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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Novo concreto é elaborado a partir de material reciclável

Concreto idealizado pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos substitui os materiais tradicionais que o compõem por componentes reaproveitados. A areia de fundição (utilizada em moldes nos processos de fundição de peças metálicas) substitui 70% da areia normalmente utilizada, e a escória de aciaria (resíduo que sobra da produção do aço) substitui 100% da pedra. “O produto se utiliza de resíduos sólidos industriais, fazendo uma reciclagem e dando uma nova utilização para eles, o que propicia a economia de recursos naturais”, diz o engenheiro de materiais Javier Mazariegos Pablos. O produto pode ser usado em guias, mobiliário urbano e na execução de contrapisos e calçadas.

Além disso, esses resíduos não poderiam sofrer descarte comum, pois são nocivos ao meio ambiente. Só podem ser dispostos em aterros industriais específicos, a um custo bastante elevado (cerca de R$200,00 a tonelada). “Essa nova finalidade evita o descarte dos materiais e, consequentemente, esse custo que as indústrias teriam.” Inicialmente, o novo concreto foi utilizado para a fabricação de peças para pavimentação.

O novo concreto começou a ser pensado por volta de 2008, quando Pablos se tornou professor do Departamento de Arquitetura, no IAU. Ele levou essa pesquisa para o Grupo de Estudos ArqTeMa – Arquitetura, Tecnologia e Materiais, onde conseguiu a parceria com os professores Osney Pellegrino e Eduvaldo Sichieri.

O material já tem um número provisório de patente. O registro é concedido pelo órgão governamental Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A partir de agora, eles vão verificar em todo o mundo se já existe algum outro produto com essas mesmas características. Se for verificado que não, o concretoo receberá a patente definitiva. “Esperamos que ela saia em mais dois ou três meses”, diz o engenheiro.

Comercialização
A ideia do grupo é levar o concreto para a sociedade, torná-lo um produto comercial, indo além da concepção acadêmica. “Quando você faz uma patente, você tem uma responsabilidade. Não é só gerar o produto, mas viabilizar a aplicação dele no mercado”, diz Pablos, que ressalta a figura da universidade pública nesse processo. “Isso teve um custo para a universidade, além de haver um custo para a manutenção da patente. Para fazer isso valer, o produto tem de ser comercializado”.

Em casos que geram patentes, a USP fica com 50% de seu valor e os autores com os outros 50%. O grupo se articula para colocar o plano em prática, estabelecendo contato com empresas e indústrias que podem vir a se interessar em comprar o concreto na fabricação de elementos para a construção civil, como peças para pavimentação, guias, blocos para alvenaria de vedação, mobiliário urbano, além de poder ser aplicado na execução de contrapisos e calçadas. O preço do novo material é um atrativo, pois deve vir a ser menor do que os materiais similares já no mercado. Nesse processo, o grupo recebe a ajuda da Agência USP de Inovação, núcleo de inovação tecnológica da USP que visa promover a utilização do conhecimento científico e tecnológico produzido na universidade, levando-a para os mais diversos meios da sociedade.

O que diferencia esse concreto dos demais presentes no mercado é seu viés ecológico. Ele se utiliza de materiais reciclados, que teriam de ser descartados de maneira específica, porque podem ser nocivos ao meio ambiente. Com isso, esses produtos substituem as matérias-primas que seriam necessárias para a concepção do concreto, ou seja, há menos exploração de materiais naturais. “A questão da preservação do meio ambiente é muito importante e ela esteve presente na idealização desse novo produto”, finaliza Pablos.

Fonte: Envolverde.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

UFRJ desenvolve concreto ecológico com fibras vegetais e materiais reciclados

A Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) desenvolveu alternativas ecológicas para matérias-primas do concreto e de produtos de fibrocimento (como caixas d’água e telhas). Segundo o pesquisador Romildo Toledo, o uso de materiais tradicionais, como o cimento, a brita e o amianto, pode ser reduzido ou até completamente substituído com a utilização de fibras vegetais e materiais reciclados.

No caso do concreto, liga formada por cimento, brita (pedra) e areia, é possível reduzir o consumo de cimento em 20% a 40% com alternativas como cinza de bagaço de cana-de-açúcar, cinza de casca de arroz e resíduos da indústria cerâmica. A brita pode ser completamente substituída por materiais obtidos em demolições de construções antigas.

No caso do fibrocimento, usado na fabricação de telhas ou caixas d’água, o consumo de cimento pode ser reduzido em até 50% com o uso de alternativas ecológicas. As fibras vegetais substituem as fibras minerais tradicionais, como o amianto, que provocam danos à saúde humana. Há estudos com outros materiais como borracha de pneu usado, cinzas de esgoto sanitário ou de queima do lixo para substituir, pelo menos parcialmente, o cimento.

“Alguns tipos de concreto ecológico já estão prontos para serem repassados ao setor produtivo, mas há outros que ainda estão em fase final de desenvolvimento. São soluções que reduzem impacto na construção civil, seja por redução da emissão de gás carbônico, pelo uso de materiais naturais etc. E todas levam a resultados tão bons quanto os materiais tradicionais. Essa é uma preocupação: não ter performance inferior aos que os materiais tradicionais têm. O consumidor não vai sentir problemas de durabilidade, como a casa ou o prédio terem vida útil menor”, disse Toledo.

Segundo a Coppe, a indústria cimenteira responde por 5% a 7% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. A produção atual de cimento corresponde a cerca de 3 bilhões de toneladas por ano, que deve triplicar em 50 anos.

Segundo o pesquisador, as alternativas ecológicas ao concreto têm chamado a atenção de algumas empresas. Na última sexta-feira (14), por exemplo, Toledo apresentou sua pesquisa a representantes de empresas de materiais de construção norte-americanas na Câmara de Comércio Americana (Amcham) do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Envolverde.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Biólogo elimina descarga sanitária em casa para economizar água

Na casa do biólogo e bioconstrutor Fernando Nascimento moram quatro pessoas. Por ano, sua família economiza, em média, 61,3 mil litros de água apenas com a eliminação das descargas sanitárias. Isso foi possível com a construção de um banheiro seco que não gasta uma só gota de água no vaso sanitário. O banheiro seco é uma invenção inglesa de 1597.

O sanitário compostável já é utilizado em várias partes do mundo, como uma alternativa mais ecológica ao sistema convencional. Em geral, é necessária a construção de dois sistemas, um vaso sanitário para urina e outro para fezes. A urina é destinada a um tanque e, depois de tratada, pode ser utilizada como adubo. “Ela também pode ser descartada diretamente no solo, após passar por decomposição anaeróbica em bombonas plásticas porque não vai poluir e fornece nutrientes para as plantas”, disse o bioconstrutor.

As fezes são armazenadas em câmaras do lado de fora da casa. A ideia é simples e parte do princípio que, ao se misturar nitrogênio dos dejetos e carbono de serragem ou aparas de gramíneas sob alta temperatura, há uma aceleração do processo de desidratação e compostagem, o que faz com que esses dejetos sejam transformados em adubo. Para isso, se constrói uma estrutura onde os resíduos serão acumulados e sob calor aconteça o processo, que é inodoro. Os resíduos devem permanecer na compostagem por, pelo menos, seis meses, para que o ciclo de qualquer parasita ou patógeno seja processado pela fermentação aeróbica que ali vai ocorrer.

Segundo Fernando Nascimento, na câmara onde as fezes são desidratadas a temperatura fica entre 65 e 80 graus centígrados. “Esse calor é suficiente para eliminar todo tipo de bactérias e parasitas e torna o adubo 100% seguro”, afirmou.

O banheiro foi construído e está sendo utilizado há dois anos e oito meses. Nesse período a família já economizou o total de 161.280 litros de água e produz adubo orgânico. “Há mais de dois anos não damos descarga e o mais importante é que não jogamos nada do vaso sanitário no esgoto. Essa água deixou de ser efluente contaminante no meio ambiente. Só aí o ganho já foi imenso”, disse.

Consciência ecológica motivou projeto Para construir todo o sistema do banheiro seco, Fernando Nascimento calcula hoje um investimento em torno de R$ 300. Segundo ele, compensa, já que as vantagens são muitas. Entre elas, ele destaca não misturar fezes com água potável; transformar um problema, o esgoto, em recurso já que é produzido húmus; não necessitar de instalações hidráulicas; não produzir lixo contaminante; eliminar agentes patogênicos; permitir a utilização do adubo e ter custo operacional baixíssimo.

O biólogo, que se formou bioconstrutor por ter sido motivado pela consciência da não agressão ao meio ambiente, quer difundir o emprego de técnicas mais sustentáveis e de formas ecologicamente corretas de se trabalhar em parceria com a natureza também na construção civil.

“Há uma enorme demanda de espaços que poderiam ser ecologicamente construídos, como centros de apoio educacional, pontos de coleta de material reciclável e até mesmo as ecorresidências. Pelo fato de hoje estarmos muito mais preocupados com a compensação ambiental, a bioconstrução rapidamente deixará de ser uma tendência para se tornar uma exigência na construção civil.” Para mostrar que isso é possível, ele está construindo um protótipo de casa sustentável para difundir técnicas e materiais alternativos.

Vantagens Economizar água com a eliminação de descargas sanitárias Não misturar fezes e urina com água potável Não produzir esgoto Reaproveitamento para a produção de adubo Baixo custo operacional
Custo: Aproximadamente R$ 300

Fonte: Correio de Uberlândia.