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sábado, 20 de outubro de 2012

Reciclagem de lixo eletrônico evitaria que ouro parasse no lixo

A reciclagem evitaria que fossem parar no lixo algo em torno de 228 kg de ouro, 1,7 mil kg de prata e 81 mil kg de cobre na Argentina, apenas em 2011. A estimativa foi divulgada no relatório Mineração e Lixo Eletrônico, produzido pela Organização Não Governamental Greenpeace, e se refere somente aos metais preciosos presentes em um tipo de lixo eletrônico: os celulares.

O documento aponta que cerca de 10 milhões de aparelhos celulares foram descartados no país em 2011. Cada argentino produz, em média, três quilos de lixo eletrônico anualmente, sendo que destes, metade termina em lixões e apenas 10% destina-se ao manejo adequado de resíduos – número mais alto que outros países vizinhos, como o Chile, que recicla de 1,5% a 3%.

Se a geração de lixo eletrônico é problemática na Argentina, em terras brasileiras a situação não é diferente. Em 2010, o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) apontou o país como líder na geração de lixo eletrônico per capita entre os países emergentes: meio quilo por ano, à época.

Mineração Urbana
O ouro é utilizado para fabricação de componentes eletrônicos devido às suas propriedades de condução e estabilidade. No entanto, o material é encontrado em quantidades mínimas dentro de celulares ou computadores, cerca de 0,025% do total. A prática de retirar metais preciosos de aparelhos eletrônicos ainda é incipiente nos países latino-americanos, inclusive no Brasil, mas é bastante difundida em nações desenvolvidas.

A mineração urbana, como é conhecida, tem sido constantemente estimulada, pois evita a contaminação ambiental de dois modos (segundo o relatório):

1) Permite recuperar metais ou materiais que são cada vez mais escassos (como o ouro e a prata) e cuja obtenção, por meio da mineração, gera um alto impacto ambiental e social;

2) Ao mesmo tempo, freia o impacto que estes resíduos geram no ambiente ao degradar-se em lixões ou aterros, contaminando os lençóis freáticos, o solo e o ar.

Cerca de 90% de todos os materiais presentes em equipamentos eletrônicos podem ser reciclados ou reutilizados, sendo que 3% são substâncias altamente tóxicas, como o mercúrio, o cádmio e o amianto – daí a importância de levar esses materiais a postos de coleta em vez de simplesmente jogá-los no lixo.

Além dos metais citados no relatório, a reciclagem do lixo eletrônico permite a obtenção de materiais como a platina, alumínio, aço e o plástico e os oriundos das terras raras – situados na China, que detém 97% das reservas conhecidas, sendo assim mais um importante fator para estimular a reciclagem.

Fonte: Envolverde.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Você usaria roupas e acessórios feitos de sobras de comida?

Designer transforma resíduos de comida em fivelas de cinto, botões, bolsas e colares, a fim de alertar sobre o desperdício de alimento

Uma designer britânica de 26 anos levou a reciclagem de lixo a um novo patamar, ao lançar uma coleção inteira de peças de vestuário feitas a partir de resíduos de alimentos. Hoyan Ip reutiliza as sobras de comida para criar acessórios como bolsas, colares, fivelas de cinto, botões e golas de camisas, aos quais chama de 'bio-trimmings', algo como “bio-enfeites”, no português.

Apesar da matéria-prima incomum, o processo de transformação é bem simples: depois de selecionados, os restos de comida são “esmagados” e moldados na forma desejada, seguindo então para secagem. Por fim, eles recebem uma camada de uma substância especial que dá brilho às peças.

Os ingredientes podem variar de restos de um jantar sofisticado, de um almoço tradicional ou, até mesmo, da sobra de um lanche junkfood – ela não faz distinção, seu objetivo principal é apenas alertar sobre o desperdício de alimento no mundo e, de alguma forma, trazer a indústria da moda para a discussão.

"Eu proponho a identificar a relação entre o desperdício de alimentos e os resíduos produzidos a partir da própria indústria da moda", escreveu ela em seu site. "Pode-se argumentar que nada é mais novidade em termos de tendências de moda. As roupas são re-interpretadas a cada temporada. Por isso vale a pena preservar o que no nosso guarda-roupa já tem pronto, e encontrar novos formas de usá-las”, sustenta.

Mas o que o consumidor pensa sobre isso? Essa é outra questão que instiga Hoyan a tocar o projeto. Para a designer, o 'bio-trimmings' muda a psicologia dos consumidores em relação às marcas, ao alterar pequenos detalhes em uma peça de vestuário. “Como um devoto da Burberry reagiria a um icônico trench coat da marca com enfeites de comida desperdiçada?”, questiona.

“Será que a adição de produtos feitos a partir de resíduos de alimentos reduziria o valor da marca ou aumentaria esse valor, tendo em conta a importância crescente dos valores de sustentabilidade e ética hoje em dia?”. Se a moda vai pegar, não dá para saber, mas certamente vai dar o que falar.

Fonte: EXAME.com.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A sustentabilidade e os novos modos de viver

Este programa aborda os desafios de construir a sustentabilidade no dia a dia.

Pensar na sustentabilidade a partir do nosso cotidiano sobre, por exemplo, o que fazemos na cozinha, durante as compras, no trânsito e em todos os hábitos de consumo.

É preciso partir de nós a iniciativa para criarmos um modo de viver sustentável.

Novos Modos de Viver é o filme deste programa. A direção é de Ricardo Carvalho e José Maurício de Oliveira.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Novo concreto é elaborado a partir de material reciclável

Concreto idealizado pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos substitui os materiais tradicionais que o compõem por componentes reaproveitados. A areia de fundição (utilizada em moldes nos processos de fundição de peças metálicas) substitui 70% da areia normalmente utilizada, e a escória de aciaria (resíduo que sobra da produção do aço) substitui 100% da pedra. “O produto se utiliza de resíduos sólidos industriais, fazendo uma reciclagem e dando uma nova utilização para eles, o que propicia a economia de recursos naturais”, diz o engenheiro de materiais Javier Mazariegos Pablos. O produto pode ser usado em guias, mobiliário urbano e na execução de contrapisos e calçadas.

Além disso, esses resíduos não poderiam sofrer descarte comum, pois são nocivos ao meio ambiente. Só podem ser dispostos em aterros industriais específicos, a um custo bastante elevado (cerca de R$200,00 a tonelada). “Essa nova finalidade evita o descarte dos materiais e, consequentemente, esse custo que as indústrias teriam.” Inicialmente, o novo concreto foi utilizado para a fabricação de peças para pavimentação.

O novo concreto começou a ser pensado por volta de 2008, quando Pablos se tornou professor do Departamento de Arquitetura, no IAU. Ele levou essa pesquisa para o Grupo de Estudos ArqTeMa – Arquitetura, Tecnologia e Materiais, onde conseguiu a parceria com os professores Osney Pellegrino e Eduvaldo Sichieri.

O material já tem um número provisório de patente. O registro é concedido pelo órgão governamental Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A partir de agora, eles vão verificar em todo o mundo se já existe algum outro produto com essas mesmas características. Se for verificado que não, o concretoo receberá a patente definitiva. “Esperamos que ela saia em mais dois ou três meses”, diz o engenheiro.

Comercialização
A ideia do grupo é levar o concreto para a sociedade, torná-lo um produto comercial, indo além da concepção acadêmica. “Quando você faz uma patente, você tem uma responsabilidade. Não é só gerar o produto, mas viabilizar a aplicação dele no mercado”, diz Pablos, que ressalta a figura da universidade pública nesse processo. “Isso teve um custo para a universidade, além de haver um custo para a manutenção da patente. Para fazer isso valer, o produto tem de ser comercializado”.

Em casos que geram patentes, a USP fica com 50% de seu valor e os autores com os outros 50%. O grupo se articula para colocar o plano em prática, estabelecendo contato com empresas e indústrias que podem vir a se interessar em comprar o concreto na fabricação de elementos para a construção civil, como peças para pavimentação, guias, blocos para alvenaria de vedação, mobiliário urbano, além de poder ser aplicado na execução de contrapisos e calçadas. O preço do novo material é um atrativo, pois deve vir a ser menor do que os materiais similares já no mercado. Nesse processo, o grupo recebe a ajuda da Agência USP de Inovação, núcleo de inovação tecnológica da USP que visa promover a utilização do conhecimento científico e tecnológico produzido na universidade, levando-a para os mais diversos meios da sociedade.

O que diferencia esse concreto dos demais presentes no mercado é seu viés ecológico. Ele se utiliza de materiais reciclados, que teriam de ser descartados de maneira específica, porque podem ser nocivos ao meio ambiente. Com isso, esses produtos substituem as matérias-primas que seriam necessárias para a concepção do concreto, ou seja, há menos exploração de materiais naturais. “A questão da preservação do meio ambiente é muito importante e ela esteve presente na idealização desse novo produto”, finaliza Pablos.

Fonte: Envolverde.

domingo, 14 de outubro de 2012

Sustentabilidade agrícola é o caminho para o futuro

Aumentar a produtividade sem tomar mais terras já é uma realidade no Brasil. Conseguimos produzir, atualmente, 160 milhões de toneladas de grãos em cerca de 200 milhões de hectares, uma área ocupada pela agricultura e pecuária. Mas pesquisadores da Embrapa garantem que esse número pode ser dobrado, sem que para isso precisemos prejudicar o meio ambiente.

"Os sistemas de produção integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária (iLP) e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), se adotados em todas as regiões produtivas, permitem recuperar as áreas de pastagem que já estão com algum nível de degradação, elevando a produtividade tanto de grãos e fibras quanto de produção de carne", afirma Euclides Maranho, analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste.

Na mesma área em que hoje se produz cerca de 160 milhões de toneladas, podem-se obter seguramente 300 milhões de toneladas. Para tanto, pontua o pesquisador, é necessária a criação de uma política agrícola de longo prazo, com planejamento, considerando cenários, oportunidades, ameaças e, principalmente, definindo estratégias que deverão ser adotadas de forma articulada, visando ao alcance do objetivo traçado.

Modernização do setor
O agricultor está atento às modernas inovações e, dentro de suas possibilidades, moderniza suas máquinas, adota novas tecnologias, mesmo sendo penoso e pairando dúvidas quanto ao retorno de seus investimentos.

Lado a lado com essa modernização, o analista de pesquisa na área de Economia Rural da Embrapa Agropecuária Oeste, Alceu Richetti, lembra que a pesquisa tem ajudado os produtores a produzir mais em menor área. "Para isso, basta observar a produtividade da soja no Brasil, que em 1990 era de 1.732 kg/ha, e hoje é de 2.660 kg/ha, um acréscimo de 53,6%. Isso graças à introdução de cultivares de soja adaptadas às condições locais e mais produtivas, a adequadas técnicas de cultivo e de manejo de pragas e à modernização dos métodos de gestão da propriedade rural", enumera.

Ainda como técnicas para produzir mais com menos recursos, Euclides Maranho destaca os sistemas de produção integrados, a realização da inoculação e o tratamento de sementes, além da adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Análise de perto
A sustentabilidade não pode ser analisada só pela agricultura. "Precisamos entender que o produtor só produz mais porque do outro lado existe uma demanda cada vez mais audaciosa. A agricultura carrega um fardo muito pesado, o de que é a que polui, a que destrói, e assim por diante. Pelo que me consta, a grande maioria dos rios são poluídos no setor urbano; as grandes cidades não preservam a mata ciliar dos rios, ou será que São Paulo ou Porto Alegre, por exemplo, preservam a mata ciliar dos rios Tietê ou Guaíba? O leite, por exemplo, sai da unidade de produção rural e chega até a cidade em grandes tanques, que são reutilizáveis. Posteriormente, o produto sofre o processo de agroindustrialização, sendo embalado em caixas ou outras embalagens que, na sua grande maioria, após o consumo do produto, vão para os lixões ou o fundo do leito de córregos e rios, e algumas demoram mais de cem anos para serem deterioradas pelo meio ambiente", desabafa Maranho.

Obviamente, completa, se a sustentabilidade puder ser construída a partir de um pensamento comum, de que todos participem, a agricultura será uma das grandes beneficiadas, já que em seus processos de produção podem ser inseridas tecnologias ambientalmente corretas - as matas ciliares e APPs previstas no novo Código Florestal, após aprovado, com certeza serão repostas e preservadas.

Bom para o produtor e para o meio ambiente
Importante lembrar que os agricultores que praticam a agricultura com baixa emissão de gás carbônico e, principalmente, que desenvolvem atividades que promovem o sequestro de carbono, podem ter uma renda alternativa na venda dos créditos de carbono. "Assim, se todos os processos de produção, agregação de valores, distribuição e consumo dos alimentos forem em busca da sustentabilidade, com certeza não só a agricultura, mas todos os seres que habitam este planeta serão os grandes beneficiados", avalia Euclides Maranho.

Para ele, por uma questão óbvia, a região Norte do Brasil, onde está a Amazônia, é aquela que mais está sendo questionada quanto à sustentabilidade. Nessa região, já houve ações de sequestro de animais criados em áreas de APPs ou reservas legais.

O Código Florestal prevê que 80% da área seja preservada com a vegetação nativa, além de considerar que grandes áreas são preservadas com parques nacionais ou reservas indígenas. No entanto, pela maior densidade demográfica e pela alta atividade das regiões Sul e Sudeste, existem bons exemplos de ações desenvolvidas com o intuito de promover a agricultura sustentável, a exemplo do crescente aproveitamento de resíduos agroindustriais para a cogeração de energia; do aumento considerável do sistema de plantio direto, ou do plantio com o mínimo de revolvimento do solo; da redução de utilização de nitrogênio na agricultura devido à prática da inoculação de organismos que promovem a fixação de nitrogênio atmosférico, entre outras.

A região Centro-Oeste, que é responsável pela produção de um grande volume de produtos da agricultura, por ser um bioma vulnerável devido a grandes estiagens, à fragilidade de sua vegetação nativa e dos solos, na sua grande maioria com menores teores de argila, o que facilita a rápida exaustão de sua capacidade produtiva, precisa de algumas ações no sentido de definir até quando os recursos naturais podem oferecer condições para a obtenção de resultados tão significativos quanto os que estão ocorrendo atualmente.

O pesquisador Euclides Maranho não tem dúvidas de que ainda existem muitas áreas a serem inseridas no processo, o que deverá proporcionar um crescimento enorme do volume de produção.

Fonte: Revista Campo & Negócios.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Estádios da Copa de 2014 terão energia renovável


Pesquisas de opinião pública encomendadas pela Fifa, a entidade máxima do futebol, revelam que 90% dos brasileiros consideram essencial que a Copa do Mundo de 2014 seja ecologicamente correta. E ela será. Aliás, a primeira da história. Se na Copa da África do Sul, em 2010, não houve tempo para construir estádios ecologicamente responsáveis - o conceito de sustentabilidade não era tão difundido como é hoje -, na Copa do Mundo do Brasil todos os 12 estádios-sede usarão fontes renováveis de energia elétrica.

O pesquisador Ricardo Ruther, da Universidade Federal de Santa Catarina, autor (em parceria com o Instituto Ideal), do projeto Estádios Solares, diz que o processo de transformação da luz do sol em energia elétrica é relativamente simples. "A tecnologia solar produz eletricidade diretamente dos elétrons liberados pela interação da luz do sol com certos semicondutores no painel fotovoltaico", afirmar Ruther. Para elaborar o projeto, o pesquisador visitou o Mage Solar Stadium (que pertence ao SC Freiburg, clube alemão da cidade de Freiburg im Breisgau), o primeiro estádio no mundo com usina solar de produção de energia, implantada em 1995.

O Mage Solar serviu de base para o projeto do primeiro estádio da América Latina equipado com energia solar, o Pituaçu, em Salvador. Com a supervisão da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), o estádio de Pituaçu, que pertence ao Governo da Bahia, tem capacidade de gerar 630MWh anuais, 75% a mais que o total gasto pelo estádio em um ano - a diferença vai para a rede da Coelba.

Caminho parecido deve seguir a Arena Pernambuco, no Recife, que ficará pronta em 2013 e contará com uma usina solar capaz de gerar a produção de 1.450 MWh/ano, equivalente o consumo de energia de 1.200 residências. A energia produzia pela usina, instalada em uma área contígua à Arena Pernambuco, será destinada ao estádio através de painéis fotovoltaicos que vão captar a luz emitida pelo sol.

Os dois principais estádios da Copa de 2014 - o Itaquerão, onde será realizada a abertura, e o Maracanã, a final - também serão sustentáveis. O Corinthians, proprietário do Itaquerão, firmou parceira com o Grupo AES Eletropaulo, a AES Tietê e a Odebrecht Energia para a instalação de placas fotovoltaicas no estádio. Já os administradores do Maracanã, de propriedade do Governo do Estado do Rio, firmaram um acordo com a Yingli Solar, a Light ESCO e a EDF Consultoria em Projetos de Geração de Energia Elétrica para fazer do estádio, palco da final da Copa do Mundo de 1950, referência em energia renovável.

Fonte: Terra.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tecnologia garante desenvolvimento sustentável

Dentro do campus da Universidade Federal de Viçosa, funciona o Polo de Excelência em Florestas, criado pelo Governo de Minas. Na UFV estão alguns dos laboratórios da área que mais investem em novas tecnologias. O objetivo é promover a exploração sustentável dos recursos ambientais, preservando o meio ambiente e gerando riquezas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Al Gore diz que mudanças climáticas devem acirrar disputa por alimentos e biocombustíveis

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore alertou para o risco de o aquecimento global acirrar a disputa por alimentos e biocombustívei. Durante a apresentação no Global Agribusiness Forum, realizado na capital paulista, ele ressaltou que as mudanças climáticas tendem a diminuir a produtividade de commodities agrícolas, como o milho e a soja, e provocar um acirramento sobre a sua destinação.

“Em um mundo mais quente, se nós não começarmos a agir, o conflito entre plantar milho para produzir combustível e para alimentação irá se tornar ainda mais intenso”, disse, destacando as altas nos preços dos alimentos nos últimos anos.

Gore ressaltou ainda que as alterações no climáticas tendem a tornar difícil fazer previsões sobre o tempo, informações fundamentais para a agricultura. “A pertubação do ciclo biológico acabará com a possibilidade de se prever a ocorrência das chuvas”, disse, após demonstrar por meio de estatísticas que o planeta enfrentou nos últimos anos aumento nas temperaturas médias. Além disso, Gore apresentou dados que indicam aumento nas ocorrências de calor extremo, acima de 50 graus Celsius, em países como o Iraque e Paquistão.

Ao final, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos ressaltou a importância de um esforço conjunto para contornar o problema em tempo de evitar os efeitos mais catastróficos. “Nós temos que tomar a decisão de que isso é uma prioridade para nós. Nós temos que ir rapidamente em frente e, se queremos ir longe, temos que ir juntos”.

Fonte: Envolverde.

sábado, 6 de outubro de 2012

Sustentabilidade nas favelas

Uma das principais causas de desastres provocados por desequilíbrios ambientais é a falta clareza do poder público na implementação de ações voltadas para a sustentabilidade. “Com os avanços na consciência socioambiental nos últimos anos, algumas regiões do Rio de Janeiro têm sofrido mudanças consideráveis. Nas favelas, entretanto, os mesmos problemas persistem, como coleta de lixo e falta de saneamento”, disse o coordenador de Meio Ambiente do Viva Rio, Tião Santos.

Ele usou como exemplo a tragédia na Região Serrana, em janeiro de 2011. “Foi uma tragédia sem proporção que atingiu ricos e pobres”, contou. Durante sua apresentação, ele exibiu o documentário produzido pelo Viva Rio durante a campanha de ajuda emergencial à Região Serrana.

Assista ao vídeo: Tião Santos participou de uma mesa redonda sobre modelos de desenvolvimento sustentável para as favelas, na última terça-feira, dia 25 de setembro. O debate fez parte da programação do projeto Conversas no Museu, no Museu do Meio Ambiente, que também contou com a presença do coordenador executivo do Observatório de Favelas, Mário Pires.

Para Mário, tanto no asfalto quanto na favela as pessoas só identificam o problema da sustentabilidade quando ele lhes atinge. “Fomos educados por muito tempo a ver a sustentabilidade somente como uma ação do homem no meio ambiente e não como a relação entre homem e homem e a ação desses no ambiente”, disse.

E você, sabe o que é sustentabilidade?
Sustentabilidade é o termo usado para definir ações e atividades humanas para suprir as necessidades atuais dos seres humanos sem comprometer o futuro das próximas gerações. Ela está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inteligente para que eles se mantenham no futuro.

A adoção de ações de sustentabilidade garante, a médio e longo prazo, um planeta em boas condições para o desenvolvimento das diversas formas de vida. O uso inteligente dos recursos naturais possibilita a sua manutenção para uso das próximas gerações, garantindo qualidade de vida hoje e para as futuras gerações.

Fonte: Viva Rio.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Setor de tecnologia limpa cresce no mundo

Os empresários do setor de tecnologia limpa continuam otimistas com as perspectivas de crescimento dos seus negócios nos próximos 12 meses, segundo o International Business Report (IBR) 2012 da Grant Thornton International. A pesquisa global revelou que o segmento está expandindo rapidamente apesar das incertezas econômicas mundiais persistirem, como a crise da zona do euro.

O IBR revelou que 68% dos executivos do setor de tecnologia limpa esperam aumentar as receitas e 62% preveem elevar os lucros. “ O aumento da lucratividade está muito associada à queda do preço dos equipamentos, já que com a crise nos mercados maduros vários projetos foram postergados, ou mesmo cancelados”, segundo Paulo Sergio Dortas da Grant Thornton. A pesquisa mostrou também que os líderes pretendem investir no crescimento de longo prazo do seu negócio. Isso porque, 52% dos entrevistados disseram esperar gastar mais em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e 51% planejam investir em máquinas e equipamentos.




As perspectivas positivas são explicadas pelas taxas de crescimento do setor nos anos recentes. De acordo com o relatório WWF report[1], o segmento de tecnologia limpa cresceu globalmente 31% por ano em 2009 e 2010. Apesar de ter reduzido o ritmo para 10% em 2011, ainda sim a taxa permanece bem acima das taxas médias de crescimento do PIB mundial. Na China, o setor cresceu de $17.5 bilhões para $71.3 bilhões entre 2008 e 2011, um aumento de 77%. Nos Estados Unidos, o setor expandiu 17% entre 2010 e para $46.3 bilhões em 2011.

“A situação do Brasil é bastante similar, com um crescimento expressivo dos novos investimentos. Um dos maiores entraves no mercado local para o aumento de investimentos em tecnologia eólica e solar são os investimentos governamentais em usinas hidráulicas além da queda do preço da energia elétrica no mercado atacadista”, diz Paulo Sergio Dortas, líder da área de auditoria, tax e advisory da Grant Thornton Brasil.

O ponto citado pelos executivos como maior restrição ao crescimento do setor é a excessiva burocracia e regulação (41%). A falta de mão de obra qualificada também foi mencionada por 38% dos executivos do segmento, 10 pontos percentuais a mais que a média de todos os setores pesquisados. A escassez de talentos explica porque 79% dos empresários esperam oferecer aumento de salários nos próximos 12 meses. “A falta de mão especializada é um entrave não só para a indústria de cleantech, mas um problema generalizado no Brasil. Assim como outras indústrias, o setor tem que investir na identificação, formação e retenção de talentos”, avalia Dortas.

Fonte: Jornal Dia Dia.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cosméticos sustentáveis: Payot

Empresa busca a sustentabilidade em todos os produtos

A empresa de cosméticos Payot foi a primeira do segmento a ser certificada com o selo verde, concedido pelo IBDN (Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza) às empresas que desenvolvem ações de sustentabilidade nas áreas ambiental, social e saúde.




“A Payot sempre se preocupou com a sustentabilidade de seus produtos. Não é mais possível uma empresa viver distante dessa responsabilidade, também porque o consumidor já começa a perceber e preferir as empresas que têm esse foco”, diz Antônio Celso da Silva, diretor industrial da Melfe, licenciada da Payot.

Para isso, a empresa fez várias alterações para seguir padrões de sustentabilidade, como destinação correta de resíduos com o menor impacto ambiental possível. Além disso, a Payot buscou soluções em vários produtos: os lápis para olhos e lábios são produzidos com madeira certificada, a matéria prima dos frascos foi trocada de PVC para PET e rótulos e tampas também passaram a ser feitos com outros materiais mais sustentáveis.




Ainda segundo Antônio, a empresa busca sempre deixar os produtos mais sustentáveis, ainda que aos poucos. “Começa pelo desenvolvimento, em que buscamos fornecedores que tenham efetivamente as mesmas preocupações que a Payot. Buscamos também desenvolver formulações em que o uso de energias ou combustíveis sejam menores, com isso optamos por emulsões a frio nos nossos produtos. Nas embalagens, optamos pelas que causam menor impacto no meio ambiente, finalizando com a destinação ambientalmente correta dos nossos resíduos industriais”.

Além das ações para o meio ambiente, a empresa mantém desde 1999 um projeto de responsabilidade social, que capacita profissionais e atua no ramo de saúde.

Fonte: Atitude Sustentável.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Indústria aeronáutica faz teste com tecnologia de redução de carbono

A Boeing trabalha na tecnologia batizada de ecoDemonstrator que tornam os voos de suas aeronaves mais eficientes do ponto de vista energético, entre os benefícios, está a redução da emissão de carbono. Essa tecnologias desenvolvidas no interior da companhia já estão deixando os laboratórios e as pranchetas e estão sendo adaptados em um 737-800, para testes no mundo real.

Para reduzir o consumo de combustível, a Boeing desenhou novas estruturas na fuselagem e nas asas do avião, fazendo-o mais aerodinâmico. Tanto quanto mais baixo for o coeficiente aerodinâmico do projeto, mais penetração ele tem no ar. Quanto melhor for a capacidade do aeronave em cortar o ar, menos combustível seus motores precisarão queimar para acelerar a avião e gerar a velocidade que lhe dá sustentação.




Também de olho na queima eficiente de combustível, a Boeing redesenhou a saída de exaustão das turbinas da aeronave. Agora, a parte da fuselagem que serve de exaustor para os motores se adapta a diversas condições de voo, dada a sua abertura variável.

O efeito é redução de consumo de combustível e, também, queda no nível de ruído gerado pelo avião em certas condições de aceleração.

Outro estudo que visa diminuir o consumo de combustível está relacionado com uma parceria da Boeing com a FAA, equivalente à nossa ANAC. O projeto visa desenvolver sistemas de navegação e rotas mais precisos, que diminuam as voltas dos aviões no céu. Com rotas mais diretas e precisas, menos combustível seria necessário nas viagens.

A outra frente de aprimoramento pesquisada pela Boeing envolve o uso de células de combustível para a geração de energia elétrica, utilizada nos diversos equipamentos, sensores e sistemas embarcados na aeronave. A ideia da Boeing é usar modelos com hidrogênio e oxigênio, que evitariam a dependência do avião em relação à eletricidade gerada a partir da queima de combustível nos motores. A busca por tanta eficiência, além de soar bem perante a opinião pública, explica-se pelo fato de que os custos envolvidos com combustíveis são, em larga escala, os maiores das operações das companhias aéreas.

Fonte: TechTudo.

sábado, 29 de setembro de 2012

Embalagens sustentáveis vão além da capacidade de reciclar

Apesar de pouco importantes para muita gente, as embalagens são grandes vilãs da natureza. A produção, utilização e descarte delas implicam em impactos ambientais, visto que a embalagem, ao final de seu processo de consumo, inevitavelmente acaba como lixo urbano. A questão é: existem maneiras possíveis de torná-la sustentavelmente bem sucedida, seja pelo uso de materiais, seja pelo processo de fabricação ou pelo seu consumo consciente?

Segundo a designer Babi Tubelo, os materiais, a logística e a reciclabilidade estão entre as principais ferramentas a caminho de um design de embalagem visando a ecologia ambiental, imprescindível no mundo moderno. Quanto mais diversidade de material em uma mesma embalagem, mais será seu impacto para o meio ambiente. Já o uso de apenas um material facilita sua reciclagem.

A embalagem sustentável deve atender pelo menos a três dimensões:

- Garantir a proteção ao produto; - Escolher aquela que implica menos impactos ambientais, medidos segundo a Análise do Ciclo de Vida (ACV) do produto; - Saber como os materiais de embalagens são destinados no fim de vida útil, seja por compostagem, aterro sanitário, reciclagem química, reciclagem mecânica ou reciclagem energética.

Segundo especialistas, o ato de projetar produtos em prol da sustentabilidade é tecnicamente possível. Para que isso ocorra são necessárias mudanças de comportamento e alterações nos padrões da sociedade, a fim de que alternativas inovadoras de design sejam, de fato, bem aceitas.

Economia em material e logística
Economizar no material e facilitar a logística são aspectos essenciais para uma embalagem ser considerada sustentável. E muitas vezes não se dá muita importância a esses dois pontos. Mas, não é assim que pensa a designer húngara e estudante de graduação Otília Andrea Erdelyi. Ela redesenhou a embalagem de ovos, tornando-a ainda mais minimalista, materialmente eficiente e visualmente atraente.

Além de economizar matéria-prima, a caixa de ovos, chamada de Erdelyi, foi projetada para ser empilhada facilmente. Os ovos são colocados em forma de elipse e para o consumidor retirar os ovos da embalagem basta inclinar uma das laterais.

Embalagens recicláveis
Outro ponto mais conhecido e também essencial, para se alcançar uma embalagem sustentável, está no seu poder de reciclabilidade, ou seja, a capacidade que ela tem de ser aproveitada depois de utilizada.

Atualmente, com a grande preocupação ambiental, muitas indústrias estão inovando os seus produtos, fabricando embalagens que podem ser recicladas após serem utilizadas.

Um exemplo está na lâmpada de última geração Lemnis Lighting, já mostrada no site do EcoD, que desenvolveu uma embalagem capaz de se transformar em uma luminária para acomodá-la.

Fonte: Envolverde.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

UFRJ desenvolve concreto ecológico com fibras vegetais e materiais reciclados

A Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) desenvolveu alternativas ecológicas para matérias-primas do concreto e de produtos de fibrocimento (como caixas d’água e telhas). Segundo o pesquisador Romildo Toledo, o uso de materiais tradicionais, como o cimento, a brita e o amianto, pode ser reduzido ou até completamente substituído com a utilização de fibras vegetais e materiais reciclados.

No caso do concreto, liga formada por cimento, brita (pedra) e areia, é possível reduzir o consumo de cimento em 20% a 40% com alternativas como cinza de bagaço de cana-de-açúcar, cinza de casca de arroz e resíduos da indústria cerâmica. A brita pode ser completamente substituída por materiais obtidos em demolições de construções antigas.

No caso do fibrocimento, usado na fabricação de telhas ou caixas d’água, o consumo de cimento pode ser reduzido em até 50% com o uso de alternativas ecológicas. As fibras vegetais substituem as fibras minerais tradicionais, como o amianto, que provocam danos à saúde humana. Há estudos com outros materiais como borracha de pneu usado, cinzas de esgoto sanitário ou de queima do lixo para substituir, pelo menos parcialmente, o cimento.

“Alguns tipos de concreto ecológico já estão prontos para serem repassados ao setor produtivo, mas há outros que ainda estão em fase final de desenvolvimento. São soluções que reduzem impacto na construção civil, seja por redução da emissão de gás carbônico, pelo uso de materiais naturais etc. E todas levam a resultados tão bons quanto os materiais tradicionais. Essa é uma preocupação: não ter performance inferior aos que os materiais tradicionais têm. O consumidor não vai sentir problemas de durabilidade, como a casa ou o prédio terem vida útil menor”, disse Toledo.

Segundo a Coppe, a indústria cimenteira responde por 5% a 7% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. A produção atual de cimento corresponde a cerca de 3 bilhões de toneladas por ano, que deve triplicar em 50 anos.

Segundo o pesquisador, as alternativas ecológicas ao concreto têm chamado a atenção de algumas empresas. Na última sexta-feira (14), por exemplo, Toledo apresentou sua pesquisa a representantes de empresas de materiais de construção norte-americanas na Câmara de Comércio Americana (Amcham) do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Envolverde.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Máquina produz “lenha ecológica”

Equipamento desenvolvido no IFGW produz briquete de alta densidade
Está em fase de ensaios e prestes a entrar no mercado uma máquina que produz um briquete de alta densidade possível de ser carbonizado e utilizado como carvão. O briquete, conhecido como “lenha ecológica”, é um bloco cilíndrico resultante da compactação de resíduos como serragem, casca de arroz, palha de milho, bagaço de cana, capim e tantos outros gerados em atividades agrícolas. Este combustível de biomassa já vem substituindo a lenha, por exemplo, em pizzarias e padarias, mas a produção de carvão a partir dele, em escala comercial, depende de ajustes nesta máquina desenvolvida com tecnologia nacional.

Batizada de Biotor, a briquetadeira é fruto de projeto financiado pela Fapesp e executado em parceria entre o Grupo Combustíveis Alternativos (GCA) do Instituto de Física da Unicamp, a Bioware Tecnologia (empresa graduada na Incamp/Unicamp) e a Embrapa Agroenergia. “A máquina foi deslocada por alguns meses para uma empresa interessada em realizar os ensaios. O intuito é aperfeiçoar a tecnologia até o ponto de levá-la ao mercado”, explicava o professor Carlos Alberto Luengo, coordenador do GCA, enquanto mostrava uma foto de Lula, ainda presidente, despejando resíduos na briquetadeira. “A presença de Lula se deve a uma palavra mágica: cana-de-açúcar (o bagaço e a cana), o que traz um potencial muito grande para o equipamento.”

A ideia de transformar briquete em carvão veio de Felix Fonseca Felfli, em pesquisa de doutorado desenvolvida em 2003 sob a orientação de Luengo, quando procurou identificar as principais barreiras técnicas e mercadológicas para produzir e comercializar a biomassa torrefeita. “Como temos um forno no laboratório, pensei: ao invés de torrificar lenha, vamos torrificar briquetes para substituir o carvão vegetal. Se o briquete já substitui a lenha, ainda não havia um substituto ecológico do carvão. Vemos no mercado produtos que se dizem ecológicos, mas que na verdade são resíduos de carvão prensados, ou seja, vendem a mesma coisa: trabalho infantil e escravo, poluição, árvores nativas cortadas.”

Briquetes foram doados para a pesquisa de Felix Felfli, que se decepcionou com o que saiu inicialmente do forno. “Virou pipoca. O bloco se quebrou em camadas e, muito frágil, se transformaria em pó com o manuseio e transporte. Começamos a investigar e descobrimos que o problema está no processo de compactação pelas briquetadeiras existentes no Brasil, que funcionam por meio de pistão mecânico. O briquete pode ser grande, mas é frágil estruturalmente: com o calor, surgem ranhuras que correspondem a cada percurso do pistão, e que depois se abrem.”

O doutorando voltou a se animar com a ideia quando José Dilcio Rocha, pesquisador da Embrapa Agroenergia , trouxe de suas viagens briquetes produzidos com uma máquina importada. “Eram verdadeiros tijolos. Nos testes, o material ficou carbonizado, não quebrou e vi que é possível produzir o carvão ecológico a partir do briquete. Mas para isso era preciso uma máquina capaz de garantir um briquete de alta densidade e resistência mecânica, o que depende da compressão e da continuidade de processo.”

Prensagem por extrusão Terminado o doutorado, Felix Felfli passou a trabalhar na Bioware e aproveitou esta condição para enviar à Fapesp um projeto PIPE – Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas – propondo o desenvolvimento de uma máquina do tipo extrusora, que não é feita no país. “O Japão possuía estas máquinas, que depois chegaram à Europa e produzem o briquete em processo contínuo. Como ficaria muito custoso comprá-las, decidimos criar uma versão nacional, que já se tornou um produto, embora a pesquisa continue em andamento.”

O pesquisador explica que existem várias tecnologias de compactação no mundo, sendo que a mais difundida é a de pistão mecânico: como no motor de automóvel, há uma manivela com a qual se prensa os resíduos por impacto. “Esta tecnologia se difundiu no Brasil a partir dos anos 1930 e algumas empresas passaram a comercializar a máquina, mas em escala bem modesta. Houve certo boom na crise do petróleo nos anos 70, mas na década de 90, com o óleo barato, ninguém mais se interessou. Agora temos toda essa preocupação ecológica, principalmente em relação às árvores.”

Os ensaios com a briquetadeira, ora realizados em uma empresa de beneficiamento de arroz, se devem à constatação do desgaste das peças, segundo o esclarecimento de Felfli. “É uma tecnologia nova, em que a compactação se dá por meio de uma rosca girando em alta velocidade, que vai moendo e prensando a matéria-prima, não se percebe nenhuma fibra: é este movimento que causa o desgaste. Isso me trouxe de volta ao GCA depois do doutorado, a fim de aperfeiçoar a tecnologia com peças e outros materiais. A casca de arroz é o resíduo vegetal mais abrasivo que existe; se conseguirmos um tempo de vida útil aceitável da máquina, isso valerá para qualquer matéria-prima.”

As inúmeras aplicações do briquete O interesse da empresa beneficiadora de arroz em testar a briquetadeira desenvolvida por Felix Felfli está no ganho adicional que a casca do produto, hoje vendida para servir de cama na criação de frangos, pode trazer enquanto matéria-prima de briquete a ser transformado em carvão. “Por causa das fezes das aves, a casca de arroz se torna ainda mais poluidora, sendo depois descartada em algum lugar. Antes, a cama era usada como adubo, o que foi proibido por lei justamente pelo risco de transmissão de doenças. Uma solução seria o briquete, pois a casca de arroz, depois de queimada em caldeiras, deixa muita cinza rica em sílica, que poderia ter outros usos”, observa o pesquisador.

Felfli afirma que a máquina extrusora nacional, em comparação com as de pistão, é bem menor e silenciosa e de manutenção mais barata. “Resolvido o problema do desgaste, o mercado é amplo. Temos, por exemplo, cerca de dois mil fabricantes de móveis apenas no Estado de São Paulo, que produzem 500 quilos de serragem por hora. Também seria interessante exportar briquetes para a Europa, onde se queima muito carvão mineral – eles querem comprar nossos resíduos, que somam 300 milhões de toneladas anuais. Uma grande vantagem é a densidade: se a do bagaço de cana é de cem quilos por metro cúbico, a do briquete por chegar a uma tonelada por metro cúbico no navio.”

Em relação às vantagens do briquete, seja de alta densidade ou não, o professor Carlos Luengo mostra um vídeo produzido pela Embrapa Agroenergia enaltecendo a diminuição da derrubada de árvores nativas e o aproveitamento dos resíduos agrícolas; a ausência de produtos químicos (cola, verniz, tinta), tornando-os apropriados para a indústria alimentícia, pizzarias, churrascarias e padarias, caldeiras em lavanderias e abatedouros, e aquecimento de água em hotéis, motéis e piscinas; a higiene e o menor espaço para armazenagem; o alto poder calorífero, regularidade térmica e geração de menos cinza e fumaça, poluindo menos que a lenha; e, no final, a redução do custo na geração de energia.

Luengo, entretanto, enxerga outro grande benefício da pesquisa e produção de briquetes. “A parceria com instituições fora da Unicamp é uma prática muito antiga em nosso laboratório e acredito nestas pesquisas porque os alunos, que um dia terão de conseguir emprego, já se integram naturalmente à parte produtiva. Trata-se de uma inovação tecnológica que beneficia a todos que participam dela, gerando novos empregos e benefício ao meio ambiente. Os briquetes estão cada vez mais populares e daqui a pouco estarão no supermercado.”

Atualmente, a empresa de base tecnológica EcoDevices é a responsável pela continuação do desenvolvimento e introdução dessa tecnologia no mercado.

Fonte: Jornal da Unicamp.

sábado, 22 de setembro de 2012

Brasil pode ser protagonista em biocombustíveis para aviação

O Brasil pode assumir a liderança em biocombustíveis para aviação, a exemplo do protagonismo que conquistou no setor automobilístico, em que se tornou um dos primeiros países do mundo a ter sua frota de veículos automotivos abastecida e movida a biocombustível.

Entretanto, o país terá que superar diversos obstáculos de ordem científica, tecnológica, de produção agrícola e de políticas públicas, entre outras, por meio da articulação de empresas do setor aeronáutico e de biotecnologia com instituições de pesquisa, governo, integrantes da cadeia de produção de biocombustíveis e representantes da sociedade civil.

A avaliação foi feita por participantes da Conferência sobre Biocombustíveis para Aviação no Brasil, aberta no dia 11 de setembro na sede da Embrapa, em Brasília (DF), com o objetivo de discutir sobre a viabilidade técnica e financeira e o atual estágio das pesquisas realizadas no Brasil sobre biocombustíveis que possam substituir o querosene em aviões comerciais.

A programação do evento é composta pelo Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação e pelo 5º Workshop do Projeto Biocombustíveis Sustentáveis para a Aviação no Brasil, promovido pela FAPESP, Embraer e Boeing.

O evento integra uma série de oito workshops previstos no acordo firmado entre a FAPESP, a Embraer e a Boeing em outubro de 2011, com o objetivo de estabelecer um centro de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis para aviação comercial no Brasil envolvendo as três instituições e baseado no modelo dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP, voltados para realizar pesquisas na fronteira do conhecimento.

O setor de aviação, que contribui com 2% das emissões totais de gases de efeito estufa no planeta, está enfrentando o desafio de reduzir pela metade a emissão de CO2 em 2050, em comparação com 2005, e se tornar neutro carbono até 2020, conforme estabeleceu a Associação de Transporte Aéreo Internacional (Iata, na sigla em inglês).

De modo a reduzir o consumo e, por conseguinte, as emissões de gases de efeito estufa, os fabricantes de aviões vêm tentando aumentar nos últimos anos a eficiência operacional de suas aeronaves por meio do desenvolvimento de motores mais modernos e eficientes e de otimizações aerodinâmicas, utilizando, por exemplo, estruturas e ligas metálicas mais leves no projeto dos jatos.

Entretanto, com a forte expansão do transporte aéreo e o aumento da frota de aviões em circulação no mundo, essas medidas têm sido insuficientes.

“Todo o esforço que temos feito na otimização do consumo de combustível e na utilização das aeronaves não será suficiente. O único caminho que devemos seguir é em direção aos biocombustíveis”, disse Emílio Matsuo, vice-presidente e engenheiro-chefe da Embraer.

Contudo, segundo Matsuo e outros representantes do setor de aviação presentes no evento, o grande desafio científico e tecnológico é desenvolver um biocombustível a partir de qualquer biomassa que seja produzida em escala comercial e tenha um custo competitivo e que possa ser misturado ao querosene de aviação convencional na proporção de até 50%, sem a necessidade de realizar modificações nos motores e nas turbinas da atual frota de aeronaves que circula pelo mundo.

Entretanto, de acordo com especialistas no setor, apesar de já existirem biocombustíveis produzidos no exterior a partir de diferentes biomassas – que inclusive já obtiveram certificação para serem utilizados na aviação e vêm sendo usados em voos de teste e até mesmo comerciais –, eles ainda não são produzidos em grande escala e chegam a ser até 100% mais caros do que o querosene de aviação.

A companhia aérea alemã Lufthansa, por exemplo, adicionou 50% de bioquerosene feito com óleo de pinhão-manso ao combustível de origem fóssil utilizado em seus voos regulares entre Berlim e Frankfurt durante seis meses. Mas, depois de operar mais de mil voos com a mistura, interrompeu a iniciativa devido a falta do produto renovável no mercado.

“Até 2011, já houve em todo o mundo cerca de 300 iniciativas voltadas a utilização de biocombustíveis em aviação, como voos experimentais e de demonstração e projetos como este, entre a FAPESP, a Boeing e a Embraer. Esse movimento é mais intenso do que se observa em outros segmentos do setor energético, como o de energia eólica, por exemplo”, afirmou Luiz Horta Nogueira, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), de Minas Gerais.

Mas, de acordo com Nogueira, o que mais surpreende nas iniciativas de se utilizar biocombustíveis na aviação no mundo é o fato de que as matérias-primas que estão sendo utilizadas para essa finalidade não sejam originárias do Brasil, que é referência em biocombustíveis.

“Não faz nenhum sentido países europeus terem companhias aéreas realizando mais de 1,4 mil voos comerciais utilizando biocombustível preparado na Finlândia, com matéria-prima asiática. O Brasil tem uma liderança e pode ter um papel importante na construção de um mercado de biocombustível sustentável”, avaliou Nogueira.

Diversidade de matérias-primas Segundo especialistas presentes no evento, existe no Brasil uma série de matérias-primas provenientes de oleaginosas, de fibras e resíduos, entre outras, que se mostram promissoras para a produção de bioquerosene.

A Embrapa, por exemplo, está realizando pesquisas para domesticação do pinhão-manso e começou a estudar o babaçu, cujo óleo é composto por ácidos com cadeias de carbono ideais para o desenvolvimento de um biocombustível para aviação.

Associadas às tecnologias que podem ser utilizadas para produção de biocombustíveis, de acordo com os pesquisadores da área, essas matérias-primas formam uma matriz de rotas tecnológicas que torna bastante complexa a tomada de decisão sobre qual ou quais devem ser seguidas.

“Teremos que desenvolver uma metodologia que aponte não qual a melhor das alternativas para desenvolver um biocombustível para aviação, mas sim que indique o ponto forte de cada uma delas e as lacunas que apresentam em termos de pesquisa para melhorar sua produção bioativa”, disse Luís Augusto Barbosa Cortez, coordenador-adjunto de Programas Especiais da FAPESP e um dos coordenadores do projeto.

De acordo com o pesquisador, a nova indústria que deverá surgir no Brasil voltada para a substituição de querosenes fósseis utilizados na aviação guardará semelhanças, mas não terá nenhuma relação com a indústria do etanol de cana-de-açúcar e a de biodiesel, já consolidas no país.

“Estamos construindo uma nova indústria no Brasil, que envolve tecnologias que o país domina e outras que ainda não e que apresenta enormes desafios de pesquisa que justificam o envolvimento da FAPESP, de forma determinante, neste projeto”, afirmou.

O presidente da FAPESP, Celso Lafer, ressaltou que a FAPESP tem se preocupado e se dedicado a apoiar programas de pesquisa que tornem viável o desenvolvimento de energias renováveis.

Um exemplo da preocupação da instituição com essa questão, de acordo com Lafer, foi a criação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), que reúne mais de 300 cientistas brasileiros, sendo a maioria atuantes em universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo, além de 60 pesquisadores de diversos outros países, e cujo acordo com a Embraer e a Boeing é parte integrante.

“Por conta dessa preocupação da FAPESP com a questão das energias renováveis, tivemos muita satisfação de criar uma mecanismo de cooperação e entendimento com a Boeing e a Embraer, voltado para o tema de biocombustíveis, que representa um horizonte importante para o nosso país e para o futuro das energias renováveis”, disse Lafer.

Por sua vez, Al Bryant, vice-presidente da Boeing Tecnologia e Pesquisa, avaliou que a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis para aviação representa uma oportunidade única para o país.

“O Brasil poderá inovar não só regionalmente, mas também em escala global, assumindo uma posição de liderança em biocombustíveis para aviação e assegurando essa conquista por gerações”, avaliou. Fonte: Agência Fapesp.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Agricultura sustentável de sucesso na zona seca da Índia

Estreitos caminhos empedrados separam as fileiras de casas de barro, onde podem ser vistas algumas cabras amaradas a postes de madeira nesta aldeia que fica no profundo da região de Bundelkhand, centro da Índia, assolada pela seca.

De acentuada beleza e profundas quebradas, Bundelkhand, que ocupa os Estados de Uttar Pradesh e Madhya Pradesh, sofre muitos problemas derivados de atividades humanas mal geridas que só pioraram um contexto climático complicado por prolongadas secas e chuvas escassas.

Na década de 1960, como medida para conservar o solo, foram lançadas do ar sementes de algarobeira (Prosopis juliflora), originárias da América. Mas a espécie estrangeira acabou invadindo e matando os arbustos nativos e, como consequência, a água correu para os barrancos convertendo vastas zonas em campos desertos.

Além disso, as autoridades promoveram de forma descuidada cultivos com importantes requerimentos hídricos, como a menta, fazendo com que os agricultores ricos cavassem poços profundos para extrair água sem considerar a necessidade de recarga. O resultado foi uma desastrosa queda das reservas subterrâneas do recurso.

Os agricultores pobres sofreram o esgotamento hídrico, somado aos caducos sistemas de destruição e armazenamento, de água da chuva. Agora a seca é um fenômeno comum na região e menos de metade das terras cultiváveis podem ser utilizadas, o que coloca em risco 50 milhões de pessoas que habitam a região e que dependem da agricultura. “Há um consumo enorme de água em uma área que sofre uma crise hídrica”, disse Anil Singh, coordenador da Parmarth, uma organização dedicada a recuperar sistemas tradicionais de irrigação e cultivo em comunidades pobres dos barrancos de Bundelkhand.

Na aldeia de Tajpura e como se desconhecesse as duras condições da região, Mamtadevi, de 36 anos, serve um fumegante chappatis (pão sem levedura) untado com manteiga clarificada e uma salada verde fresca com berinjela defumada, batata cozida, tomate fresco e pimenta. “As verduras são saborosas porque foram cultivadas de forma sustentável e sem químicos”, afirmou.

Mamtadevi e seu marido, Ajan Singh, estiveram entre os primeiros que adotaram a “agricultura sustentável com poucos insumos externos” (Leisa, por sua sigla em inglês) proposta pela Parmarth, que lhes permite ter uma boa situação apesar da escassez de chuva e do aumento das temperaturas médias.

A Leisa inclui práticas de recuperação do nitrogênio e outros nutrientes das plantas, e objetiva manter as pragas sob controle mediante métodos naturais, preservar condições ideais do solo e garantir que os agricultores estejam conscientes de seu meio ambiente e do valor de cuidar dos ecossistemas.

A solidez do método se observa na frescura dos cultivos de Ajan Singh. Na conservação da biodiversidade ao usar sementes autóctones resistentes e evitar químicos para manter a saúde do solo. Singh também pode abater os caprichos do clima e da seca deste ano, derivado da falta de chuvas de monção, que não o atemorizam e nem os agricultores que adotaram a Leisa.

Bhartendu Prakash, membro do comitê diretor da Associação de Agricultores Orgânicos da Índia (Ofai) e responsável pelo escritório para a zona norte localizado em Bundelkhand, observou que os cultivos da Leisa foram os que menos sentiram as geadas que atingiram a região no último inverno boreal.

A Parmarth ajudou a comunidade a projetar os terrenos para escorrer a água da chuva e armazená-la, bem com construir poços para irrigação. Os voluntários da organização também ensinaram os produtores do programa a fabricar húmus de minhoca e a criar armadilhas de feronômios para insetos. A maioria dos camponeses já tinha seus próprios métodos para fabricar inseticidas orgânicos, em geral uma mistura de folhas de nim e alho embebidas em soro de leite de búfala.

“Mas, antes das armadilhas de feronômios o roçado era feito a cada três dias, mas agora basta uma vez por semana”, disse Mamtadevi. Em 2009, as verduras do casal eram tão famosas que vendiam produtos no mercado local, a dez quilômetros de distância, a um preço maior do que o normal, o que lhes permitia ganhar quase 80 mil rúpias (US$ 1,8 mil) por ano. Três anos depois, Ajan Singh comprou outra “bigha” (quase nove mil metros quadrados) de terra. Agora vende sua produção em dois mercados, e também leite de cinco búfalas que comprou com seus ganhos.

Atualmente, 15 agricultores de Tajpura usam os mesmos métodos de Ajan. Além disso, as mulheres se uniram para abrir uma conta de poupança e crédito para gerar alternativas de subsistência com a criação de animais. Também têm um banco de sementes, que lhes permite vender o excedente no mercado e oferecer algumas às famílias que atravessam momentos difíceis.

“Agora tentamos vincular a comunidade com programas estatais, como para comprar roçadeiras, e obter alguns benefícios do pacote de alívio para Bundelkhand, que ajuda com a questão da seca”, disse Anil Singh, integrante da Parmarth. Criado em 2009, por três anos, pelo governo federal, o pacote de US$ 1,5 bilhão ajudou a obtenção de água, a adequada utilização dos sistemas fluviais, dos canais de irrigação e dos cursos de água.

Como os fundos estão acabando, Bundelkhand precisa de mais apoio para os métodos sustentáveis de cultivo. Rajesh Krishnan, ativista do Greenpeace Índia, é otimista sobre a possibilidade de o governo continuar promovendo a agricultura sustentável bem como de que esta sobreviva graças à demanda por produtos orgânicos. Também prevê que a agricultura sustentável recebe fundos do 12º plano quinquenal da Índia, que será divulgado em novembro.

Fonte: Envolverde.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Pesquisadores do Cetem usam cinzas de carvão mineral no tratamento de efluentes

Pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) estão aplicando cinzas de carvão mineral no tratamento de metais de efluentes aquosos que podem alcançar corpos hídricos, de forma a reduzir o impacto no meio ambiente.

"Uma das preocupações que a gente tem aqui é minimizar os impactos ambientais, fazendo um trabalho em duas frentes: buscar a redução da quantidade de efluentes líquidos gerados e fazer o tratamento desses efluentes que contêm metais em solução", disse o chefe do Serviço de Tecnologias Limpas do Cetem, Paulo Sérgio Moreira Soares.

Ele explicou que é feito primeiro um tratamento químico sobre os efluentes. Na segunda etapa do tratamento, um dos métodos possíveis para fazer a remoção dos metais pesados é utilizar cinzas da queima do carvão mineral. "Os metais ficam retidos nas cinzas". O objetivo é que os efluentes finais não tenham uma concentração de metais superior à permitida pela Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para o lançamento de efluentes em corpos líquidos, informou o pesquisador.

Moreira Soares disse que o uso dessas cinzas no tratamento de efluentes aquosos ficou mais atraente. Há minerações de carvão geralmente próximas das instalações que utilizam o carvão e produzem cinzas como rejeito sólido da operação". As usinas termelétricas, por exemplo, queimam carvão para gerar energia elétrica.

Ele esclareceu que as cinzas de carvão têm a propriedade, quando colocadas na segunda etapa de tratamento, de remover os metais que ainda restam, depois que os efluentes passaram por uma etapa primária de tratamento. "As cinzas têm a vantagem de capturar os metais, impedindo que os efluentes aquosos alcancem o corpo hídrico com a presença desses metais", lembrou. As cinzas do carvão, se não forem usadas para reduzir o impacto ao meio ambiente, são descartadas ou aplicadas na indústria de cimento.

O trabalho do Cetem com o uso ambiental das cinzas obteve a patente Processo para Remoção de Manganês e Outros Metais Presentes em Baixas Concentrações em Efluentes Industriais, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A patente foi expedida no dia 24 de julho deste ano.

Soares observou, entretanto, que nada impede que as cinzas de carvão mineral sejam usadas para o tratamento de efluentes líquidos em outras instalações, além de minerações. Atividades como as indústrias químicas, minerais e metalúrgicas podem também se beneficiar do processo, "desde que seja economicamente viável pelo transporte das cinzas para outro local", salientou. A aplicação do produto se dá no local onde haja efluentes gerados pela queima de carvão mineral, explicou. Uma indústria instalada próximo de onde a cinza é gerada tem maior economicidade no processo.

Os pesquisadores do Cetem estão se dedicando agora à modificação química das cinzas de carvão para que elas possam ser ainda mais eficientes na captura dos metais pesados nos efluentes. A ideia, sustentou Soares, é "otimizar esse processo". Ele pretende buscar uma patente dessa nova fase do trabalho até o fim do ano.

Fonte: Jornal da Ciência.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Estudo diz que ventos podem atender à demanda energética global

Engenheiro diz que a instalação de 1,5 bilhão de turbinas eólicas poderia suprir eletricidade para todo o planeta, mas especialistas dizem que proposta não é viável
Há vento de sobra para abastecer o planeta com energia limpa, mas seria preciso fazer um maciço investimento em infraestrutura para poder usar este potencial, algo que alguns especialistas consideram irreal.

Enquanto o mundo busca reduzir sua dependência em combustíveis fósseis como carvão e gás natural, fontes de energia renovável como a eólica (dos ventos) e solar têm sido desenvolvidas como alternativas.

Contrariando alguns estudos recentes, a análise de dados climáticos publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) indica que turbinas eólicas poderiam gerar centenas de terawatts de eletricidade, uma quantidade muito acima da demanda mundial.

Segundo o autor do estudo, Mark Jacobson, alcançar este potencial máximo exigiria a instalação em terra e offshore de 1,5 bilhão de enormes turbinas.

"Isto é muito mais do que se precisaria para atender às demandas atuais de energia globais", afirma o engenheiro da Universidade de Standford. "Mas ainda precisaríamos de muitos milhões a mais de turbinas do que as que existem atualmente", continua.

De acordo com o pesquisador, mesmo com os recentes investimentos substanciais em energia dos ventos, "a capacidade eólica total instalada é de cerca de 250 gigawatts" ou cerca de um centésimo do que se precisa para abastecer metade do mundo com eletricidade, refrigeração, etc.

Mas Jacobson prevê um futuro muito diferente. Ele estimou que seria preciso quatro milhões de turbinas geradoras de 5 megawatts - maiores do que a maioria utilizada atualmente - para gerar metade da demanda energética em 2030.

"O mundo hoje produz de 70 a 80 milhões de carros todos os dias. Nós só precisamos de quatro milhões de turbinas a cada 30 anos", argumentou Jacobson, afirmando que isto certamente seria possível.

Mas alguns especialistas se mostram céticos. "Se o principal objetivo do mundo fosse fazer isto, provavelmente seria possível. Mas é uma questão de quanto se gasta em renováveis em comparação com outras prioridades da sociedade", diz Audun Botterud, pesquisador de energia do Laboratório Nacional Argonne, do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Além do investimento econômico, Botterud afirma que os desafios das mudanças de vento não deveriam ser subestimadas.

"Se você tem uma quantidade relativamente modesta de energia eólica, é relativamente fácil gerir esta variabilidade e incerteza, mas em escala, torna-se muito mais desafiador", explica Botterud à AFP.

"De forma ideal, se você tem algum tipo de dispositivo de armazenamento capaz de guardar eletricidade em grande escala, poderia usar para armazenar eletricidade quando tiver um excedente" para usar quando os ventos estiverem fracos, afirma.

Mas "a estocagem ainda é muito cara e é um tanto limitado o quanto se é capaz estocar com as tecnologias existentes".

"Além disso, você tem o custo de construir linhas de transmissão" de áreas com vento para onde a eletricidade é necessária.

Em declarações à AFP, o especialista em políticas ambientais da Universidade do Colorado, Roger Pielke, concorda: "ciência especulativa pode ser inspiradora, mas permanece longe do mundo prático dos sistemas energéticos".

Fonte: iG.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Museu de Ciência, em Trento, tem construção sustentável

Escolha do local na cidade e sistemas sustentáveis de construção diminuem impacto da obra

O MUSE (Museo delle Scienze) em Trento, na Itália, traz a sustentabilidade de várias maneiras em sua construção. O projeto optou por instalar um museu em uma área abandonada da cidade, trazendo uma maior revitalização da região. A construção usa energia solar, produzida com painéis fotovoltaicos.




O desenho da construção foi feito de acordo com a arquitetura passiva, para que a temperatura interna seja mais agradável possível sem necessidade de usar artifícios elétricos. Um sistema captura a água da chuva e usa na irrigação dos jardins internos. Por fim, vários materiais usados na construção são reutilizados ou reciclados.



Veja mais aqui (em inglês).

Fonte: Atitude Sustentável.