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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Novo concreto é elaborado a partir de material reciclável

Concreto idealizado pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos substitui os materiais tradicionais que o compõem por componentes reaproveitados. A areia de fundição (utilizada em moldes nos processos de fundição de peças metálicas) substitui 70% da areia normalmente utilizada, e a escória de aciaria (resíduo que sobra da produção do aço) substitui 100% da pedra. “O produto se utiliza de resíduos sólidos industriais, fazendo uma reciclagem e dando uma nova utilização para eles, o que propicia a economia de recursos naturais”, diz o engenheiro de materiais Javier Mazariegos Pablos. O produto pode ser usado em guias, mobiliário urbano e na execução de contrapisos e calçadas.

Além disso, esses resíduos não poderiam sofrer descarte comum, pois são nocivos ao meio ambiente. Só podem ser dispostos em aterros industriais específicos, a um custo bastante elevado (cerca de R$200,00 a tonelada). “Essa nova finalidade evita o descarte dos materiais e, consequentemente, esse custo que as indústrias teriam.” Inicialmente, o novo concreto foi utilizado para a fabricação de peças para pavimentação.

O novo concreto começou a ser pensado por volta de 2008, quando Pablos se tornou professor do Departamento de Arquitetura, no IAU. Ele levou essa pesquisa para o Grupo de Estudos ArqTeMa – Arquitetura, Tecnologia e Materiais, onde conseguiu a parceria com os professores Osney Pellegrino e Eduvaldo Sichieri.

O material já tem um número provisório de patente. O registro é concedido pelo órgão governamental Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A partir de agora, eles vão verificar em todo o mundo se já existe algum outro produto com essas mesmas características. Se for verificado que não, o concretoo receberá a patente definitiva. “Esperamos que ela saia em mais dois ou três meses”, diz o engenheiro.

Comercialização
A ideia do grupo é levar o concreto para a sociedade, torná-lo um produto comercial, indo além da concepção acadêmica. “Quando você faz uma patente, você tem uma responsabilidade. Não é só gerar o produto, mas viabilizar a aplicação dele no mercado”, diz Pablos, que ressalta a figura da universidade pública nesse processo. “Isso teve um custo para a universidade, além de haver um custo para a manutenção da patente. Para fazer isso valer, o produto tem de ser comercializado”.

Em casos que geram patentes, a USP fica com 50% de seu valor e os autores com os outros 50%. O grupo se articula para colocar o plano em prática, estabelecendo contato com empresas e indústrias que podem vir a se interessar em comprar o concreto na fabricação de elementos para a construção civil, como peças para pavimentação, guias, blocos para alvenaria de vedação, mobiliário urbano, além de poder ser aplicado na execução de contrapisos e calçadas. O preço do novo material é um atrativo, pois deve vir a ser menor do que os materiais similares já no mercado. Nesse processo, o grupo recebe a ajuda da Agência USP de Inovação, núcleo de inovação tecnológica da USP que visa promover a utilização do conhecimento científico e tecnológico produzido na universidade, levando-a para os mais diversos meios da sociedade.

O que diferencia esse concreto dos demais presentes no mercado é seu viés ecológico. Ele se utiliza de materiais reciclados, que teriam de ser descartados de maneira específica, porque podem ser nocivos ao meio ambiente. Com isso, esses produtos substituem as matérias-primas que seriam necessárias para a concepção do concreto, ou seja, há menos exploração de materiais naturais. “A questão da preservação do meio ambiente é muito importante e ela esteve presente na idealização desse novo produto”, finaliza Pablos.

Fonte: Envolverde.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Estádios da Copa de 2014 terão energia renovável


Pesquisas de opinião pública encomendadas pela Fifa, a entidade máxima do futebol, revelam que 90% dos brasileiros consideram essencial que a Copa do Mundo de 2014 seja ecologicamente correta. E ela será. Aliás, a primeira da história. Se na Copa da África do Sul, em 2010, não houve tempo para construir estádios ecologicamente responsáveis - o conceito de sustentabilidade não era tão difundido como é hoje -, na Copa do Mundo do Brasil todos os 12 estádios-sede usarão fontes renováveis de energia elétrica.

O pesquisador Ricardo Ruther, da Universidade Federal de Santa Catarina, autor (em parceria com o Instituto Ideal), do projeto Estádios Solares, diz que o processo de transformação da luz do sol em energia elétrica é relativamente simples. "A tecnologia solar produz eletricidade diretamente dos elétrons liberados pela interação da luz do sol com certos semicondutores no painel fotovoltaico", afirmar Ruther. Para elaborar o projeto, o pesquisador visitou o Mage Solar Stadium (que pertence ao SC Freiburg, clube alemão da cidade de Freiburg im Breisgau), o primeiro estádio no mundo com usina solar de produção de energia, implantada em 1995.

O Mage Solar serviu de base para o projeto do primeiro estádio da América Latina equipado com energia solar, o Pituaçu, em Salvador. Com a supervisão da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), o estádio de Pituaçu, que pertence ao Governo da Bahia, tem capacidade de gerar 630MWh anuais, 75% a mais que o total gasto pelo estádio em um ano - a diferença vai para a rede da Coelba.

Caminho parecido deve seguir a Arena Pernambuco, no Recife, que ficará pronta em 2013 e contará com uma usina solar capaz de gerar a produção de 1.450 MWh/ano, equivalente o consumo de energia de 1.200 residências. A energia produzia pela usina, instalada em uma área contígua à Arena Pernambuco, será destinada ao estádio através de painéis fotovoltaicos que vão captar a luz emitida pelo sol.

Os dois principais estádios da Copa de 2014 - o Itaquerão, onde será realizada a abertura, e o Maracanã, a final - também serão sustentáveis. O Corinthians, proprietário do Itaquerão, firmou parceira com o Grupo AES Eletropaulo, a AES Tietê e a Odebrecht Energia para a instalação de placas fotovoltaicas no estádio. Já os administradores do Maracanã, de propriedade do Governo do Estado do Rio, firmaram um acordo com a Yingli Solar, a Light ESCO e a EDF Consultoria em Projetos de Geração de Energia Elétrica para fazer do estádio, palco da final da Copa do Mundo de 1950, referência em energia renovável.

Fonte: Terra.

sábado, 29 de setembro de 2012

Embalagens sustentáveis vão além da capacidade de reciclar

Apesar de pouco importantes para muita gente, as embalagens são grandes vilãs da natureza. A produção, utilização e descarte delas implicam em impactos ambientais, visto que a embalagem, ao final de seu processo de consumo, inevitavelmente acaba como lixo urbano. A questão é: existem maneiras possíveis de torná-la sustentavelmente bem sucedida, seja pelo uso de materiais, seja pelo processo de fabricação ou pelo seu consumo consciente?

Segundo a designer Babi Tubelo, os materiais, a logística e a reciclabilidade estão entre as principais ferramentas a caminho de um design de embalagem visando a ecologia ambiental, imprescindível no mundo moderno. Quanto mais diversidade de material em uma mesma embalagem, mais será seu impacto para o meio ambiente. Já o uso de apenas um material facilita sua reciclagem.

A embalagem sustentável deve atender pelo menos a três dimensões:

- Garantir a proteção ao produto; - Escolher aquela que implica menos impactos ambientais, medidos segundo a Análise do Ciclo de Vida (ACV) do produto; - Saber como os materiais de embalagens são destinados no fim de vida útil, seja por compostagem, aterro sanitário, reciclagem química, reciclagem mecânica ou reciclagem energética.

Segundo especialistas, o ato de projetar produtos em prol da sustentabilidade é tecnicamente possível. Para que isso ocorra são necessárias mudanças de comportamento e alterações nos padrões da sociedade, a fim de que alternativas inovadoras de design sejam, de fato, bem aceitas.

Economia em material e logística
Economizar no material e facilitar a logística são aspectos essenciais para uma embalagem ser considerada sustentável. E muitas vezes não se dá muita importância a esses dois pontos. Mas, não é assim que pensa a designer húngara e estudante de graduação Otília Andrea Erdelyi. Ela redesenhou a embalagem de ovos, tornando-a ainda mais minimalista, materialmente eficiente e visualmente atraente.

Além de economizar matéria-prima, a caixa de ovos, chamada de Erdelyi, foi projetada para ser empilhada facilmente. Os ovos são colocados em forma de elipse e para o consumidor retirar os ovos da embalagem basta inclinar uma das laterais.

Embalagens recicláveis
Outro ponto mais conhecido e também essencial, para se alcançar uma embalagem sustentável, está no seu poder de reciclabilidade, ou seja, a capacidade que ela tem de ser aproveitada depois de utilizada.

Atualmente, com a grande preocupação ambiental, muitas indústrias estão inovando os seus produtos, fabricando embalagens que podem ser recicladas após serem utilizadas.

Um exemplo está na lâmpada de última geração Lemnis Lighting, já mostrada no site do EcoD, que desenvolveu uma embalagem capaz de se transformar em uma luminária para acomodá-la.

Fonte: Envolverde.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

UFRJ desenvolve concreto ecológico com fibras vegetais e materiais reciclados

A Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) desenvolveu alternativas ecológicas para matérias-primas do concreto e de produtos de fibrocimento (como caixas d’água e telhas). Segundo o pesquisador Romildo Toledo, o uso de materiais tradicionais, como o cimento, a brita e o amianto, pode ser reduzido ou até completamente substituído com a utilização de fibras vegetais e materiais reciclados.

No caso do concreto, liga formada por cimento, brita (pedra) e areia, é possível reduzir o consumo de cimento em 20% a 40% com alternativas como cinza de bagaço de cana-de-açúcar, cinza de casca de arroz e resíduos da indústria cerâmica. A brita pode ser completamente substituída por materiais obtidos em demolições de construções antigas.

No caso do fibrocimento, usado na fabricação de telhas ou caixas d’água, o consumo de cimento pode ser reduzido em até 50% com o uso de alternativas ecológicas. As fibras vegetais substituem as fibras minerais tradicionais, como o amianto, que provocam danos à saúde humana. Há estudos com outros materiais como borracha de pneu usado, cinzas de esgoto sanitário ou de queima do lixo para substituir, pelo menos parcialmente, o cimento.

“Alguns tipos de concreto ecológico já estão prontos para serem repassados ao setor produtivo, mas há outros que ainda estão em fase final de desenvolvimento. São soluções que reduzem impacto na construção civil, seja por redução da emissão de gás carbônico, pelo uso de materiais naturais etc. E todas levam a resultados tão bons quanto os materiais tradicionais. Essa é uma preocupação: não ter performance inferior aos que os materiais tradicionais têm. O consumidor não vai sentir problemas de durabilidade, como a casa ou o prédio terem vida útil menor”, disse Toledo.

Segundo a Coppe, a indústria cimenteira responde por 5% a 7% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. A produção atual de cimento corresponde a cerca de 3 bilhões de toneladas por ano, que deve triplicar em 50 anos.

Segundo o pesquisador, as alternativas ecológicas ao concreto têm chamado a atenção de algumas empresas. Na última sexta-feira (14), por exemplo, Toledo apresentou sua pesquisa a representantes de empresas de materiais de construção norte-americanas na Câmara de Comércio Americana (Amcham) do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Envolverde.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Máquina produz “lenha ecológica”

Equipamento desenvolvido no IFGW produz briquete de alta densidade
Está em fase de ensaios e prestes a entrar no mercado uma máquina que produz um briquete de alta densidade possível de ser carbonizado e utilizado como carvão. O briquete, conhecido como “lenha ecológica”, é um bloco cilíndrico resultante da compactação de resíduos como serragem, casca de arroz, palha de milho, bagaço de cana, capim e tantos outros gerados em atividades agrícolas. Este combustível de biomassa já vem substituindo a lenha, por exemplo, em pizzarias e padarias, mas a produção de carvão a partir dele, em escala comercial, depende de ajustes nesta máquina desenvolvida com tecnologia nacional.

Batizada de Biotor, a briquetadeira é fruto de projeto financiado pela Fapesp e executado em parceria entre o Grupo Combustíveis Alternativos (GCA) do Instituto de Física da Unicamp, a Bioware Tecnologia (empresa graduada na Incamp/Unicamp) e a Embrapa Agroenergia. “A máquina foi deslocada por alguns meses para uma empresa interessada em realizar os ensaios. O intuito é aperfeiçoar a tecnologia até o ponto de levá-la ao mercado”, explicava o professor Carlos Alberto Luengo, coordenador do GCA, enquanto mostrava uma foto de Lula, ainda presidente, despejando resíduos na briquetadeira. “A presença de Lula se deve a uma palavra mágica: cana-de-açúcar (o bagaço e a cana), o que traz um potencial muito grande para o equipamento.”

A ideia de transformar briquete em carvão veio de Felix Fonseca Felfli, em pesquisa de doutorado desenvolvida em 2003 sob a orientação de Luengo, quando procurou identificar as principais barreiras técnicas e mercadológicas para produzir e comercializar a biomassa torrefeita. “Como temos um forno no laboratório, pensei: ao invés de torrificar lenha, vamos torrificar briquetes para substituir o carvão vegetal. Se o briquete já substitui a lenha, ainda não havia um substituto ecológico do carvão. Vemos no mercado produtos que se dizem ecológicos, mas que na verdade são resíduos de carvão prensados, ou seja, vendem a mesma coisa: trabalho infantil e escravo, poluição, árvores nativas cortadas.”

Briquetes foram doados para a pesquisa de Felix Felfli, que se decepcionou com o que saiu inicialmente do forno. “Virou pipoca. O bloco se quebrou em camadas e, muito frágil, se transformaria em pó com o manuseio e transporte. Começamos a investigar e descobrimos que o problema está no processo de compactação pelas briquetadeiras existentes no Brasil, que funcionam por meio de pistão mecânico. O briquete pode ser grande, mas é frágil estruturalmente: com o calor, surgem ranhuras que correspondem a cada percurso do pistão, e que depois se abrem.”

O doutorando voltou a se animar com a ideia quando José Dilcio Rocha, pesquisador da Embrapa Agroenergia , trouxe de suas viagens briquetes produzidos com uma máquina importada. “Eram verdadeiros tijolos. Nos testes, o material ficou carbonizado, não quebrou e vi que é possível produzir o carvão ecológico a partir do briquete. Mas para isso era preciso uma máquina capaz de garantir um briquete de alta densidade e resistência mecânica, o que depende da compressão e da continuidade de processo.”

Prensagem por extrusão Terminado o doutorado, Felix Felfli passou a trabalhar na Bioware e aproveitou esta condição para enviar à Fapesp um projeto PIPE – Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas – propondo o desenvolvimento de uma máquina do tipo extrusora, que não é feita no país. “O Japão possuía estas máquinas, que depois chegaram à Europa e produzem o briquete em processo contínuo. Como ficaria muito custoso comprá-las, decidimos criar uma versão nacional, que já se tornou um produto, embora a pesquisa continue em andamento.”

O pesquisador explica que existem várias tecnologias de compactação no mundo, sendo que a mais difundida é a de pistão mecânico: como no motor de automóvel, há uma manivela com a qual se prensa os resíduos por impacto. “Esta tecnologia se difundiu no Brasil a partir dos anos 1930 e algumas empresas passaram a comercializar a máquina, mas em escala bem modesta. Houve certo boom na crise do petróleo nos anos 70, mas na década de 90, com o óleo barato, ninguém mais se interessou. Agora temos toda essa preocupação ecológica, principalmente em relação às árvores.”

Os ensaios com a briquetadeira, ora realizados em uma empresa de beneficiamento de arroz, se devem à constatação do desgaste das peças, segundo o esclarecimento de Felfli. “É uma tecnologia nova, em que a compactação se dá por meio de uma rosca girando em alta velocidade, que vai moendo e prensando a matéria-prima, não se percebe nenhuma fibra: é este movimento que causa o desgaste. Isso me trouxe de volta ao GCA depois do doutorado, a fim de aperfeiçoar a tecnologia com peças e outros materiais. A casca de arroz é o resíduo vegetal mais abrasivo que existe; se conseguirmos um tempo de vida útil aceitável da máquina, isso valerá para qualquer matéria-prima.”

As inúmeras aplicações do briquete O interesse da empresa beneficiadora de arroz em testar a briquetadeira desenvolvida por Felix Felfli está no ganho adicional que a casca do produto, hoje vendida para servir de cama na criação de frangos, pode trazer enquanto matéria-prima de briquete a ser transformado em carvão. “Por causa das fezes das aves, a casca de arroz se torna ainda mais poluidora, sendo depois descartada em algum lugar. Antes, a cama era usada como adubo, o que foi proibido por lei justamente pelo risco de transmissão de doenças. Uma solução seria o briquete, pois a casca de arroz, depois de queimada em caldeiras, deixa muita cinza rica em sílica, que poderia ter outros usos”, observa o pesquisador.

Felfli afirma que a máquina extrusora nacional, em comparação com as de pistão, é bem menor e silenciosa e de manutenção mais barata. “Resolvido o problema do desgaste, o mercado é amplo. Temos, por exemplo, cerca de dois mil fabricantes de móveis apenas no Estado de São Paulo, que produzem 500 quilos de serragem por hora. Também seria interessante exportar briquetes para a Europa, onde se queima muito carvão mineral – eles querem comprar nossos resíduos, que somam 300 milhões de toneladas anuais. Uma grande vantagem é a densidade: se a do bagaço de cana é de cem quilos por metro cúbico, a do briquete por chegar a uma tonelada por metro cúbico no navio.”

Em relação às vantagens do briquete, seja de alta densidade ou não, o professor Carlos Luengo mostra um vídeo produzido pela Embrapa Agroenergia enaltecendo a diminuição da derrubada de árvores nativas e o aproveitamento dos resíduos agrícolas; a ausência de produtos químicos (cola, verniz, tinta), tornando-os apropriados para a indústria alimentícia, pizzarias, churrascarias e padarias, caldeiras em lavanderias e abatedouros, e aquecimento de água em hotéis, motéis e piscinas; a higiene e o menor espaço para armazenagem; o alto poder calorífero, regularidade térmica e geração de menos cinza e fumaça, poluindo menos que a lenha; e, no final, a redução do custo na geração de energia.

Luengo, entretanto, enxerga outro grande benefício da pesquisa e produção de briquetes. “A parceria com instituições fora da Unicamp é uma prática muito antiga em nosso laboratório e acredito nestas pesquisas porque os alunos, que um dia terão de conseguir emprego, já se integram naturalmente à parte produtiva. Trata-se de uma inovação tecnológica que beneficia a todos que participam dela, gerando novos empregos e benefício ao meio ambiente. Os briquetes estão cada vez mais populares e daqui a pouco estarão no supermercado.”

Atualmente, a empresa de base tecnológica EcoDevices é a responsável pela continuação do desenvolvimento e introdução dessa tecnologia no mercado.

Fonte: Jornal da Unicamp.

sábado, 15 de setembro de 2012

Estádios da Copa 2014 vão ter práticas sustentáveis

Algumas práticas sustentáveis como usar a água da chuva para irrigação do gramado e a energia solar como meio de iluminação para os refletores serão usadas nos estádios da Copa de 2014. Ao todo, 22 iniciativas sustentáveis foram apresentadas no Seminário Copa 2014: Oportunidades para a Sustentabilidade Urbana que aconteceu na quarta-feira (12) e quinta-feira (13) em Brasília.

O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, terá reservatórios com água da chuva e captação de energia solar Um dos exemplos de ações de desenvolvimento ambiental e social são as obras do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. Um reservatório de água será usado para irrigar o gramado e fazer a limpeza geral do espaço, com capacidade para 72 mil lugares. A água também será usada para lavagem de rodas dos caminhões a fim de minimizar a poeira.

A arena ecológica ainda vai ter estrutura para captar energia solar e ser autossustentável, com a geração de 2,5 megawatts, energia suficiente para abastecer mil residências por dia.

“O estádio tem uma preocupação de sustentabilidade desde o seu projeto. Os requisitos necessários para se exercer isso sem impacto no meio ambiente foram pensados de forma a integrar-se com a obra”, disse Cláudio Monteiro, secretário extraordinário para a Copa em Brasília.

O projeto do Estádio Nacional de Brasília pode ser a primeira arena de futebol do mundo a receber o certificado máximo de sustentabilidade, o selo Leed Platinum.

De acordo com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a intenção do governo federal é que a sustentabilidade ultrapasse as fronteiras dos estádios e ganhe as ruas das cidades. “Isso vai beneficiar a população de todas as capitais que sediarão a Copa do Mundo: mobilidade urbana, mobilidade no caso do transporte aéreo, nos aeroportos, portos, trens, metrô”, disse.

Práticas sustentáveis
Durante o seminário, os representantes das cidades sede debateram propostas de ações sustentáveis especialistas. Revitalização urbana, melhoria das condições de tráfego, redução na emissão de gases de efeito estufa e formas eficientes de uso da energia foram alguns dos assuntos discutidos.

Este foi o segundo seminário a discutir sustentabilidade e legado da Copa. O primeiro foi em setembro de 2011, em Manaus.

Mascote
A preocupação com o meio ambiente também pautou a escolha do mascote oficial da Copa, que será anunciado no próximo domingo (16) em programa dominical da TV aberta. O animal brasileiro escolhido foi o tatu-bola, que figura na lista vermelha das espécies em risco de extinção, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

A escolha dessa espécie de tatu se deu porque, ao se defender, ele se fecha em forma de bola, protegendo as partes moles do corpo no interior da carapaça rígida.

Estudo recentes mostram que o tatu-bola sofreu um declínio superior a 30% ao longos dos últimos 12 anos. Segundo o MMA, as principais ameaças à sua sobrevivência são a caça, a agricultura, a redução dos seu habitat e os assentamentos rurais.

Fonte: uipi!.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Computador ecológico: a tecnologia colaborando com o meio ambiente

A empresa irlandesa MicroPro criou um computador ecológico com ajuda do instituto alemão Fraunhofer IZM. O iamecoV3 tem a carcaça feita de madeira e tela touchscreen.

O nome iamecoV3 vem da expressão em inglês "I am Eco". O PC tem 98% dos componentes recicláveis. Além disso, a empresa considera que 20% desse material pode ser reutilizado com facilidade.

Outro ponto de destaque do computador é que ele usa dissipadores de calor, ao invés dos sistemas de ventilação tradicionais. Assim, o computador não sofre de superaquecimento e ainda converte o calor em mais energia para funcionar por mais tempo.

A tela do computador é feita de LED. Segundo a empresa, isso também aumenta de 30% a 40% a eficiência energética do aparelho.

Os criadores tentaram diminuir ao máximo a quantidade de halógeno (substância tóxica) dos componentes eletrônicos, como nos processadores. As peças também podem ser substituídas com facilidade, o que aumenta a durabilidade do produto.

A produção de um iamecoV3 usa 360 quilogramas de gás carbônico (CO2). Apesar de parecer um nível alto de emissões de gases poluentes, a porcentagem é 70% mais baixa do que a de um computador normal. Portanto, a pegada de carbono do iamecoV3 é considerada muito pequena.

O aparelho já ganhou o selo de sustentabilidade da União Europeia, o EU Ecolabel. Porém, ainda não há previsão de comercialização do produto.

Fonte: Exame Info.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sprout: o lápis comestível

Quem gosta de usar lápis sabe que a certa altura eles ficam no cotoco, difícil até de segurar entre os dedos. Imagine se você pudesse se desfazer do pedacinho restante simplesmente enterrando-o no canteiro mais próximo e, tempos depois, encontrasse um broto de coentro, uma flor ou um vegetal?

É exatamente isso o que a empresa Democratech fez ao laçar no mercado americano o Sprout, um lápis com cápsulas de semente variadas, acopladas no lugar da borracha, que pode ser plantado. O resultado são brotos de tomate, coentro, salsa, alecrim e até flores, como margaridas, dependendo da escolha do freguês.

A ideia nasceu do curso de design de produto Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em Cambridge, Estados Unidos, onde os alunos foram convidados a criar um produto sustentável para o escritório do futuro.

Ao inserir as sementes no corpo em madeira de cedro convencional, seus criadores aproveitaram para tornar o lápis também atrativos para as crianças, na esperança de estimulá-las a praticar a reciclagem através da jardinagem.

Fonte: Exame Info.

sábado, 8 de setembro de 2012

Bicicleta de papelão, a novidade do transporte ecológico

Um empreendedor israelense, conhecido como Izhar Gafni, espera revolucionar o "transporte ecológico" com sua mais nova criação: uma resistente bicicleta de papelão, que possui um custo de produção em torno de US$ 10 e pode ser construída com material de reciclagem.

Além de barata, a bicicleta, que é resistente à umidade e à oxidação, ainda pode suportar até 140 quilos de peso. Como seu chassi é inteiramente revestido por uma camada de material impermeável de cor marrom e branca, o papelão acaba ganhando um aspecto de plástico.

"Trata-se de uma bicicleta urbana, a mais simples que pode imaginar, mas suficientemente resistente para se transformar em um bom meio de transporte ecológico", explicou à Agência Efe o empreendedor israelense.

Morador de uma cooperativa rural em Emek Jefer, no norte de Israel, o mecânico autodidata criou sua bicicleta com base em outra invenção: uma canoa feita de papelão com materiais altamente resistente à água.

"Quando trabalhava na Califórnia adquiri conhecimento em canoa. Depois, passei vários meses estudando o tema. Ao retornar para Israel, tive a ideia da bicicleta e passei a me cobrar. Afinal, nunca havia visto uma bicicleta de papelão", afirmou Gafni.

A escolha pelo projeto da bicicleta também não foi por acaso, já que Gafni, nascido e criado no kibutz Bror Jail (no sul do país), sempre teve uma em casa. Aliás, a bicicleta é o meio de transporte mais habitual entre os membros destas comunas rurais israelenses. Batizada como BV6, a invenção de Gafni foi elaborada em quatro anos e contou com seis protótipos, já que o empreendedor queria testar a fundo os limites e possibilidades do papelão.

"Consultei vários engenheiros e, no começo, construí uma bicicleta pequena que mais parecia uma caixa de mercado com rodas", brinca o inventor antes de reconhecer que "o mais duro foi desenvolver a tecnologia para conseguir dar forma a sua bicicleta".

Ao longo de suas pesquisas, Gafni começou a trabalhar com os princípios da papiroflexia japonesa e, com isso, conseguiu aumentar em até três vezes a capacidade de resistência do material. Neste aspecto, a técnica até parece ser simples, já que consiste apenas em dobrar e sobrepor o papelão.

Considerada um meio de transporte ecológico por não emitir gases poluentes, a bicicleta aparece como uma boa alternativa para contornar o problema da poluição causada pelos automóveis. A bicicleta de Gafni, além de seguir esta mesma linha, ainda se apresenta duplamente ecológica, já que é elaborada com papelão de reciclagem.

Outra das vantagens é que não precisa de montagem prévia. A bicicleta de papelão é uma única peça, incluindo as rodas. Por conta deste fato, a invenção de Gafni praticamente não exige manutenção.

O inventor israelense acredita que no prazo de um ano e meio sua bicicleta de papelão já estará disponível nos mercados, principalmente em Israel, na Europa e nos Estados Unidos. Apesar de seu custo girar em torno de US$ 10, a bike deverá custar entre US$ 60 e US$ 90.

Segundo Gafni, sua invenção foi bem aceita no mercado, principalmente por não exigir muita técnica para sua fabricação, e também já despertou o interesse de vários países europeus. Entre seus possíveis clientes, aparecem algumas prefeituras, que querem adquirir as bicicletas para alugar aos moradores da cidade.

Atualmente, após o sucesso de sua primeira invenção, Gafni trabalha em um novo modelo, que, inclusive, conta com um motor elétrico removível, De acordo com o inventor, esse modelo atende uma demanda deixada por seu primeiro modelo e é destinado às grandes companhias, que precisam de veículos rápidos e baratos para facilitar o transporte de seus funcionários.

Após a construção das bicicletas, motorizadas ou não, Gafni já pensa em construir cadeiras de rodas e carrinhos de bebê com a mesma técnica, ou seja, de papelão.

"Gosto dos meios de transporte e até já construí uma moto usando todos os tipos de materiais", completou o empreendedor, que acompanha o processo de desenvolvimento e financiamento de suas invenções com amparo de uma companhia de soluções tecnológicas.

Fonte: Exame Info.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Biólogo elimina descarga sanitária em casa para economizar água

Na casa do biólogo e bioconstrutor Fernando Nascimento moram quatro pessoas. Por ano, sua família economiza, em média, 61,3 mil litros de água apenas com a eliminação das descargas sanitárias. Isso foi possível com a construção de um banheiro seco que não gasta uma só gota de água no vaso sanitário. O banheiro seco é uma invenção inglesa de 1597.

O sanitário compostável já é utilizado em várias partes do mundo, como uma alternativa mais ecológica ao sistema convencional. Em geral, é necessária a construção de dois sistemas, um vaso sanitário para urina e outro para fezes. A urina é destinada a um tanque e, depois de tratada, pode ser utilizada como adubo. “Ela também pode ser descartada diretamente no solo, após passar por decomposição anaeróbica em bombonas plásticas porque não vai poluir e fornece nutrientes para as plantas”, disse o bioconstrutor.

As fezes são armazenadas em câmaras do lado de fora da casa. A ideia é simples e parte do princípio que, ao se misturar nitrogênio dos dejetos e carbono de serragem ou aparas de gramíneas sob alta temperatura, há uma aceleração do processo de desidratação e compostagem, o que faz com que esses dejetos sejam transformados em adubo. Para isso, se constrói uma estrutura onde os resíduos serão acumulados e sob calor aconteça o processo, que é inodoro. Os resíduos devem permanecer na compostagem por, pelo menos, seis meses, para que o ciclo de qualquer parasita ou patógeno seja processado pela fermentação aeróbica que ali vai ocorrer.

Segundo Fernando Nascimento, na câmara onde as fezes são desidratadas a temperatura fica entre 65 e 80 graus centígrados. “Esse calor é suficiente para eliminar todo tipo de bactérias e parasitas e torna o adubo 100% seguro”, afirmou.

O banheiro foi construído e está sendo utilizado há dois anos e oito meses. Nesse período a família já economizou o total de 161.280 litros de água e produz adubo orgânico. “Há mais de dois anos não damos descarga e o mais importante é que não jogamos nada do vaso sanitário no esgoto. Essa água deixou de ser efluente contaminante no meio ambiente. Só aí o ganho já foi imenso”, disse.

Consciência ecológica motivou projeto Para construir todo o sistema do banheiro seco, Fernando Nascimento calcula hoje um investimento em torno de R$ 300. Segundo ele, compensa, já que as vantagens são muitas. Entre elas, ele destaca não misturar fezes com água potável; transformar um problema, o esgoto, em recurso já que é produzido húmus; não necessitar de instalações hidráulicas; não produzir lixo contaminante; eliminar agentes patogênicos; permitir a utilização do adubo e ter custo operacional baixíssimo.

O biólogo, que se formou bioconstrutor por ter sido motivado pela consciência da não agressão ao meio ambiente, quer difundir o emprego de técnicas mais sustentáveis e de formas ecologicamente corretas de se trabalhar em parceria com a natureza também na construção civil.

“Há uma enorme demanda de espaços que poderiam ser ecologicamente construídos, como centros de apoio educacional, pontos de coleta de material reciclável e até mesmo as ecorresidências. Pelo fato de hoje estarmos muito mais preocupados com a compensação ambiental, a bioconstrução rapidamente deixará de ser uma tendência para se tornar uma exigência na construção civil.” Para mostrar que isso é possível, ele está construindo um protótipo de casa sustentável para difundir técnicas e materiais alternativos.

Vantagens Economizar água com a eliminação de descargas sanitárias Não misturar fezes e urina com água potável Não produzir esgoto Reaproveitamento para a produção de adubo Baixo custo operacional
Custo: Aproximadamente R$ 300

Fonte: Correio de Uberlândia.