulose diretamente em etanol. Precisam de enzimas que degradem a celulose em glicose para que entre no metabolismo do microrganismo e consiga transformá-lo em álcool.

Estão sendo investigados microrganismos geneticamente modificados para conter os genes dessas enzimas, para depois os mesmos genes serem inseridos nas Saccharomyces. Esse processo, situa a autora, é bastante recente. “É uma inovação trabalhar com microrganismos engenharados (geneticamente modificados) a partir dos genes isolados e sequenciados de Acremonium strictum, cujo objetivo é fazer a sacaraficação e fermentação simultaneamente – degradar a celulose em glicose e depois convertê-la em etanol.”

Se o microrganismo conseguir fazer essas etapas simultaneamente, isso poderá diminuir o gasto de enzimas na hidrólise, deixando o etanol economicamente viável e com um preço mais competitivo.

No caso da engenheira de alimentos, ela trabalhou com a produção de celulases visando especificamente à produção de bioetanol. Defendeu a sua tese na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) sob a orientação do docente Francisco Maugeri Filho, responsável pela linha de pesquisa de Engenharia de Bioprocessos, e coorientada pelo docente do Instituto de Biologia (IB) Gonçalo Amarante Guimarães Pereira.

As celulases, explica a doutoranda, são uma classe de enzimas ou proteínas que têm o poder de degradar a lignocelulose. A ideia é usar a biomassa de resíduos como o bagaço da cana-de-açúcar, milho, gramíneas e material verde (ricos em celulose) para transformar em glicose.

Banco de cepas
A autora da tese partiu de uma coleção de 390 cepas de leveduras pertencentes ao Laboratório de Engenharia Bioquímica da FEA. Selecionou as melhores cepas produtoras de celulase em função de bancos originários da Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal.

Na primeira seleção, foram obtidas cinco leveduras e analisou-se a atividade enzimática delas. Notou-se que uma delas se destacou pelo potencial na produção de celulases – a cepa AAJ6.

“Resolvemos identificá-la molecularmente para verificar o seu gênero e a sua espécie. Descobrimos que era o fungo leveduriforme Acremonium strictum e começamos a trabalhar com ele fazendo a produção das enzimas, purificação e estudos enzimáticos”, descreve a engenheira de alimentos.

Após a identificação dos genes das enzimas, ela clonou-os em Escherichia coli (E.coli), um microrganismo-modelo, e fez a transformação em Saccharomyces cerevisiae para depois degradar a celulose e fermentá-la convertendo-a em combustível. A grande revelação, conforme Rosana, foi que ele produziu duas enzimas diferentes e primordiais na degradação da biomassa lignocelulósica – a endoglucanase e a beta-glicosidase.

A doutoranda constatou que a sua tarefa não tinha sido em vão. Além de detectar um microrganismo silvestre pouco estudado na natureza, também identificou os seus genes, iniciativa que representou um grande avanço, pois não se sabia que tal microrganismo podia produzir as enzimas descobertas. Viu que podia.

De acordo com a pesquisadora, lamentavelmente até o momento não se produziu o etanol de segunda geração, para onde estão sendo consumidos os esforços atualmente, e sim as enzimas que visam ao seu desenvolvimento, a partir de resíduos verdes.

De outra via, esse etanol não vem para competir com o etanol de primeira produção, que é o obtido de cana-de-açúcar ou o de milho. Vem, antes, em sua visão, para expandir o bioetanol mundial, pelo fato de usar os rejeitos que sobram nesse processo, realça ela.

Da cana-de-açúcar, por exemplo, vão sobrar bagaço e palha. Muitos desses resíduos são queimados e desperdiçados. “Pretendemos convertê-los em etanol, pois esse resíduo é rico em celulose, o principal carboidrato”, relata.

Perspectivas
Os Estados Unidos mantêm a sua liderança em etanol com produção a partir de milho. O Brasil figura logo atrás. É o segundo maior produtor mundial de etanol, porém aquele obtido de cana-de-açúcar.

A produção brasileira corresponde a 34% da faixa mundial e, a dos EUA, a 50%, com o restante dividido entre outros países. “Exploraremos essa produção a fim de não mais depender dos combustíveis fósseis, petróleo, para empregar só os combustíveis renováveis como o bioetanol”, diz Rosana.

É fato que as enzimas avaliadas mostraram-se valiosas à degradação de biomassa para ser usada num futuro próximo na produção de bioetanol. Mas ela sempre necessita de um pré-tratamento, uma vez que a celulose não está acessível para que os microrganismos as ataque e assim ser convertida em álcool.

As celulases podem ser aplicadas em indústrias como as de detergentes, panificação, bebidas, clareamento de sucos, papel e produção de rações. Mas, dessas, nada se iguala à produção de biocombustíveis.

Rosana avalia que o etanol de primeira geração, que é produzido a partir da sacarose de cana-de-açúcar, é viável, está bem no mercado competitivo e é exportado com boa aceitação. “A nossa intenção é expandir essa produção para chegar ao ‘álcool verde’, gerado por meio de material lignocelulósico”, reporta. Trata-se de resíduos verdes naturais. E é para isso que estão sendo desenvolvidas as novas tecnologias.

Campinas tem inclusive um Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), dentro do Centro Nacional de Pesquisa em Materiais e Energias, situado próximo ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Nesse laboratório somente são investigadas áreas relacionadas à produção de bioetanol de segunda geração.

O Brasil está avançado nesse aspecto, embora ainda sem um etanol de segunda geração economicamente viável, porque ainda está com preço elevado, encarecido pelo custo das enzimas. Duas empresas multinacionais fazem a sua produção: a Novozyme e a Megazyme, que as vendem já purificadas.

A sua esperança, e a de experts da área, é mesmo colocar em uso o combustível verde. Muitas empresas almejam lançar o etanol de segunda geração em no máximo em um ano. Mas a expectativa de se tornar economicamente viável deve demorar um pouco mais: perto de cinco anos para então entrar em larga escala. Até aqui só há plantas pilotos e ensaios.

Além disso, já se fala de etanol de terceira e de quarta geração, que é a produção de álcool a partir de microrganismos geneticamente modificados. Como já existem essas enzimas, das quais já se conseguiu engenherar as leveduras, elas podem degradar celulose e convertê-la em álcool diretamente.

No estudo de Rosana, a identificação dos genes e a clonagem foram realizadas na Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, onde a doutoranda permaneceu seis meses fazendo um estágio de doutorado-sanduíche, sob a orientação do professor Paul Ferrer.

Ao voltar ao Brasil, ela realizou outra parte da pesquisa no Laboratório de Genômica e Expressão do IB, supervisionada pelo professor Gonçalo, que incluiu a clonagem dos genes, a sua identificação e a transformação em Saccharomyces.

Publicações Goldbeck, R.; Andrade, C. C. P.; Pereira, G.A.G. ; Maugeri Filho, F. Screening and identification of cellulase producing yeast-like microorganisms from Brazilian biomes. African J. Biotechnol. 11(53): 11595-603, 2012.
Tese: “Determinação das propriedades lignocelulolíticas e estudo genético de microrganismos silvestres isolados de diversas regiões brasileiras visando à produção de bioetanol”
Autora: Rosana Goldbeck
Orientador: Francisco Maugeri Filho
Coorientador: Gonçalo Amarante Guimarães Pereira (IB)
Unidade: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA)
Financiamento: Fapesp

Fonte: Jornal da Unicamp.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Novo concreto é elaborado a partir de material reciclável

Concreto idealizado pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos substitui os materiais tradicionais que o compõem por componentes reaproveitados. A areia de fundição (utilizada em moldes nos processos de fundição de peças metálicas) substitui 70% da areia normalmente utilizada, e a escória de aciaria (resíduo que sobra da produção do aço) substitui 100% da pedra. “O produto se utiliza de resíduos sólidos industriais, fazendo uma reciclagem e dando uma nova utilização para eles, o que propicia a economia de recursos naturais”, diz o engenheiro de materiais Javier Mazariegos Pablos. O produto pode ser usado em guias, mobiliário urbano e na execução de contrapisos e calçadas.

Além disso, esses resíduos não poderiam sofrer descarte comum, pois são nocivos ao meio ambiente. Só podem ser dispostos em aterros industriais específicos, a um custo bastante elevado (cerca de R$200,00 a tonelada). “Essa nova finalidade evita o descarte dos materiais e, consequentemente, esse custo que as indústrias teriam.” Inicialmente, o novo concreto foi utilizado para a fabricação de peças para pavimentação.

O novo concreto começou a ser pensado por volta de 2008, quando Pablos se tornou professor do Departamento de Arquitetura, no IAU. Ele levou essa pesquisa para o Grupo de Estudos ArqTeMa – Arquitetura, Tecnologia e Materiais, onde conseguiu a parceria com os professores Osney Pellegrino e Eduvaldo Sichieri.

O material já tem um número provisório de patente. O registro é concedido pelo órgão governamental Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A partir de agora, eles vão verificar em todo o mundo se já existe algum outro produto com essas mesmas características. Se for verificado que não, o concretoo receberá a patente definitiva. “Esperamos que ela saia em mais dois ou três meses”, diz o engenheiro.

Comercialização
A ideia do grupo é levar o concreto para a sociedade, torná-lo um produto comercial, indo além da concepção acadêmica. “Quando você faz uma patente, você tem uma responsabilidade. Não é só gerar o produto, mas viabilizar a aplicação dele no mercado”, diz Pablos, que ressalta a figura da universidade pública nesse processo. “Isso teve um custo para a universidade, além de haver um custo para a manutenção da patente. Para fazer isso valer, o produto tem de ser comercializado”.

Em casos que geram patentes, a USP fica com 50% de seu valor e os autores com os outros 50%. O grupo se articula para colocar o plano em prática, estabelecendo contato com empresas e indústrias que podem vir a se interessar em comprar o concreto na fabricação de elementos para a construção civil, como peças para pavimentação, guias, blocos para alvenaria de vedação, mobiliário urbano, além de poder ser aplicado na execução de contrapisos e calçadas. O preço do novo material é um atrativo, pois deve vir a ser menor do que os materiais similares já no mercado. Nesse processo, o grupo recebe a ajuda da Agência USP de Inovação, núcleo de inovação tecnológica da USP que visa promover a utilização do conhecimento científico e tecnológico produzido na universidade, levando-a para os mais diversos meios da sociedade.

O que diferencia esse concreto dos demais presentes no mercado é seu viés ecológico. Ele se utiliza de materiais reciclados, que teriam de ser descartados de maneira específica, porque podem ser nocivos ao meio ambiente. Com isso, esses produtos substituem as matérias-primas que seriam necessárias para a concepção do concreto, ou seja, há menos exploração de materiais naturais. “A questão da preservação do meio ambiente é muito importante e ela esteve presente na idealização desse novo produto”, finaliza Pablos.

Fonte: Envolverde.

domingo, 14 de outubro de 2012

Sustentabilidade agrícola é o caminho para o futuro

Aumentar a produtividade sem tomar mais terras já é uma realidade no Brasil. Conseguimos produzir, atualmente, 160 milhões de toneladas de grãos em cerca de 200 milhões de hectares, uma área ocupada pela agricultura e pecuária. Mas pesquisadores da Embrapa garantem que esse número pode ser dobrado, sem que para isso precisemos prejudicar o meio ambiente.

"Os sistemas de produção integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária (iLP) e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), se adotados em todas as regiões produtivas, permitem recuperar as áreas de pastagem que já estão com algum nível de degradação, elevando a produtividade tanto de grãos e fibras quanto de produção de carne", afirma Euclides Maranho, analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste.

Na mesma área em que hoje se produz cerca de 160 milhões de toneladas, podem-se obter seguramente 300 milhões de toneladas. Para tanto, pontua o pesquisador, é necessária a criação de uma política agrícola de longo prazo, com planejamento, considerando cenários, oportunidades, ameaças e, principalmente, definindo estratégias que deverão ser adotadas de forma articulada, visando ao alcance do objetivo traçado.

Modernização do setor
O agricultor está atento às modernas inovações e, dentro de suas possibilidades, moderniza suas máquinas, adota novas tecnologias, mesmo sendo penoso e pairando dúvidas quanto ao retorno de seus investimentos.

Lado a lado com essa modernização, o analista de pesquisa na área de Economia Rural da Embrapa Agropecuária Oeste, Alceu Richetti, lembra que a pesquisa tem ajudado os produtores a produzir mais em menor área. "Para isso, basta observar a produtividade da soja no Brasil, que em 1990 era de 1.732 kg/ha, e hoje é de 2.660 kg/ha, um acréscimo de 53,6%. Isso graças à introdução de cultivares de soja adaptadas às condições locais e mais produtivas, a adequadas técnicas de cultivo e de manejo de pragas e à modernização dos métodos de gestão da propriedade rural", enumera.

Ainda como técnicas para produzir mais com menos recursos, Euclides Maranho destaca os sistemas de produção integrados, a realização da inoculação e o tratamento de sementes, além da adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Análise de perto
A sustentabilidade não pode ser analisada só pela agricultura. "Precisamos entender que o produtor só produz mais porque do outro lado existe uma demanda cada vez mais audaciosa. A agricultura carrega um fardo muito pesado, o de que é a que polui, a que destrói, e assim por diante. Pelo que me consta, a grande maioria dos rios são poluídos no setor urbano; as grandes cidades não preservam a mata ciliar dos rios, ou será que São Paulo ou Porto Alegre, por exemplo, preservam a mata ciliar dos rios Tietê ou Guaíba? O leite, por exemplo, sai da unidade de produção rural e chega até a cidade em grandes tanques, que são reutilizáveis. Posteriormente, o produto sofre o processo de agroindustrialização, sendo embalado em caixas ou outras embalagens que, na sua grande maioria, após o consumo do produto, vão para os lixões ou o fundo do leito de córregos e rios, e algumas demoram mais de cem anos para serem deterioradas pelo meio ambiente", desabafa Maranho.

Obviamente, completa, se a sustentabilidade puder ser construída a partir de um pensamento comum, de que todos participem, a agricultura será uma das grandes beneficiadas, já que em seus processos de produção podem ser inseridas tecnologias ambientalmente corretas - as matas ciliares e APPs previstas no novo Código Florestal, após aprovado, com certeza serão repostas e preservadas.

Bom para o produtor e para o meio ambiente
Importante lembrar que os agricultores que praticam a agricultura com baixa emissão de gás carbônico e, principalmente, que desenvolvem atividades que promovem o sequestro de carbono, podem ter uma renda alternativa na venda dos créditos de carbono. "Assim, se todos os processos de produção, agregação de valores, distribuição e consumo dos alimentos forem em busca da sustentabilidade, com certeza não só a agricultura, mas todos os seres que habitam este planeta serão os grandes beneficiados", avalia Euclides Maranho.

Para ele, por uma questão óbvia, a região Norte do Brasil, onde está a Amazônia, é aquela que mais está sendo questionada quanto à sustentabilidade. Nessa região, já houve ações de sequestro de animais criados em áreas de APPs ou reservas legais.

O Código Florestal prevê que 80% da área seja preservada com a vegetação nativa, além de considerar que grandes áreas são preservadas com parques nacionais ou reservas indígenas. No entanto, pela maior densidade demográfica e pela alta atividade das regiões Sul e Sudeste, existem bons exemplos de ações desenvolvidas com o intuito de promover a agricultura sustentável, a exemplo do crescente aproveitamento de resíduos agroindustriais para a cogeração de energia; do aumento considerável do sistema de plantio direto, ou do plantio com o mínimo de revolvimento do solo; da redução de utilização de nitrogênio na agricultura devido à prática da inoculação de organismos que promovem a fixação de nitrogênio atmosférico, entre outras.

A região Centro-Oeste, que é responsável pela produção de um grande volume de produtos da agricultura, por ser um bioma vulnerável devido a grandes estiagens, à fragilidade de sua vegetação nativa e dos solos, na sua grande maioria com menores teores de argila, o que facilita a rápida exaustão de sua capacidade produtiva, precisa de algumas ações no sentido de definir até quando os recursos naturais podem oferecer condições para a obtenção de resultados tão significativos quanto os que estão ocorrendo atualmente.

O pesquisador Euclides Maranho não tem dúvidas de que ainda existem muitas áreas a serem inseridas no processo, o que deverá proporcionar um crescimento enorme do volume de produção.

Fonte: Revista Campo & Negócios.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Brasil se mobiliza para a nona edição da SNCT

Coordenada pelo MCTI, Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é realizada de segunda-feira (15) ao dia 21 com o tema "Economia Verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza".

Popularizar a ciência e mostrar sua importância para o desenvolvimento do país, além de incentivar a população a valorizar a criatividade, a atitude científica e a inovação. Esses são os principais objetivos da 9ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realiza de 15 a 21 de outubro. Neste ano, serão desenvolvidas atividades em todas as regiões do país, com a mobilização de diversos parceiros, como universidades, instituições de pesquisa, escolas, empresas públicas e privadas, governo e entidades da sociedade civil.

Como acontece a cada ano, as ações são promovidas em torno de uma temática de importância social. O tema "Economia Verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza" foi escolhido para 2012, em sintonia com as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), promovida pela ONU em junho deste ano, no Brasil. A Assembleia-Geral das Nações Unidas também declarou o ano de 2012 como o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos, visando realizar atividades em todos os continentes com o objetivo de aumentar a consciência coletiva sobre a importância da sustentabilidade, por meio de ações em âmbito local, regional e internacional.

O tema principal é escolhido pelo MCTI com base em sugestões e consultas a instituições e entidades parceiras na organização. Durante o ano e, principalmente, no período da SNCT, são desenvolvidas atividades de difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos relacionados ao tema, com debates sobre as estratégias e as mudanças necessárias para (no caso desta nona edição) a consolidação de uma economia que, em conexão com um modelo de desenvolvimento sustentável, contribua para a erradicação de pobreza e a diminuição das desigualdades sociais no País.

Segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, o objetivo é discutir em escolas, universidades, comunidades e locais públicos os diversos aspectos envolvidos no estabelecimento de uma economia verde, bem como os desafios da sustentabilidade nas suas dimensões ambiental, econômica e social.

"As pesquisas científicas e tecnológicas, os intercâmbios científicos e o uso generalizado e aberto dos dados e resultados científicos são fatores essenciais para enfrentar estes desafios, tendo em vista os limites naturais do planeta e a necessidade de estruturas socioeconômicas renovadas. Por outro lado, uma educação de qualidade é um elemento indispensável para possibilitar uma formação cidadã adequada para o desenvolvimento sustentável", afirma Raupp.

A SNCT - Decreto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 9 de junho de 2004, estabeleceu a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a ser comemorada, anualmente, no mês de outubro. O evento é realizado sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e com a colaboração de entidades e instituições de ensino e pesquisa. Ela tem acontecido, desde então, com participação entusiasmada e crescente de estudantes, professores, instituições e municípios. Em 2011, foram realizadas cerca de 16.000 atividades, em 654 municípios.

Histórico
2004 - Na primeira SNCT, ocorrida entre 18 e 24 de outubro, foram realizadas 1.840 atividades, em 252 municípios, envolvendo 250 instituições e entidades de ciência e tecnologia (C&T). Foram organizadas as coordenações estaduais, com a participação de secretarias, fundações de amparo à pesquisa (FAPs) e instituições de ensino e pesquisa, o que possibilitou a rápida expansão do evento. No Congresso Nacional foi instalada a Subcomissão Permanente de C&T no Senado e criada a Frente Plurissetorial em Defesa da CT&I.

2005 - Foram 6.701 atividades, em 332 cidades, entre os dias 3 e 9 de outubro. O tema da SNCT foi "Brasil, olhe para a água!". Houve um grande aumento do número de atividades, de municípios e de instituições envolvidas, em relação ao ano anterior. Atividades interativas em locais públicos, exposições, debates e outros eventos destacaram a importância da preservação dos mananciais hídricos e a interface da ciência com o desenvolvimento sustentável do país.

2006 - A terceira edição ocorreu de 16 a 23 de outubro. Foram registradas 8.654 atividades espalhadas em 370 municípios brasileiros. O tema da semana foi "Criatividade e inovação" para comemorar o centenário do voo do 14 Bis, cuja réplica decolou na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, durante o evento. Milhares de atividades educacionais e de divulgação homenagearam também, ao longo do ano, o inventor Alberto Santos-Dumont.

2007 - "Terra" foi o tema escolhido, em função da importância das questões globais do planeta (preservação da vida, sobrevivência da espécie humana, estrutura e riquezas da Terra, mudanças climáticas, poluição atmosférica, etc). A escolha levou em conta estabelecimento, pela ONU, do Ano Internacional da Terra. O balanço do evento, ocorrido entre 1º e 7 de outubro, registrou cerca de 9.700 atividades, em 390 municípios, com 680 instituições e entidades envolvidas.

2008 - Nessa edição, realizada entre 20 e 26 de outubro, foram registradas 10.859 atividades em 445 municípios. O tema da semana nacional foi "Evolução e diversidade", em função dos 150 anos da teoria da evolução pela seleção natural.

2009 - Foram cadastradas 14.978 atividades desenvolvidas em 492 cidades. O tema foi "Ciência no Brasil", com o propósito de se conhecer e valorizar a C&T produzida no país. Atividades em escolas, espaços públicos e em instituições de ensino e pesquisa buscaram informar e debater a situação local e nacional do setor, considerando também sua história e seus desafios futuros. O Ano Internacional da Astronomia (AIA) foi comemorado nesta edição com milhares de atividades, realizadas na SNCT e ao longo do ano, envolvendo 2,5 milhões de pessoas. 

2010 - A SNCT ocorreu entre 18 e 24 de outubro. O tema principal foi: "Ciência para o desenvolvimento sustentável". Estimulou-se em todo o país o debate sobre as estratégias e maneiras de se utilizar os recursos naturais brasileiros e sua rica biodiversidade de forma sustentável e conjugada com a melhoria das condições socioeconômicas da população. O evento se integrou ao Ano Internacional da Biodiversidade. Foram realizadas 13.345 atividades em 397 municípios brasileiros. Em maio de 2010, foi realizada a 4ª Conferência Nacional de CT&I, que delineou uma "Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável".

2011 - Foram ao todo 16.110 atividades em 654 municípios. O tema "Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos" foi escolhido em função da sua relevância global, sua atualidade e sua importância para a população brasileira. Discutiram-se as estratégias e maneiras de enfrentar o grande desafio planetário das mudanças no clima e prevenir riscos decorrentes de desastres naturais e de situações criadas pela ação humana. Foram promovidas muitas atividades dentro do Ano Internacional da Química. Estudantes e professores em 601 municípios participaram do Experimento Global pH do Planeta.

Fonte: Jornal da Ciência.

Estádios da Copa de 2014 terão energia renovável


Pesquisas de opinião pública encomendadas pela Fifa, a entidade máxima do futebol, revelam que 90% dos brasileiros consideram essencial que a Copa do Mundo de 2014 seja ecologicamente correta. E ela será. Aliás, a primeira da história. Se na Copa da África do Sul, em 2010, não houve tempo para construir estádios ecologicamente responsáveis - o conceito de sustentabilidade não era tão difundido como é hoje -, na Copa do Mundo do Brasil todos os 12 estádios-sede usarão fontes renováveis de energia elétrica.

O pesquisador Ricardo Ruther, da Universidade Federal de Santa Catarina, autor (em parceria com o Instituto Ideal), do projeto Estádios Solares, diz que o processo de transformação da luz do sol em energia elétrica é relativamente simples. "A tecnologia solar produz eletricidade diretamente dos elétrons liberados pela interação da luz do sol com certos semicondutores no painel fotovoltaico", afirmar Ruther. Para elaborar o projeto, o pesquisador visitou o Mage Solar Stadium (que pertence ao SC Freiburg, clube alemão da cidade de Freiburg im Breisgau), o primeiro estádio no mundo com usina solar de produção de energia, implantada em 1995.

O Mage Solar serviu de base para o projeto do primeiro estádio da América Latina equipado com energia solar, o Pituaçu, em Salvador. Com a supervisão da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), o estádio de Pituaçu, que pertence ao Governo da Bahia, tem capacidade de gerar 630MWh anuais, 75% a mais que o total gasto pelo estádio em um ano - a diferença vai para a rede da Coelba.

Caminho parecido deve seguir a Arena Pernambuco, no Recife, que ficará pronta em 2013 e contará com uma usina solar capaz de gerar a produção de 1.450 MWh/ano, equivalente o consumo de energia de 1.200 residências. A energia produzia pela usina, instalada em uma área contígua à Arena Pernambuco, será destinada ao estádio através de painéis fotovoltaicos que vão captar a luz emitida pelo sol.

Os dois principais estádios da Copa de 2014 - o Itaquerão, onde será realizada a abertura, e o Maracanã, a final - também serão sustentáveis. O Corinthians, proprietário do Itaquerão, firmou parceira com o Grupo AES Eletropaulo, a AES Tietê e a Odebrecht Energia para a instalação de placas fotovoltaicas no estádio. Já os administradores do Maracanã, de propriedade do Governo do Estado do Rio, firmaram um acordo com a Yingli Solar, a Light ESCO e a EDF Consultoria em Projetos de Geração de Energia Elétrica para fazer do estádio, palco da final da Copa do Mundo de 1950, referência em energia renovável.

Fonte: Terra.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Brincando e Aprendendo

Nos próximos dias 16 e 17, das 8 às 18 horas, no espaço Egypt Hall, que fica na Rua Bernardo Sayão 203, bairro Custódio Pereira, em Uberlândia, será realizado o Brincando e Aprendendo. O objetivo principal do evento é integrar diversos projetos de produção e divulgação da ciência em geral e questões relacionadas ao tema central da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT): “Economia Verde, Sustentabilidade e Erradicação da Pobreza”.

Durante os dois dias, diversas ações serão promovidas, como mostras ambientais, brinquedos científicos, jogos e atividades interativas com experimentos nas áreas de Química, Física e Biologia. O evento, aberto ao público, contará com a presença de estudantes do ensino básico de escolas públicas e particulares da cidade e região. O Brincando e Aprendendo é uma promoção do Museu Diversão com Ciência e Arte (Dica), do Instituto de Física (Infis), do Instituto de Química (IQUFU) e da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (Faurb), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM); e da Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU).

Mais informações com a professora Sílvia Martins, pelos telefones (34) 3239-4190 e (34) 3230-9518 ou neste site.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Uberlândia promove a 4ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Abertura do evento contará com a apresentação do projeto Biojari; cardápio variado de palestras e o novo visual do mascote Zezinho são as novidades deste ano

Economia verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza são os temas da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) deste ano. O evento, coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), será realizado entre os dias 15 e 21 de outubro em todo o Brasil.

É a quarta vez que o evento acontece em Uberlândia. A abertura oficial acontecerá no dia 15 de outubro, às 14 horas, no Anfiteatro do bloco 8 C, campus Umuarama. Uma das atrações será a apresentação do projeto Biojari: as mudanças começam a partir de novas ideias desenvolvido pela professora Elizabete Rodrigues e pelos alunos Adymailson Nascimento Santos, Islla Gonçalves Marreiros e Thysianne de Sousa Teixeira, da Escola Estadual Mineko Hayashida, localizada no munícipio de Laranjal do Jari, no Amapá. O projeto foi contemplado com o prêmio nacional de inovação, por resultar na invenção de uma engenhoca que tem como objetivo diminuir enchentes e incêndios naquela cidade. A equipe conquistou também uma viagem para os Estados Unidos, marcando presença na feira mundial de tecnologia. “O projeto Biojari é um exemplo inspirador para os nossos mestres e alunos, pois mostra a perseverança e a dedicação de uma professora e um grupo de estudantes para solucionar um problema da sua comunidade, a partir dos conhecimentos da ciência e da tecnologia. Além disso, é belíssimo exemplo de trabalho relacionado ao tema central da Semana 2012”, diz a coordenadora da Semana em Uberlândia, professora Sílvia Martins.

Está prevista a realização dos eventos Brincando e Aprendendo, Ciência Viva e Noite nas Estrelas. Outra ação da Semana é a mediação entre escola e pesquisador por meio da promoção de palestras, oficinas e visitas técnicas. “Buscamos com essas atividades colocar as escolas em contato com instituições de pesquisas, empresas, ONGs e órgãos públicos que atuam diretamente com a ciência e a tecnologia”, explica Martins. As palestras serão ministradas entre os dias 22 de outubro e 30 de novembro. “Elaboramos um cardápio que será distribuído durante a Semana, apresentando as várias opções de temas de palestras. Serão divulgados o nome do pesquisador palestrante, o local e o horário do evento. Assim, a escola interessada poderá optar pela atividade, com antecedência”, salienta.

Outra novidade deste ano é o novo visual do mascote Zezinho, que representa a Semana em Uberlândia desde a sua primeira versão, em 2009, em homenagem ao médico, pesquisador, educador e jornalista José Reis, considerado o pai da divulgação científica no Brasil. “Fizemos uma repaginação da imagem do mascote, trazendo a ele características múltiplas para que a sua figura se identifique com pessoas de qualquer idade, profissão e sexo”, diz a idealizadora da nova cara do mascote, Cristiane Alcântara, professora do Curso de Design, da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da UFU.

As atividades da Semana são gratuitas e abertas à população. A programação e as informações sobre como participar do evento podem ser conferidas no folder abaixo ou na aba programação.



Mais informações com a professora Sílvia Martins, pelos telefones (34) 3239-4190 e (34) 3230-9517.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tecnologia garante desenvolvimento sustentável

Dentro do campus da Universidade Federal de Viçosa, funciona o Polo de Excelência em Florestas, criado pelo Governo de Minas. Na UFV estão alguns dos laboratórios da área que mais investem em novas tecnologias. O objetivo é promover a exploração sustentável dos recursos ambientais, preservando o meio ambiente e gerando riquezas.

sábado, 6 de outubro de 2012

Sustentabilidade nas favelas

Uma das principais causas de desastres provocados por desequilíbrios ambientais é a falta clareza do poder público na implementação de ações voltadas para a sustentabilidade. “Com os avanços na consciência socioambiental nos últimos anos, algumas regiões do Rio de Janeiro têm sofrido mudanças consideráveis. Nas favelas, entretanto, os mesmos problemas persistem, como coleta de lixo e falta de saneamento”, disse o coordenador de Meio Ambiente do Viva Rio, Tião Santos.

Ele usou como exemplo a tragédia na Região Serrana, em janeiro de 2011. “Foi uma tragédia sem proporção que atingiu ricos e pobres”, contou. Durante sua apresentação, ele exibiu o documentário produzido pelo Viva Rio durante a campanha de ajuda emergencial à Região Serrana.

Assista ao vídeo: Tião Santos participou de uma mesa redonda sobre modelos de desenvolvimento sustentável para as favelas, na última terça-feira, dia 25 de setembro. O debate fez parte da programação do projeto Conversas no Museu, no Museu do Meio Ambiente, que também contou com a presença do coordenador executivo do Observatório de Favelas, Mário Pires.

Para Mário, tanto no asfalto quanto na favela as pessoas só identificam o problema da sustentabilidade quando ele lhes atinge. “Fomos educados por muito tempo a ver a sustentabilidade somente como uma ação do homem no meio ambiente e não como a relação entre homem e homem e a ação desses no ambiente”, disse.

E você, sabe o que é sustentabilidade?
Sustentabilidade é o termo usado para definir ações e atividades humanas para suprir as necessidades atuais dos seres humanos sem comprometer o futuro das próximas gerações. Ela está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro.

A adoção de ações de sustentabilidade garante, a médio e longo prazo, um planeta em boas condições para o desenvolvimento das diversas formas de vida. O uso inteligente dos recursos naturais possibilita a sua manutenção para uso das próximas gerações, garantindo qualidade de vida hoje e para as futuras gerações.

Fonte: Viva Rio.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cosméticos sustentáveis: Payot

Empresa busca a sustentabilidade em todos os produtos

A empresa de cosméticos Payot foi a primeira do segmento a ser certificada com o selo verde, concedido pelo IBDN (Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza) às empresas que desenvolvem ações de sustentabilidade nas áreas ambiental, social e saúde.




“A Payot sempre se preocupou com a sustentabilidade de seus produtos. Não é mais possível uma empresa viver distante dessa responsabilidade, também porque o consumidor já começa a perceber e preferir as empresas que têm esse foco”, diz Antônio Celso da Silva, diretor industrial da Melfe, licenciada da Payot.

Para isso, a empresa fez várias alterações para seguir padrões de sustentabilidade, como destinação correta de resíduos com o menor impacto ambiental possível. Além disso, a Payot buscou soluções em vários produtos: os lápis para olhos e lábios são produzidos com madeira certificada, a matéria prima dos frascos foi trocada de PVC para PET e rótulos e tampas também passaram a ser feitos com outros materiais mais sustentáveis.




Ainda segundo Antônio, a empresa busca sempre deixar os produtos mais sustentáveis, ainda que aos poucos. “Começa pelo desenvolvimento, em que buscamos fornecedores que tenham efetivamente as mesmas preocupações que a Payot. Buscamos também desenvolver formulações em que o uso de energias ou combustíveis sejam menores, com isso optamos por emulsões a frio nos nossos produtos. Nas embalagens, optamos pelas que causam menor impacto no meio ambiente, finalizando com a destinação ambientalmente correta dos nossos resíduos industriais”.

Além das ações para o meio ambiente, a empresa mantém desde 1999 um projeto de responsabilidade social, que capacita profissionais e atua no ramo de saúde.

Fonte: Atitude Sustentável.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Indústria aeronáutica faz teste com tecnologia de redução de carbono

A Boeing trabalha na tecnologia batizada de ecoDemonstrator que tornam os voos de suas aeronaves mais eficientes do ponto de vista energético, entre os benefícios, está a redução da emissão de carbono. Essa tecnologias desenvolvidas no interior da companhia já estão deixando os laboratórios e as pranchetas e estão sendo adaptados em um 737-800, para testes no mundo real.

Para reduzir o consumo de combustível, a Boeing desenhou novas estruturas na fuselagem e nas asas do avião, fazendo-o mais aerodinâmico. Tanto quanto mais baixo for o coeficiente aerodinâmico do projeto, mais penetração ele tem no ar. Quanto melhor for a capacidade do aeronave em cortar o ar, menos combustível seus motores precisarão queimar para acelerar a avião e gerar a velocidade que lhe dá sustentação.




Também de olho na queima eficiente de combustível, a Boeing redesenhou a saída de exaustão das turbinas da aeronave. Agora, a parte da fuselagem que serve de exaustor para os motores se adapta a diversas condições de voo, dada a sua abertura variável.

O efeito é redução de consumo de combustível e, também, queda no nível de ruído gerado pelo avião em certas condições de aceleração.

Outro estudo que visa diminuir o consumo de combustível está relacionado com uma parceria da Boeing com a FAA, equivalente à nossa ANAC. O projeto visa desenvolver sistemas de navegação e rotas mais precisos, que diminuam as voltas dos aviões no céu. Com rotas mais diretas e precisas, menos combustível seria necessário nas viagens.

A outra frente de aprimoramento pesquisada pela Boeing envolve o uso de células de combustível para a geração de energia elétrica, utilizada nos diversos equipamentos, sensores e sistemas embarcados na aeronave. A ideia da Boeing é usar modelos com hidrogênio e oxigênio, que evitariam a dependência do avião em relação à eletricidade gerada a partir da queima de combustível nos motores. A busca por tanta eficiência, além de soar bem perante a opinião pública, explica-se pelo fato de que os custos envolvidos com combustíveis são, em larga escala, os maiores das operações das companhias aéreas.

Fonte: TechTudo.

sábado, 29 de setembro de 2012

Embalagens sustentáveis vão além da capacidade de reciclar

Apesar de pouco importantes para muita gente, as embalagens são grandes vilãs da natureza. A produção, utilização e descarte delas implicam em impactos ambientais, visto que a embalagem, ao final de seu processo de consumo, inevitavelmente acaba como lixo urbano. A questão é: existem maneiras possíveis de torná-la sustentavelmente bem sucedida, seja pelo uso de materiais, seja pelo processo de fabricação ou pelo seu consumo consciente?

Segundo a designer Babi Tubelo, os materiais, a logística e a reciclabilidade estão entre as principais ferramentas a caminho de um design de embalagem visando a ecologia ambiental, imprescindível no mundo moderno. Quanto mais diversidade de material em uma mesma embalagem, mais será seu impacto para o meio ambiente. Já o uso de apenas um material facilita sua reciclagem.

A embalagem sustentável deve atender pelo menos a três dimensões:

- Garantir a proteção ao produto; - Escolher aquela que implica menos impactos ambientais, medidos segundo a Análise do Ciclo de Vida (ACV) do produto; - Saber como os materiais de embalagens são destinados no fim de vida útil, seja por compostagem, aterro sanitário, reciclagem química, reciclagem mecânica ou reciclagem energética.

Segundo especialistas, o ato de projetar produtos em prol da sustentabilidade é tecnicamente possível. Para que isso ocorra são necessárias mudanças de comportamento e alterações nos padrões da sociedade, a fim de que alternativas inovadoras de design sejam, de fato, bem aceitas.

Economia em material e logística
Economizar no material e facilitar a logística são aspectos essenciais para uma embalagem ser considerada sustentável. E muitas vezes não se dá muita importância a esses dois pontos. Mas, não é assim que pensa a designer húngara e estudante de graduação Otília Andrea Erdelyi. Ela redesenhou a embalagem de ovos, tornando-a ainda mais minimalista, materialmente eficiente e visualmente atraente.

Além de economizar matéria-prima, a caixa de ovos, chamada de Erdelyi, foi projetada para ser empilhada facilmente. Os ovos são colocados em forma de elipse e para o consumidor retirar os ovos da embalagem basta inclinar uma das laterais.

Embalagens recicláveis
Outro ponto mais conhecido e também essencial, para se alcançar uma embalagem sustentável, está no seu poder de reciclabilidade, ou seja, a capacidade que ela tem de ser aproveitada depois de utilizada.

Atualmente, com a grande preocupação ambiental, muitas indústrias estão inovando os seus produtos, fabricando embalagens que podem ser recicladas após serem utilizadas.

Um exemplo está na lâmpada de última geração Lemnis Lighting, já mostrada no site do EcoD, que desenvolveu uma embalagem capaz de se transformar em uma luminária para acomodá-la.

Fonte: Envolverde.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

UFRJ desenvolve concreto ecológico com fibras vegetais e materiais reciclados

A Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) desenvolveu alternativas ecológicas para matérias-primas do concreto e de produtos de fibrocimento (como caixas d’água e telhas). Segundo o pesquisador Romildo Toledo, o uso de materiais tradicionais, como o cimento, a brita e o amianto, pode ser reduzido ou até completamente substituído com a utilização de fibras vegetais e materiais reciclados.

No caso do concreto, liga formada por cimento, brita (pedra) e areia, é possível reduzir o consumo de cimento em 20% a 40% com alternativas como cinza de bagaço de cana-de-açúcar, cinza de casca de arroz e resíduos da indústria cerâmica. A brita pode ser completamente substituída por materiais obtidos em demolições de construções antigas.

No caso do fibrocimento, usado na fabricação de telhas ou caixas d’água, o consumo de cimento pode ser reduzido em até 50% com o uso de alternativas ecológicas. As fibras vegetais substituem as fibras minerais tradicionais, como o amianto, que provocam danos à saúde humana. Há estudos com outros materiais como borracha de pneu usado, cinzas de esgoto sanitário ou de queima do lixo para substituir, pelo menos parcialmente, o cimento.

“Alguns tipos de concreto ecológico já estão prontos para serem repassados ao setor produtivo, mas há outros que ainda estão em fase final de desenvolvimento. São soluções que reduzem impacto na construção civil, seja por redução da emissão de gás carbônico, pelo uso de materiais naturais etc. E todas levam a resultados tão bons quanto os materiais tradicionais. Essa é uma preocupação: não ter performance inferior aos que os materiais tradicionais têm. O consumidor não vai sentir problemas de durabilidade, como a casa ou o prédio terem vida útil menor”, disse Toledo.

Segundo a Coppe, a indústria cimenteira responde por 5% a 7% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. A produção atual de cimento corresponde a cerca de 3 bilhões de toneladas por ano, que deve triplicar em 50 anos.

Segundo o pesquisador, as alternativas ecológicas ao concreto têm chamado a atenção de algumas empresas. Na última sexta-feira (14), por exemplo, Toledo apresentou sua pesquisa a representantes de empresas de materiais de construção norte-americanas na Câmara de Comércio Americana (Amcham) do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Envolverde.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Máquina produz “lenha ecológica”

Equipamento desenvolvido no IFGW produz briquete de alta densidade
Está em fase de ensaios e prestes a entrar no mercado uma máquina que produz um briquete de alta densidade possível de ser carbonizado e utilizado como carvão. O briquete, conhecido como “lenha ecológica”, é um bloco cilíndrico resultante da compactação de resíduos como serragem, casca de arroz, palha de milho, bagaço de cana, capim e tantos outros gerados em atividades agrícolas. Este combustível de biomassa já vem substituindo a lenha, por exemplo, em pizzarias e padarias, mas a produção de carvão a partir dele, em escala comercial, depende de ajustes nesta máquina desenvolvida com tecnologia nacional.

Batizada de Biotor, a briquetadeira é fruto de projeto financiado pela Fapesp e executado em parceria entre o Grupo Combustíveis Alternativos (GCA) do Instituto de Física da Unicamp, a Bioware Tecnologia (empresa graduada na Incamp/Unicamp) e a Embrapa Agroenergia. “A máquina foi deslocada por alguns meses para uma empresa interessada em realizar os ensaios. O intuito é aperfeiçoar a tecnologia até o ponto de levá-la ao mercado”, explicava o professor Carlos Alberto Luengo, coordenador do GCA, enquanto mostrava uma foto de Lula, ainda presidente, despejando resíduos na briquetadeira. “A presença de Lula se deve a uma palavra mágica: cana-de-açúcar (o bagaço e a cana), o que traz um potencial muito grande para o equipamento.”

A ideia de transformar briquete em carvão veio de Felix Fonseca Felfli, em pesquisa de doutorado desenvolvida em 2003 sob a orientação de Luengo, quando procurou identificar as principais barreiras técnicas e mercadológicas para produzir e comercializar a biomassa torrefeita. “Como temos um forno no laboratório, pensei: ao invés de torrificar lenha, vamos torrificar briquetes para substituir o carvão vegetal. Se o briquete já substitui a lenha, ainda não havia um substituto ecológico do carvão. Vemos no mercado produtos que se dizem ecológicos, mas que na verdade são resíduos de carvão prensados, ou seja, vendem a mesma coisa: trabalho infantil e escravo, poluição, árvores nativas cortadas.”

Briquetes foram doados para a pesquisa de Felix Felfli, que se decepcionou com o que saiu inicialmente do forno. “Virou pipoca. O bloco se quebrou em camadas e, muito frágil, se transformaria em pó com o manuseio e transporte. Começamos a investigar e descobrimos que o problema está no processo de compactação pelas briquetadeiras existentes no Brasil, que funcionam por meio de pistão mecânico. O briquete pode ser grande, mas é frágil estruturalmente: com o calor, surgem ranhuras que correspondem a cada percurso do pistão, e que depois se abrem.”

O doutorando voltou a se animar com a ideia quando José Dilcio Rocha, pesquisador da Embrapa Agroenergia , trouxe de suas viagens briquetes produzidos com uma máquina importada. “Eram verdadeiros tijolos. Nos testes, o material ficou carbonizado, não quebrou e vi que é possível produzir o carvão ecológico a partir do briquete. Mas para isso era preciso uma máquina capaz de garantir um briquete de alta densidade e resistência mecânica, o que depende da compressão e da continuidade de processo.”

Prensagem por extrusão Terminado o doutorado, Felix Felfli passou a trabalhar na Bioware e aproveitou esta condição para enviar à Fapesp um projeto PIPE – Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas – propondo o desenvolvimento de uma máquina do tipo extrusora, que não é feita no país. “O Japão possuía estas máquinas, que depois chegaram à Europa e produzem o briquete em processo contínuo. Como ficaria muito custoso comprá-las, decidimos criar uma versão nacional, que já se tornou um produto, embora a pesquisa continue em andamento.”

O pesquisador explica que existem várias tecnologias de compactação no mundo, sendo que a mais difundida é a de pistão mecânico: como no motor de automóvel, há uma manivela com a qual se prensa os resíduos por impacto. “Esta tecnologia se difundiu no Brasil a partir dos anos 1930 e algumas empresas passaram a comercializar a máquina, mas em escala bem modesta. Houve certo boom na crise do petróleo nos anos 70, mas na década de 90, com o óleo barato, ninguém mais se interessou. Agora temos toda essa preocupação ecológica, principalmente em relação às árvores.”

Os ensaios com a briquetadeira, ora realizados em uma empresa de beneficiamento de arroz, se devem à constatação do desgaste das peças, segundo o esclarecimento de Felfli. “É uma tecnologia nova, em que a compactação se dá por meio de uma rosca girando em alta velocidade, que vai moendo e prensando a matéria-prima, não se percebe nenhuma fibra: é este movimento que causa o desgaste. Isso me trouxe de volta ao GCA depois do doutorado, a fim de aperfeiçoar a tecnologia com peças e outros materiais. A casca de arroz é o resíduo vegetal mais abrasivo que existe; se conseguirmos um tempo de vida útil aceitável da máquina, isso valerá para qualquer matéria-prima.”

As inúmeras aplicações do briquete O interesse da empresa beneficiadora de arroz em testar a briquetadeira desenvolvida por Felix Felfli está no ganho adicional que a casca do produto, hoje vendida para servir de cama na criação de frangos, pode trazer enquanto matéria-prima de briquete a ser transformado em carvão. “Por causa das fezes das aves, a casca de arroz se torna ainda mais poluidora, sendo depois descartada em algum lugar. Antes, a cama era usada como adubo, o que foi proibido por lei justamente pelo risco de transmissão de doenças. Uma solução seria o briquete, pois a casca de arroz, depois de queimada em caldeiras, deixa muita cinza rica em sílica, que poderia ter outros usos”, observa o pesquisador.

Felfli afirma que a máquina extrusora nacional, em comparação com as de pistão, é bem menor e silenciosa e de manutenção mais barata. “Resolvido o problema do desgaste, o mercado é amplo. Temos, por exemplo, cerca de dois mil fabricantes de móveis apenas no Estado de São Paulo, que produzem 500 quilos de serragem por hora. Também seria interessante exportar briquetes para a Europa, onde se queima muito carvão mineral – eles querem comprar nossos resíduos, que somam 300 milhões de toneladas anuais. Uma grande vantagem é a densidade: se a do bagaço de cana é de cem quilos por metro cúbico, a do briquete por chegar a uma tonelada por metro cúbico no navio.”

Em relação às vantagens do briquete, seja de alta densidade ou não, o professor Carlos Luengo mostra um vídeo produzido pela Embrapa Agroenergia enaltecendo a diminuição da derrubada de árvores nativas e o aproveitamento dos resíduos agrícolas; a ausência de produtos químicos (cola, verniz, tinta), tornando-os apropriados para a indústria alimentícia, pizzarias, churrascarias e padarias, caldeiras em lavanderias e abatedouros, e aquecimento de água em hotéis, motéis e piscinas; a higiene e o menor espaço para armazenagem; o alto poder calorífero, regularidade térmica e geração de menos cinza e fumaça, poluindo menos que a lenha; e, no final, a redução do custo na geração de energia.

Luengo, entretanto, enxerga outro grande benefício da pesquisa e produção de briquetes. “A parceria com instituições fora da Unicamp é uma prática muito antiga em nosso laboratório e acredito nestas pesquisas porque os alunos, que um dia terão de conseguir emprego, já se integram naturalmente à parte produtiva. Trata-se de uma inovação tecnológica que beneficia a todos que participam dela, gerando novos empregos e benefício ao meio ambiente. Os briquetes estão cada vez mais populares e daqui a pouco estarão no supermercado.”

Atualmente, a empresa de base tecnológica EcoDevices é a responsável pela continuação do desenvolvimento e introdução dessa tecnologia no mercado.

Fonte: Jornal da Unicamp.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Agricultura sustentável de sucesso na zona seca da Índia

Estreitos caminhos empedrados separam as fileiras de casas de barro, onde podem ser vistas algumas cabras amaradas a postes de madeira nesta aldeia que fica no profundo da região de Bundelkhand, centro da Índia, assolada pela seca.

De acentuada beleza e profundas quebradas, Bundelkhand, que ocupa os Estados de Uttar Pradesh e Madhya Pradesh, sofre muitos problemas derivados de atividades humanas mal geridas que só pioraram um contexto climático complicado por prolongadas secas e chuvas escassas.

Na década de 1960, como medida para conservar o solo, foram lançadas do ar sementes de algarobeira (Prosopis juliflora), originárias da América. Mas a espécie estrangeira acabou invadindo e matando os arbustos nativos e, como consequência, a água correu para os barrancos convertendo vastas zonas em campos desertos.

Além disso, as autoridades promoveram de forma descuidada cultivos com importantes requerimentos hídricos, como a menta, fazendo com que os agricultores ricos cavassem poços profundos para extrair água sem considerar a necessidade de recarga. O resultado foi uma desastrosa queda das reservas subterrâneas do recurso.

Os agricultores pobres sofreram o esgotamento hídrico, somado aos caducos sistemas de destruição e armazenamento, de água da chuva. Agora a seca é um fenômeno comum na região e menos de metade das terras cultiváveis podem ser utilizadas, o que coloca em risco 50 milhões de pessoas que habitam a região e que dependem da agricultura. “Há um consumo enorme de água em uma área que sofre uma crise hídrica”, disse Anil Singh, coordenador da Parmarth, uma organização dedicada a recuperar sistemas tradicionais de irrigação e cultivo em comunidades pobres dos barrancos de Bundelkhand.

Na aldeia de Tajpura e como se desconhecesse as duras condições da região, Mamtadevi, de 36 anos, serve um fumegante chappatis (pão sem levedura) untado com manteiga clarificada e uma salada verde fresca com berinjela defumada, batata cozida, tomate fresco e pimenta. “As verduras são saborosas porque foram cultivadas de forma sustentável e sem químicos”, afirmou.

Mamtadevi e seu marido, Ajan Singh, estiveram entre os primeiros que adotaram a “agricultura sustentável com poucos insumos externos” (Leisa, por sua sigla em inglês) proposta pela Parmarth, que lhes permite ter uma boa situação apesar da escassez de chuva e do aumento das temperaturas médias.

A Leisa inclui práticas de recuperação do nitrogênio e outros nutrientes das plantas, e objetiva manter as pragas sob controle mediante métodos naturais, preservar condições ideais do solo e garantir que os agricultores estejam conscientes de seu meio ambiente e do valor de cuidar dos ecossistemas.

A solidez do método se observa na frescura dos cultivos de Ajan Singh. Na conservação da biodiversidade ao usar sementes autóctones resistentes e evitar químicos para manter a saúde do solo. Singh também pode abater os caprichos do clima e da seca deste ano, derivado da falta de chuvas de monção, que não o atemorizam e nem os agricultores que adotaram a Leisa.

Bhartendu Prakash, membro do comitê diretor da Associação de Agricultores Orgânicos da Índia (Ofai) e responsável pelo escritório para a zona norte localizado em Bundelkhand, observou que os cultivos da Leisa foram os que menos sentiram as geadas que atingiram a região no último inverno boreal.

A Parmarth ajudou a comunidade a projetar os terrenos para escorrer a água da chuva e armazená-la, bem com construir poços para irrigação. Os voluntários da organização também ensinaram os produtores do programa a fabricar húmus de minhoca e a criar armadilhas de feronômios para insetos. A maioria dos camponeses já tinha seus próprios métodos para fabricar inseticidas orgânicos, em geral uma mistura de folhas de nim e alho embebidas em soro de leite de búfala.

“Mas, antes das armadilhas de feronômios o roçado era feito a cada três dias, mas agora basta uma vez por semana”, disse Mamtadevi. Em 2009, as verduras do casal eram tão famosas que vendiam produtos no mercado local, a dez quilômetros de distância, a um preço maior do que o normal, o que lhes permitia ganhar quase 80 mil rúpias (US$ 1,8 mil) por ano. Três anos depois, Ajan Singh comprou outra “bigha” (quase nove mil metros quadrados) de terra. Agora vende sua produção em dois mercados, e também leite de cinco búfalas que comprou com seus ganhos.

Atualmente, 15 agricultores de Tajpura usam os mesmos métodos de Ajan. Além disso, as mulheres se uniram para abrir uma conta de poupança e crédito para gerar alternativas de subsistência com a criação de animais. Também têm um banco de sementes, que lhes permite vender o excedente no mercado e oferecer algumas às famílias que atravessam momentos difíceis.

“Agora tentamos vincular a comunidade com programas estatais, como para comprar roçadeiras, e obter alguns benefícios do pacote de alívio para Bundelkhand, que ajuda com a questão da seca”, disse Anil Singh, integrante da Parmarth. Criado em 2009, por três anos, pelo governo federal, o pacote de US$ 1,5 bilhão ajudou a obtenção de água, a adequada utilização dos sistemas fluviais, dos canais de irrigação e dos cursos de água.

Como os fundos estão acabando, Bundelkhand precisa de mais apoio para os métodos sustentáveis de cultivo. Rajesh Krishnan, ativista do Greenpeace Índia, é otimista sobre a possibilidade de o governo continuar promovendo a agricultura sustentável bem como de que esta sobreviva graças à demanda por produtos orgânicos. Também prevê que a agricultura sustentável recebe fundos do 12º plano quinquenal da Índia, que será divulgado em novembro.

Fonte: Envolverde.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Pesquisadores do Cetem usam cinzas de carvão mineral no tratamento de efluentes

Pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) estão aplicando cinzas de carvão mineral no tratamento de metais de efluentes aquosos que podem alcançar corpos hídricos, de forma a reduzir o impacto no meio ambiente.

"Uma das preocupações que a gente tem aqui é minimizar os impactos ambientais, fazendo um trabalho em duas frentes: buscar a redução da quantidade de efluentes líquidos gerados e fazer o tratamento desses efluentes que contêm metais em solução", disse o chefe do Serviço de Tecnologias Limpas do Cetem, Paulo Sérgio Moreira Soares.

Ele explicou que é feito primeiro um tratamento químico sobre os efluentes. Na segunda etapa do tratamento, um dos métodos possíveis para fazer a remoção dos metais pesados é utilizar cinzas da queima do carvão mineral. "Os metais ficam retidos nas cinzas". O objetivo é que os efluentes finais não tenham uma concentração de metais superior à permitida pela Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para o lançamento de efluentes em corpos líquidos, informou o pesquisador.

Moreira Soares disse que o uso dessas cinzas no tratamento de efluentes aquosos ficou mais atraente. Há minerações de carvão geralmente próximas das instalações que utilizam o carvão e produzem cinzas como rejeito sólido da operação". As usinas termelétricas, por exemplo, queimam carvão para gerar energia elétrica.

Ele esclareceu que as cinzas de carvão têm a propriedade, quando colocadas na segunda etapa de tratamento, de remover os metais que ainda restam, depois que os efluentes passaram por uma etapa primária de tratamento. "As cinzas têm a vantagem de capturar os metais, impedindo que os efluentes aquosos alcancem o corpo hídrico com a presença desses metais", lembrou. As cinzas do carvão, se não forem usadas para reduzir o impacto ao meio ambiente, são descartadas ou aplicadas na indústria de cimento.

O trabalho do Cetem com o uso ambiental das cinzas obteve a patente Processo para Remoção de Manganês e Outros Metais Presentes em Baixas Concentrações em Efluentes Industriais, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A patente foi expedida no dia 24 de julho deste ano.

Soares observou, entretanto, que nada impede que as cinzas de carvão mineral sejam usadas para o tratamento de efluentes líquidos em outras instalações, além de minerações. Atividades como as indústrias químicas, minerais e metalúrgicas podem também se beneficiar do processo, "desde que seja economicamente viável pelo transporte das cinzas para outro local", salientou. A aplicação do produto se dá no local onde haja efluentes gerados pela queima de carvão mineral, explicou. Uma indústria instalada próximo de onde a cinza é gerada tem maior economicidade no processo.

Os pesquisadores do Cetem estão se dedicando agora à modificação química das cinzas de carvão para que elas possam ser ainda mais eficientes na captura dos metais pesados nos efluentes. A ideia, sustentou Soares, é "otimizar esse processo". Ele pretende buscar uma patente dessa nova fase do trabalho até o fim do ano.

Fonte: Jornal da Ciência.