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Em 2012 a DICA volta com o evento Ciência Viva. Confira o site.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Brasil se mobiliza para a nona edição da SNCT

Coordenada pelo MCTI, Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é realizada de segunda-feira (15) ao dia 21 com o tema "Economia Verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza".

Popularizar a ciência e mostrar sua importância para o desenvolvimento do país, além de incentivar a população a valorizar a criatividade, a atitude científica e a inovação. Esses são os principais objetivos da 9ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realiza de 15 a 21 de outubro. Neste ano, serão desenvolvidas atividades em todas as regiões do país, com a mobilização de diversos parceiros, como universidades, instituições de pesquisa, escolas, empresas públicas e privadas, governo e entidades da sociedade civil.

Como acontece a cada ano, as ações são promovidas em torno de uma temática de importância social. O tema "Economia Verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza" foi escolhido para 2012, em sintonia com as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), promovida pela ONU em junho deste ano, no Brasil. A Assembleia-Geral das Nações Unidas também declarou o ano de 2012 como o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos, visando realizar atividades em todos os continentes com o objetivo de aumentar a consciência coletiva sobre a importância da sustentabilidade, por meio de ações em âmbito local, regional e internacional.

O tema principal é escolhido pelo MCTI com base em sugestões e consultas a instituições e entidades parceiras na organização. Durante o ano e, principalmente, no período da SNCT, são desenvolvidas atividades de difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos relacionados ao tema, com debates sobre as estratégias e as mudanças necessárias para (no caso desta nona edição) a consolidação de uma economia que, em conexão com um modelo de desenvolvimento sustentável, contribua para a erradicação de pobreza e a diminuição das desigualdades sociais no País.

Segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, o objetivo é discutir em escolas, universidades, comunidades e locais públicos os diversos aspectos envolvidos no estabelecimento de uma economia verde, bem como os desafios da sustentabilidade nas suas dimensões ambiental, econômica e social.

"As pesquisas científicas e tecnológicas, os intercâmbios científicos e o uso generalizado e aberto dos dados e resultados científicos são fatores essenciais para enfrentar estes desafios, tendo em vista os limites naturais do planeta e a necessidade de estruturas socioeconômicas renovadas. Por outro lado, uma educação de qualidade é um elemento indispensável para possibilitar uma formação cidadã adequada para o desenvolvimento sustentável", afirma Raupp.

A SNCT - Decreto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 9 de junho de 2004, estabeleceu a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a ser comemorada, anualmente, no mês de outubro. O evento é realizado sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e com a colaboração de entidades e instituições de ensino e pesquisa. Ela tem acontecido, desde então, com participação entusiasmada e crescente de estudantes, professores, instituições e municípios. Em 2011, foram realizadas cerca de 16.000 atividades, em 654 municípios.

Histórico
2004 - Na primeira SNCT, ocorrida entre 18 e 24 de outubro, foram realizadas 1.840 atividades, em 252 municípios, envolvendo 250 instituições e entidades de ciência e tecnologia (C&T). Foram organizadas as coordenações estaduais, com a participação de secretarias, fundações de amparo à pesquisa (FAPs) e instituições de ensino e pesquisa, o que possibilitou a rápida expansão do evento. No Congresso Nacional foi instalada a Subcomissão Permanente de C&T no Senado e criada a Frente Plurissetorial em Defesa da CT&I.

2005 - Foram 6.701 atividades, em 332 cidades, entre os dias 3 e 9 de outubro. O tema da SNCT foi "Brasil, olhe para a água!". Houve um grande aumento do número de atividades, de municípios e de instituições envolvidas, em relação ao ano anterior. Atividades interativas em locais públicos, exposições, debates e outros eventos destacaram a importância da preservação dos mananciais hídricos e a interface da ciência com o desenvolvimento sustentável do país.

2006 - A terceira edição ocorreu de 16 a 23 de outubro. Foram registradas 8.654 atividades espalhadas em 370 municípios brasileiros. O tema da semana foi "Criatividade e inovação" para comemorar o centenário do voo do 14 Bis, cuja réplica decolou na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, durante o evento. Milhares de atividades educacionais e de divulgação homenagearam também, ao longo do ano, o inventor Alberto Santos-Dumont.

2007 - "Terra" foi o tema escolhido, em função da importância das questões globais do planeta (preservação da vida, sobrevivência da espécie humana, estrutura e riquezas da Terra, mudanças climáticas, poluição atmosférica, etc). A escolha levou em conta estabelecimento, pela ONU, do Ano Internacional da Terra. O balanço do evento, ocorrido entre 1º e 7 de outubro, registrou cerca de 9.700 atividades, em 390 municípios, com 680 instituições e entidades envolvidas.

2008 - Nessa edição, realizada entre 20 e 26 de outubro, foram registradas 10.859 atividades em 445 municípios. O tema da semana nacional foi "Evolução e diversidade", em função dos 150 anos da teoria da evolução pela seleção natural.

2009 - Foram cadastradas 14.978 atividades desenvolvidas em 492 cidades. O tema foi "Ciência no Brasil", com o propósito de se conhecer e valorizar a C&T produzida no país. Atividades em escolas, espaços públicos e em instituições de ensino e pesquisa buscaram informar e debater a situação local e nacional do setor, considerando também sua história e seus desafios futuros. O Ano Internacional da Astronomia (AIA) foi comemorado nesta edição com milhares de atividades, realizadas na SNCT e ao longo do ano, envolvendo 2,5 milhões de pessoas. 

2010 - A SNCT ocorreu entre 18 e 24 de outubro. O tema principal foi: "Ciência para o desenvolvimento sustentável". Estimulou-se em todo o país o debate sobre as estratégias e maneiras de se utilizar os recursos naturais brasileiros e sua rica biodiversidade de forma sustentável e conjugada com a melhoria das condições socioeconômicas da população. O evento se integrou ao Ano Internacional da Biodiversidade. Foram realizadas 13.345 atividades em 397 municípios brasileiros. Em maio de 2010, foi realizada a 4ª Conferência Nacional de CT&I, que delineou uma "Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável".

2011 - Foram ao todo 16.110 atividades em 654 municípios. O tema "Mudanças climáticas, desastres naturais e prevenção de riscos" foi escolhido em função da sua relevância global, sua atualidade e sua importância para a população brasileira. Discutiram-se as estratégias e maneiras de enfrentar o grande desafio planetário das mudanças no clima e prevenir riscos decorrentes de desastres naturais e de situações criadas pela ação humana. Foram promovidas muitas atividades dentro do Ano Internacional da Química. Estudantes e professores em 601 municípios participaram do Experimento Global pH do Planeta.

Fonte: Jornal da Ciência.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Brincando e Aprendendo

Nos próximos dias 16 e 17, das 8 às 18 horas, no espaço Egypt Hall, que fica na Rua Bernardo Sayão 203, bairro Custódio Pereira, em Uberlândia, será realizado o Brincando e Aprendendo. O objetivo principal do evento é integrar diversos projetos de produção e divulgação da ciência em geral e questões relacionadas ao tema central da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT): “Economia Verde, Sustentabilidade e Erradicação da Pobreza”.

Durante os dois dias, diversas ações serão promovidas, como mostras ambientais, brinquedos científicos, jogos e atividades interativas com experimentos nas áreas de Química, Física e Biologia. O evento, aberto ao público, contará com a presença de estudantes do ensino básico de escolas públicas e particulares da cidade e região. O Brincando e Aprendendo é uma promoção do Museu Diversão com Ciência e Arte (Dica), do Instituto de Física (Infis), do Instituto de Química (IQUFU) e da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (Faurb), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM); e da Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU).

Mais informações com a professora Sílvia Martins, pelos telefones (34) 3239-4190 e (34) 3230-9518 ou neste site.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Uberlândia promove a 4ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Abertura do evento contará com a apresentação do projeto Biojari; cardápio variado de palestras e o novo visual do mascote Zezinho são as novidades deste ano

Economia verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza são os temas da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) deste ano. O evento, coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), será realizado entre os dias 15 e 21 de outubro em todo o Brasil.

É a quarta vez que o evento acontece em Uberlândia. A abertura oficial acontecerá no dia 15 de outubro, às 14 horas, no Anfiteatro do bloco 8 C, campus Umuarama. Uma das atrações será a apresentação do projeto Biojari: as mudanças começam a partir de novas ideias desenvolvido pela professora Elizabete Rodrigues e pelos alunos Adymailson Nascimento Santos, Islla Gonçalves Marreiros e Thysianne de Sousa Teixeira, da Escola Estadual Mineko Hayashida, localizada no munícipio de Laranjal do Jari, no Amapá. O projeto foi contemplado com o prêmio nacional de inovação, por resultar na invenção de uma engenhoca que tem como objetivo diminuir enchentes e incêndios naquela cidade. A equipe conquistou também uma viagem para os Estados Unidos, marcando presença na feira mundial de tecnologia. “O projeto Biojari é um exemplo inspirador para os nossos mestres e alunos, pois mostra a perseverança e a dedicação de uma professora e um grupo de estudantes para solucionar um problema da sua comunidade, a partir dos conhecimentos da ciência e da tecnologia. Além disso, é belíssimo exemplo de trabalho relacionado ao tema central da Semana 2012”, diz a coordenadora da Semana em Uberlândia, professora Sílvia Martins.

Está prevista a realização dos eventos Brincando e Aprendendo, Ciência Viva e Noite nas Estrelas. Outra ação da Semana é a mediação entre escola e pesquisador por meio da promoção de palestras, oficinas e visitas técnicas. “Buscamos com essas atividades colocar as escolas em contato com instituições de pesquisas, empresas, ONGs e órgãos públicos que atuam diretamente com a ciência e a tecnologia”, explica Martins. As palestras serão ministradas entre os dias 22 de outubro e 30 de novembro. “Elaboramos um cardápio que será distribuído durante a Semana, apresentando as várias opções de temas de palestras. Serão divulgados o nome do pesquisador palestrante, o local e o horário do evento. Assim, a escola interessada poderá optar pela atividade, com antecedência”, salienta.

Outra novidade deste ano é o novo visual do mascote Zezinho, que representa a Semana em Uberlândia desde a sua primeira versão, em 2009, em homenagem ao médico, pesquisador, educador e jornalista José Reis, considerado o pai da divulgação científica no Brasil. “Fizemos uma repaginação da imagem do mascote, trazendo a ele características múltiplas para que a sua figura se identifique com pessoas de qualquer idade, profissão e sexo”, diz a idealizadora da nova cara do mascote, Cristiane Alcântara, professora do Curso de Design, da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da UFU.

As atividades da Semana são gratuitas e abertas à população. A programação e as informações sobre como participar do evento podem ser conferidas no folder abaixo ou na aba programação.



Mais informações com a professora Sílvia Martins, pelos telefones (34) 3239-4190 e (34) 3230-9517.

sábado, 1 de setembro de 2012

Conceito de "água virtual" deve nortear consumo sustentável

Em Estocolmo inicia-se a Semana Mundial da Água. Especialistas sugerem modelo global de sustentabilidade para agricultura, considerando o enorme volume de água "invisível", exportado junto com alimentos. "Água é vida. É o coração da economia verde. Por isso, temos que falar sobre eficiência no uso da água", enfatiza Kenza Robinson. Ela é a secretária das Nações Unidas para Água e trabalha no Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (Undesa).

A água é usada em todos os lugares. No setor energético, a força da água é encarada como um meio para se produzir energia sem prejuízo à natureza, e sem acelerar a mudança climática global. A indústria precisa de grande quantidade de água para diversos produtos. Até mesmo na produção de um dos microchips usados no computador, são necessários 32 l de água, para um automóvel, a média é de 400 mil l.

A grande reciclagem
Porém, o setor que mais necessita de água é a agricultura, consumindo 70% dos recursos hídricos do mundo. A água não é usada somente na produção de alimentos, mas também nas culturas destinadas a atender à crescente demanda por biocombustíveis e rações de animais. Os recursos globais de água são parte de um gigantesco processo de reciclagem; nunca se produz mais água, a quantidade disponível é sempre a mesma.

Portanto, a questão se resume a quão eficiente é o uso da água, aponta Benedikt Haerlin, da Fundação para o Futuro da Agricultura. "Na verdade, o ponto decisivo é a forma como mantemos a água no solo e nas plantas, em todo o ecossistema, antes de ela ser evaporada e o ciclo se reiniciar", afirma o jornalista e especialista em Agricultura em entrevista à Deutsche Welle. Haerlin é também integrante da Comissão Internacional para o Futuro da Alimentação.

Dimensão virtual
Haerlin assegura que, com solos saudáveis e agricultura sustentável, também seria possível alimentar de forma saudável a população mundial crescente. Então sustentabilidade significa também incluir nos cálculos a chamada "água virtual". Ela é a que está incluída em cada produto e também é exportada, invisivelmente, junto com os produtos agrícolas.

Portanto, numa região seca como a Somália, por exemplo, são necessários 18 mil l de água para produzir 1 kg de trigo. Na Eslováquia, essa mesma quantidade é colhida com 465 l. Assim, de acordo com Haerlin, trata-se de adaptar o sistema total de produção alimentar à quantidade de água disponível no local onde se produz.

"Por exemplo, a Alemanha importa água de regiões nas quais esse recurso é muito mais restrito do que aqui para nós, por exemplo, na forma de soja." Pois, como lembra Haerlin, a produção dessa leguminosa consome um grande volume de líquido. "No fundo, o comércio dessa água virtual deve ser direcionado para onde falta água, não para onde há mais dinheiro."

Ajuste da agricultura
Segundo Haerlin, a adoção desta ideia significaria o abandono das grandes monoculturas, que causam impacto negativo ao ciclo global da água. Em comparação com cultivos mistos, pouca água é armazenada no solo de monoculturas. Além disso, muitas monoculturas dependem de sistemas artificiais de irrigação. Por isso, seria necessário adaptar o sistema global de produção de alimentos à água disponível em cada região.

Acima de tudo, de acordo com Kenza Robinson, da ONU, é necessário se pensar nos recursos hídricos numa perspectiva de longo prazo, do mesmo modo como hoje são encarados outros recursos por exemplo, os combustíveis fósseis. "A água é um direito humano, está acima de todos os outros recursos. Ela tem uma posição especial e por isso precisamos encará-la de forma global". A World Water Week, em Estocolmo, vai de 26 a 31 de agosto.

Fonte: Terra.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Energia para uma economia verde

* Tânia Cosentino

Passam-se décadas, e o desenvolvimento sustentável continua sendo um dos assuntos mais comentados em conferências, pelos meios de comunicação, pelos empresários, pelo mundo. Após anos de tímidas discussões, agora o tema tem se tornado recorrente entre autoridades e organizações. Nos últimos anos, amadurecemos vários conceitos, aprofundamos estudos, tecnologias e aprendemos várias lições. A maior delas é que, se realmente queremos ter uma economia verde, a discussão social não pode ser separada da ambiental. O desenvolvimento econômico, somente para acúmulo de riquezas, se tornou totalmente anacrônico. A sustentabilidade agora é uma meta que deve ser buscada por todos, tanto organizações privadas quanto públicas.

A energia terá um grande papel no cenário, já que uma simples análise na distribuição energética mundial mostra o tamanho dos nossos desafios. Atualmente, mais de 1,3 bilhão de pessoas ao redor do globo vivem sem acesso à energia, o que atrasa seu acesso às condições mais básicas. Só no Brasil, 2% dos domicílios vivem sem eletricidade, em áreas rurais ou remotas. É um panorama desafiador, mas para enfrentar essa situação é preciso levar em conta que ainda usamos muitas formas de energia poluente e não podemos simplesmente aumentar a oferta, desconsiderando o dano que isso causará.

A declaração das Nações Unidas de 2012 como Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos demonstra bem como tudo está conectado e que o acesso à eletricidade faz parte dos esforços para erradicação da pobreza. Por isso, a expectativa é que até 2030 haja uma massificação dos investimentos em fontes sustentáveis, universalização do serviço e melhorias em eficiência energética ao custo de US$ 48 bilhões ao ano.

No Brasil, a sociedade e o governo entenderam o recado, e a sustentabilidade ganhou enfoque específico da erradicação da pobreza, estimulando a preservação do meio ambiente, o acesso à energia, educação, saúde e cidadania. A ideia é desenvolver soluções que incluam e beneficiem a todos, sem desprezar o meio ambiente nem a economia. É um cenário desafiador, já que o país é o décimo maior consumidor de energia elétrica do mundo, e a demanda continuará a crescer, impondo a expansão à rede para atender a população e indústrias. Estes desafios mostram que precisamos de um amplo compromisso para o desenvolvimento sustentável. As nossas próximas iniciativas devem englobar ações sociais, econômicas e ambientais, considerando as necessidades energéticas como fator essencial ao desempenho das demais. O objetivo tem que girar em torno de uma renovação do compromisso mundial com o desenvolvimento sustentável, por meio da análise do que fizemos até agora, os erros e acertos, e os novos temas que surgiram recentemente.

2012 tem sido uma ótima oportunidade para enfrentarmos a realidade e seus desafios, compreendendo como podemos utilizar a energia e os recursos do planeta de maneira mais responsável. Não existe alternativa, nem mais tempo para postergar. Ou resolvemos agora ou legaremos um futuro de incerteza para as próximas gerações.

* Presidente da Schneider Electric Brasil

Fonte: Jornal do Brasil.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Nova ciência para o desenvolvimento sustentável

Para diretora da Divisão de Políticas Científicas da Unesco, transição para economia verde e sustentável exige mudanças de pensamento e de atitudes em todos os setores

A construção de um futuro sustentável depende de uma série de mudanças, incluindo o modo de se fazer ciência. A opinião é da moçambicana Lídia Brito, diretora da Divisão de Políticas Científicas da Unesco. Conhecida pelo seu engajamento em questões ambientais e em movimentos feministas, Brito esteve na Rio+20 para deixar uma mensagem diferente. De acordo com ela, os cientistas também devem mudar a forma como pensam a solução dos problemas, as agências de financiamento devem priorizar áreas de pesquisas essenciais para a sustentabilidade e a sociedade deve cobrar dos cientistas, do governo e dos empresários melhores respostas às suas perguntas. Acompanhe a entrevista abaixo de Lídia Brito para a Revista Pré-Univesp.

Pré-Univesp: Cientistas e pesquisadores de todo o mundo participaram ativamente de vários eventos paralelos à reunião de chefes de Estado durante a Rio+20. Na sua opinião, qual foi a mensagem deixada pelos cientistas na Cúpula da ONU?

Lídia Brito: Os cientistas mostraram que podem trazer respostas para o futuro do planeta e que querem fazer parte da solução. Mostraram também que estão preparados para mudar a sua forma de fazer ciência. A ideia foi mostrar um compromisso da comunidade científica. Isso vai além de "fazer reivindicações".O lançamento do documento "Future earth" [Terra do Futuro, lançado em evento paralelo a Rio+20, que reúne observações de cientistas sobre o futuro do planeta - www.icsu.org/future-earth], mostrou que os cientistas estão dizendo "nós vamos fazer uma nova ciência". Nós estamos preparados para responder de uma forma participativa e integrada com os outros atores envolvidos no processo de construção de uma nova economia verde, como empresários e governo. Esperamos que a ciência seja envolvida no processo de desenho e de definições dessas metas.

Pré-Univesp: Mas a ciência também precisa se preparar para esse debate e para essa nova sociedade "verde"...

Lídia Brito: Sem dúvida. Quando eu digo que existe o compromisso, não quer dizer que estejamos lá. Nós assumimos a consciência de que a ciência tem de ser feita de maneira diferente. O "Future earth" é uma dessas iniciativas. Mas há muita coisa mais para se mudar. É preciso repensar a gestão das instituições que fazem e que financiam pesquisa, das redes de pesquisa locais e internacionais. É preciso repensar a maneira de se fazer ciência.

Pré-Univesp: As agências de financiamento à ciência devem priorizar áreas de pesquisa voltadas à sustentabilidade?

Lídia Brito: Mais do que isso, é preciso priorizar pesquisas que respondam a questões que são globais. As várias comunidades científicas precisam trabalhar juntas. E precisamos trazer a sociedade "para dentro" desse processo. Em outras palavras: precisamos de um novo contrato entre ciência e sociedade.

Temos de desenvolver uma nova interface entre ciência e política que ainda não está bem desenvolvida. Em uma área em que sabemos que não há capacidade científica, por exemplo nos países pobres da África, precisamos trabalhar em cooperação científica internacional. Há 'fossas' científicas em vários lugares do mundo. Há lugares do mundo que não têm capacidade de produzir conhecimento e nem de transformar esse conhecimento em ação. Não podemos deixar algumas regiões do mundo sem respostas. Precisamos pensar na sustentabilidade para todo planeta.

Pré-Univesp: Como exatamente a sustentabilidade pode salvar o futuro do planeta?

Lídia Brito: A humanidade é a sua maior força. Isso significa que a responsabilidade da humanidade, de tomar conta do sistema terrestre, aumenta muito. É preciso pensar que cada ação que nós tomamos pode proteger o planeta Terra ou então destruir esse equilíbrio do sistema - lembrando que é um sistema muito complexo e muito interconectado. Se nós queremos manter a civilização como nós a conhecemos, nós temos de dar atenção a isso. Estamos vivendo um processo de mudança que é incerto porque estamos entrando em uma zona de incerteza. Agora temos de ver que ainda temos muita pobreza no mundo e que essa pobreza está tendo uma rápida aceleração. Há muita gente que não come todos os dias, que não tem água potável. Pensar em um futuro sustentável de uma maneira consciente é pensar também em como seremos capazes de acabar com essas desigualdades. Precisamos olhar para nós e para os outros em harmonia com o ambiente em que vivemos. E isso é uma questão social. É falarmos de sociedades sábias, e não de políticos e de cientistas.

Pré-Univesp: Como engajar a sociedade nesse processo?

Lídia Brito: Primeiramente, por meio da imprensa. É preciso mostrar ao público os dados que a ciência nos aponta hoje. Há dados que mostram que o planeta está ficando insustentável. As pessoas precisam conhecer essas informações. Precisamos comunicar a ciência de uma maneira que toque as pessoas. Nós já temos evidências de que há um momento de intensidade e de frequência de desastres naturais. A nossa geração já sente isso, especialmente as comunidades que vivem mais em contato com a natureza. Por exemplo, as populações perto das costas, as comunidades de pescadores. Essas pessoas já estão sentindo as mudanças climáticas. Há menos peixes. O movimento das águas mudou. Mas não é só isso. A ciência tem de responder também às questões sociais. A sociedade tem de questionar a comunidade científica e essa comunidade tem de ouvir e tem de responder. É preciso mobilizar o conhecimento intrínseco da ciência e da sociedade, ou seja, os saberes populares, os conhecimentos que estão nos povos.

Pré-Univesp: Estamos vivendo um momento no Brasil de debate sobre o novo Código Florestal brasileiro, em substituição ao vigente, de 1965. Os cientistas se posicionaram contra o novo texto, que foi aprovado pela Câmara e só voltou a ser discutido depois de ter sido parcialmente vetado pela presidente Dilma Rousseff. Existe uma sensação de que no Brasil os cientistas falam, mas não são ouvidos. Por que existe esse buraco?

Lídia Brito: Esse buraco não é um caso particular do Brasil. É justamente por isso que estamos trabalhando tanto para criar novas maneiras de interface entre ciência e política. Mas esse buraco acontece também entre ciência e sociedade, ciência e setor privado, setor privado e sociedade e por aí vai. Esse diálogo tem de ser incentivado. A Rio+20 foi justamente uma oportunidade de fazer essas conexões. O que temos de saber agora é como fazer isso de maneira eficiente e constante.

Pré-Univesp: Existe um debate sobre igualdade de gênero para o desenvolvimento sustentável. A senhora é feminista e ambientalista. Como vê esse debate?

Lídia Brito: Isso é simples. A mulher deve participar do debate simplesmente porque somos 50% da população humana - e, em alguns países, a porcentagem é até maior. E, se a mulher não participar do debate trazendo a sua visão crítica sobre o que é desenvolvimento sustentável, então a discussão não será sustentável. Metade da capacidade humana de ajudar a resolver os problemas ambientais é feminina. Não é possível fazer transformação se 50% estiver de fora. A mesma coisa acontece se os pobres estiverem de fora ou os negros ou qualquer outro grupo. Não podemos fazer o debate se houver exclusão, porque as ideias e os questionamentos dos grupos excluídos não estarão em pauta. Além disso, em muitos países, inclusive no Brasil, a mulher tem muito conhecimento sobre a atividade agrícola e no campo. E, se a mulher não for envolvida, vamos perder boa parte da capacidade de reflexão humana. Justamente por isso os debates de gênero são trazidos à tona. Esse debate entre os grupos é fundamental para o desenvolvimento sustentável. Todos têm de participar.

Fonte: pré-Univesp.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

domingo, 12 de agosto de 2012

Mensagem de boas-vindas

Olá!

Este é o blog oficial da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de Uberlândia, Minas Gerais, que será realizada de 15 a 21 de outubro deste ano.

Por meio dele, você poderá conhecer as principais atividades da Semana, bem como as notícias relacionadas à economia verde, à sustentabilidade, à erradicação da pobreza, dentre outras.

Prepare-se para tudo isso e muito mais! Sej@ bem-vindo!!!