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Revista SNCT

Mais um lançamento do Museu Diversão com Ciência e Arte (Dica), da UFU.

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domingo, 16 de setembro de 2012

Erradicação da pobreza exige melhores educação e serviços

As raízes da desigualdade social no Brasil são velhas conhecidas. Remontam ao período colonial, apontam historiadores. Da concentração de terras nas capitanias hereditárias e da força de trabalho escravo baseado na violência até um processo abolicionista conveniente a proprietários escravocratas, o Brasil legava um terreno fértil ao avanço do desequilíbrio na distribuição de renda – a quarta pior da América Latina, segundo levantamento da ONU divulgado há 15 dias. Embora a estabilidade e o crescimento econômico da última década, somados a programas como Bolsa Escola e Bolsa Família, tenham reduzido os déficits sociais e promovido a badalada ascensão da Classe C, o vigor de sexta economia mundial revela-se ainda insuficiente para extinguir a miséria que assombra 16,2 milhões de brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como as famílias de Gorete e Antônia, moradoras do Rio, apresentadas nas duas primeiras reportagens desta série. Com menos de R$ 70 per capita mensais, confiam no assistencialismo, na criatividade e na educação dos filhos para superar a pobreza extrema que contrasta com os cartões-postais e a projeção internacional impulsionada por Copa e Olimpíadas.

No combate à pobreza, algumas das armas que têm se mostrado mais efetivas são os programas de distribuição de renda idealizados e aperfeiçoados por governos de diferentes colorações políticas. Do tucano Fernando Henrique Cardoso ao petista Luiz Inácio Lula da Silva e à sucessora Dilma Rousseff, o poder central vem recorrendo àquele tipo de inciativa para dirimir uma das maiores desigualdades do continente. Apesar dos avanços, o desequilíbrio mostra-se inferior apenas às de Guatemala, Honduras e Colômbia, segundo o relatório das Nações Unidas sobre a região. Um atraso que destoa, por exemplo, dos investimentos estrangeiros no país – quase US$ 66,7 bilhões no ano passado – e das ambições de figurar entre cinco primeiras economias do planeta e de conquistar uma cadeira cativa no Conselho de Segurança da ONU.

O Estado do Rio é um dos emblemas desse paradoxo verde-amarelo. Por um lado, comemora a volta dos investimentos e da autoestima capitaneados pelos grandes eventos internacionais. Por outro, estampa, longe dos holofotes, casos de pobreza extrema. Em 2010, o Rio foi o estado brasileiro que mais recebeu investimento nacional e internacional, conforme apontou o Relatório de Anúncios de Projetos de Investimentos (Renai), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Até 2013, receberá US$ 18,45 bilhões, projeta a Receita.

Os números generosos ainda não alcançam os 586 mil habitantes que, segundo o Censo 2010 do IBGE, batalham contra o nível mais rasteiro de pobreza no Rio, no qual são enquadradas as famílias cuja renda per capita mensal fica abaixo de R$ 70. Indiferentes a classificações, Gorete e Antônia, e outros tantos Brasil afora, renovam a esperança de que parte dos investimentos mude suas vidas. Sonham com o básico: emprego, casa e educação para que os filhos possam "progredir e se manter afastados do caminho das drogas". No dia a dia assombrado pela memória e pelo medo da fome, eles encontram sabedoria para buscar trilhos menos efêmeros do que as fontes assistencialistas. Confirmam, instintivamente, o consenso acadêmico de que a solução vai além do aumento de renda. Nesta reportagem, que fecha a série Feições da Miséria, gestores públicos e especialistas discutem os caminhos para superação da pobreza e da desigualdade crônicas no país.

Educação precária contribui para a permanência na pobreza, observam especialistas As famílias visitadas pelo Portal apresentam traços sociais comuns, que ajudam a explicar o estágio de "pobreza extrema", de acordo com classificação do IBGE: baixa escolaridade, acesso deficiente à saúde, à educação, ao lazer e ao mercado de trabalho. O baixo nível educacional os empurra para o emprego informal e mal remunerado, como bicos de pedreiro e serviços domésticos sem qualificação.

O secretário de Assistência Social do Rio, Rodrigo Neves, reconhece a necessidade de as políticas de transferência de renda caminharem juntas de iniciativas "compensatórias" ou complementares. Um dos responsáveis pela implementação do programa Renda Melhor no estado, o sociólogo de formação ressalta que é importante "enxergar a pobreza em seus diversos ângulos":

– Sabemos que a pobreza é um fenômeno multidimensional. Não adianta resolver só o problema de distribuição de renda. Uma trajetória de inclusão social passa pela educação.

Embora o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado no mês passado tenha apontado um (pequeno) avanço em relação à avaliação anterior e escolas do Rio tenham obtido a segunda, a terceira e a quarta melhores médias do ranking nacional, o estado também conta com uma escola entre as cinco piores da avaliação. Mais um retrato da desigualdade no estado, e a confirmação do longo caminho para a educação pública tornar-se compatível, por exemplo, com as aspirações econômicas e com a carga tributária em torno de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas no país.

Baixa escolaridade, lembram os acadêmicos, admitem os gestores, é um obstáculo, entre outros dramas, ao emprego, ou ao melhor emprego, à inclusão social, ao aumento da renda. Irriga uma ciranda difícil de ser quebrada até pelos planos de transferência de renda, observa Francisco Menezes, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), fundada em 1981 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

– Trabalhar e ter uma renda são o que permite uma família sair da pobreza extrema. A falta de serviços é a principal barreira a ser vencida. Uma família no fundo do poço não tem condição de o pai e mãe procurar um emprego e nem de mandar um filho para a escola. Uma mãe que não consegue vaga em uma creche não encontra condições de entrar no mercado de trabalho – exemplifica Menezes.

O cientista político e coordenador do Instituto Mais Democracia (IMD) João Roberto Lopes Pinto, concorda com esta lógica e acrescenta que a baixa renda não é o único ponto a ser combatido pelo estado:

– A pobreza não tem a ver apenas com a renda, mas também com a falta de acesso a direitos básicos como transporte público de qualidade, saúde pública e educação pública de qualidade. O programa de transferência de renda é positivo, porém a política publica está mais focada nesta coisa de gerenciar a pobreza e não de pensar soluções mais estruturantes para a desigualdade no país.

Falta de qualificação prejudica aproveitamento de recorde de empregos Deficiência na qualificação prejudicam o aproveitamento do recorde de geração de empregos registrado em abril desta ano na Região Metropolitana. Foram abertos 14.235 postos de trabalho, informa o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em todo o estado, as novas vagas chegaram a 18.541. No entanto, parte delas se manterá ociosa por falta de profissionais qualificados.

Pesquisa feita, no ano passado, pela Federação das Indústrias do Rio (Fierj), constatou que 60% das fábricas instaladas no país pretendiam aumentar o número de funcionários. No entanto, a maioria delas (53%) encontrou dificuldades para preencher os novos postos de trabalho justamente por causa da escassez de mão-de-obra capacitada.

Especializada em pesquisas referentes a pobreza e desigualdade social, a socióloga Maria Sarah da Silva Telles, do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, avalia que a solução demanda um "trabalho estrutural":

– Se não for acompanhado de uma política de geração de empregos bem remunerados, de qualificação dos jovens da rede pública, a situação continuará precária: os cidadãos mais fragilizados precisam da ajuda do Estado para poder se sustentar, viver dignamente, pagar suas contas, acompanhar os estudos de seus filhos etc. Só assim teremos uma sociedade justa e menos desigual.

Alto custo de vida deixa os mais pobres ainda mais vulneráveis Os altos investimentos aportados no Estado são acompanhados de um dos maiores custos de vida do continente. Os grandes eventos programados para a cidade aquecem a economia, mas também a inflação. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a Região Metropolitana do tem a maior inflação entre as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE. Enquanto no país a inflação média ficou em 2,32% até junho, na região fluminense fechou em 3,16% no mesmo período. A carestia deixa as famílias mais pobres ainda mais vulneráveis, afirma Francisco Menezes:

– O Rio está caro demais. Os grandes eventos trouxeram uma explosão nos preços. A população mais pobre fica mais suscetível diante da alta dos preços, agravando a miséria no estado. Há politicas emergenciais, como cozinhas populares, mas não são suficientes.

O mar de investimento que cobre o Rio é visto com desconfiança por João Roberto Lopes, autor do livro Economia solidária: de volta à arte da associação (Editora Empório do Livro). Para ele, a lógica dos investimentos na cidade serve, sobretudo, para reforçar a concentração nas mãos de um grupo e não para beneficio "de quem realmente precisa":

– Estes investimentos estão voltados para os ganhos e negócios de poucos, uma lógica de concentração, de elitização da cidade, muito mais do que investimentos mais distributivos e descentralizados pela cidade. Não geram uma distribuição, pelo contrário, deslocam recursos que deveriam ser utilizados em políticas sociais efetivas em termos estruturantes. A ausência de recursos em políticas sociais mais efetivas acaba reproduzindo este quadro de pobreza não só no Rio mas no pais inteiro – opina.

Se no país o limite da renda per capita para uma família ser classificada em pobreza extrema é de R$ 70, no Estado do Rio este valor aumenta por causa do alto custo de vida. Para tornar mais justos os "parâmetros da miséria" no estado, Rodrigo Neves subiu o teto para R$ 100 per capita.

– Adotamos uma linha de miséria de R$ 100 por mês para cada integrante da família. Essa linha é maior que a linha do Brasil sem miséria, de R$ 70/mês. Nós consideramos que a pobreza no Rio, por ser um estado metropolitano, o custo de vida é mais alto e o limite para a linha da pobreza deveria refletir isto. Por isso uma linha mais generosa – justifica.

Menezes ressalta que o direito ao alimento, garantido pela Constituição, não deve ser barganhando como mero produto de mercado:

– O alimento é um direito. Está na Constituição. Tem que ser garantido, caso contrário há uma grave violação do direito constitucional. O alimento não pode ser tratado como mais um produto comercial a ser negociado na bolsa.

Bolsa Família apresenta resultados positivos mas insuficientes, ressalvam analistas.

Quase 20 anos depois de o Bolsa Escola ser implantado, em 1994, no governo Fernando Henrique, e perto de o Bolsa Escola, implantado no governo Lula, completar dez anos, os programas de transferência de renda apresentam resultados positivos. Entre 2002 e 2006, a miséria no país caiu 27%, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Órgãos internacionais como o Bird e a Organização Internacional do Trabalho elogiaram publicamente o projeto e ressaltaram a necessidade de se ampliar seu uso.

Rodrigo Neves rebate as críticas aos programas do gênero nesses anos. Lembra que os planos de distribuição de renda contam, atualmente, com um cadastro único utilizado pelas três esferas de governo no país. Enfatiza que são "republicanos alheios a manipulações eleitorais".

– Pela forma como [o Bolsa Família] foi implantado, sua gestão blindou o programa para fins eleitorais. Porque ninguém é dono do cadastro único ou do beneficio. A porta de entrada é absolutamente republicana. Além disso, um conselho de controle social formado pela sociedade civil pode receber denúncias de não-cadastramento. A seleção é feita por critérios técnicos do governo federal. O caráter técnico do trabalho diminuiu o clientelismo. Algumas auditorias foram feitas via TCU e ficou demonstrado que, independente da filiação partidária de prefeito ou governador, não houve privilégio a qualquer município – assegura.

O "republicano" Bolsa Família não deixa de ser uma importante máquina eleitoral. Em 2010, ano de eleição presidencial, uma pesquisa do Ibope constatou que 22% dos eleitores nordestinos recebiam o Bolsa Família. Na região, para cada voto em José Serra, a presidente Dilma, que representava a continuidade de Lula, logo a permanência do projeto, teve o dobro.

Neves acrescenta que o programa tem "forte controle" de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU). Ele diz também que o "efeito preguiça”, apontado como uma das principais ameaças, "não foi observado" e o Bolsa Família, assim como o Renda Melhor e o Renda Jovem no Rio, ajuda a aquecer a economia:

– Esses programas têm um peso pequeno quando se compara com o PIB. O Bolsa Família beneficia 13 milhões de famílias e custa meio por cento do PIB. Prova de que não pesa tanto nas contas nacionais. E tem um efeito multiplicador nas economias locais, gera mais negócios, mais empregos e mais impostos. Em certo sentido, se autofinancia e ajuda o país a crescer, quebrando aquele dilema que diz é preciso crescer primeiro para depois distribuir. O efeito preguiça não foi comprovado. Observa-se um discreto aumento dos beneficiados no mercado de trabalho.

Embora reconheça os resultados positivos de programas do gênero, Francisco Menezes pondera que algumas cidades do interior do país ainda estão sujeitas ao clientelismo e a desvios de dinheiro público destinado a ações de distribuição de renda:

– O Bolsa Família é um ótimo projeto no plano federal. Mas, em alguns municípios, ainda se vê clientelismo e desvio do erário público. É um desafio grande. Sem contar que há moradores de rua que não estão no cadastro do governo federal. Nos rincões do país, onde não se tem informação, a pobreza persiste.

João Roberto Lopes diz que o programa é "importante, mas limitado para dar conta da complexa realidade social dos que vivem na miséria". Ele propõe a inclusão de outras políticas que ajudem a melhor garantir os direitos sociais:

– É uma proposta positiva (o Bolsa Família) e contribui para reduzir a pobreza, mas como se vê pelas últimas pesquisas a desigualdade é persistente e marca a estrutura social brasileira. Contudo, é um programa com potencial limitado para responder à desigualdade estrutural, e me parece que hoje a lógica do governo federal, mas também em outros níveis, é focar muito nesses programas em detrimentos de outras políticas que possam assegurar uma promoção efetiva de direitos sociais.

Maria Sarah estende a responsabilidade à sociedade civil. Com a experiência da pesquisa na favela Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, para a sua tese de doutorado, a professora avalia que nos acostumamos com a pobreza urbana:

– A sociedade brasileira não conseguiu, até hoje, fazer uma opção cidadã. Nossa opção tem sido a de nos habituarmos a conviver com a pobreza, como parte de nossa paisagem urbana, e com um salário mínimo de R$ 622 para uma grande massa de brasileiros.

Perto do Corcovado e da bela vista para a Baía de Guanabara, Gorete e seus cinco filhos esperam por condições que possibilitem a mudança do casebre mal iluminado, quase em ruínas, e a entrada no mercado de trabalho. Em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Antônia, o marido e os filhos confiam nos sacolés no freezer de segunda-mão para esticar a renda decorrente da assistência dos governos estadual e federal. Pertencem ao meio milhão de moradores do Rio que se equilibram no fio da "pobreza extrema" e torcem para que investimentos como o novo Maracanã e o novo Porto se convertam em perspectivas de melhor emprego, educação e serviços públicos.

Fonte: PUC Rio Digital.

sábado, 15 de setembro de 2012

Estádios da Copa 2014 vão ter práticas sustentáveis

Algumas práticas sustentáveis como usar a água da chuva para irrigação do gramado e a energia solar como meio de iluminação para os refletores serão usadas nos estádios da Copa de 2014. Ao todo, 22 iniciativas sustentáveis foram apresentadas no Seminário Copa 2014: Oportunidades para a Sustentabilidade Urbana que aconteceu na quarta-feira (12) e quinta-feira (13) em Brasília.

O Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, terá reservatórios com água da chuva e captação de energia solar Um dos exemplos de ações de desenvolvimento ambiental e social são as obras do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. Um reservatório de água será usado para irrigar o gramado e fazer a limpeza geral do espaço, com capacidade para 72 mil lugares. A água também será usada para lavagem de rodas dos caminhões a fim de minimizar a poeira.

A arena ecológica ainda vai ter estrutura para captar energia solar e ser autossustentável, com a geração de 2,5 megawatts, energia suficiente para abastecer mil residências por dia.

“O estádio tem uma preocupação de sustentabilidade desde o seu projeto. Os requisitos necessários para se exercer isso sem impacto no meio ambiente foram pensados de forma a integrar-se com a obra”, disse Cláudio Monteiro, secretário extraordinário para a Copa em Brasília.

O projeto do Estádio Nacional de Brasília pode ser a primeira arena de futebol do mundo a receber o certificado máximo de sustentabilidade, o selo Leed Platinum.

De acordo com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a intenção do governo federal é que a sustentabilidade ultrapasse as fronteiras dos estádios e ganhe as ruas das cidades. “Isso vai beneficiar a população de todas as capitais que sediarão a Copa do Mundo: mobilidade urbana, mobilidade no caso do transporte aéreo, nos aeroportos, portos, trens, metrô”, disse.

Práticas sustentáveis
Durante o seminário, os representantes das cidades sede debateram propostas de ações sustentáveis especialistas. Revitalização urbana, melhoria das condições de tráfego, redução na emissão de gases de efeito estufa e formas eficientes de uso da energia foram alguns dos assuntos discutidos.

Este foi o segundo seminário a discutir sustentabilidade e legado da Copa. O primeiro foi em setembro de 2011, em Manaus.

Mascote
A preocupação com o meio ambiente também pautou a escolha do mascote oficial da Copa, que será anunciado no próximo domingo (16) em programa dominical da TV aberta. O animal brasileiro escolhido foi o tatu-bola, que figura na lista vermelha das espécies em risco de extinção, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

A escolha dessa espécie de tatu se deu porque, ao se defender, ele se fecha em forma de bola, protegendo as partes moles do corpo no interior da carapaça rígida.

Estudo recentes mostram que o tatu-bola sofreu um declínio superior a 30% ao longos dos últimos 12 anos. Segundo o MMA, as principais ameaças à sua sobrevivência são a caça, a agricultura, a redução dos seu habitat e os assentamentos rurais.

Fonte: uipi!.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cientistas brasileiros aliam alta tecnologia à conservação da biodiversidade

Um grupo de pesquisadores brasileiros compartilha sua experiência no desenvolvimento de projetos que envolvem tecnologia e consciência ambiental: a obra Conservação da Biodiversidade com SIG, coletânea de artigos organizada por Adriana Paese, Alexandre Uezu, Maria Lucia Lorini e André Cunha, descreve iniciativas realizadas em diferentes regiões brasileiras nas quais softwares de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) foram utilizados como base para a ação. Há 14 textos que exploram temas como restauração florestal, conservação da biodiversidade marinha, projetos participativos em terras indígenas e também diagnósticos da pressão exercida por fatores como a expansão agrícola ou urbana em diferentes regiões.

Lançada pela editora Oficina de Textos com apoio da The Society for Conservation GIS (SCGIS), da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) e da Conservação Internacional (CI), a obra destaca a importância da utilização de bancos de dados georreferenciados, do cruzamento de mapas e da obtenção de informações detalhadas sobre os aspectos ambientais de uma região para a definição de áreas de atenção prioritária e a criação de projetos viáveis de conservação da biodiversidade.

O livro, em conjunto com outras iniciativas dos pesquisadores brasileiros, já alcançou reconhecimento internacional: Adriana Paese, que também é presidente da SCGIS Brasil, acaba de receber o prêmio Special Achievement in GIS Award 2012, concedido pelo Environmental Systems Research Institute (Esri), empresa pioneira de pesquisa ambiental georreferenciada e desenvolvimento de softwares SIG.

Fonte: Primeira Edição.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Formação continuada para professores de ciências

O Museu Diversão com Ciência e Arte da Universidade Federal de Uberlândia, em parceria com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro, oferece curso gratuito de Formação Continuada de Professores. O curso é direcionado aos professores de ciências do ensino fundamental. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas até o dia 19 de setembro no site do Museu: http://www.dica.ufu.br/.

Clique na imagem abaixo para obter mais informações do evento:

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Novas tecnologias ajudam a modernizar profissões antigas

O que tem comum velhíssimas profissões como ourives, alfaiate e barbeiro? As novas tecnologias. Num atelier, o desenho de cada joia começa manualmente, mas é no computador que o trabalho dos designers ganha três dimensões. O programa cria uma planta que vai virar o molde da joia propriamente dita.

O trabalho dos ourives une tradição e modernidade: Nilton Macedo usa ferramentas clássicas da profissão, algumas com mais de 200 anos e, ao mesmo tempo, pode utilizar um microscópio e uma caneta especial para fazer solda a laser de alta precisão.

Mas na hora de dar o acabamento numa joia de luxo, é das mãos desses artesãos que sai o polimento mais esmerado, o brilho mais atraente. Não há tecnologia que substitua a intuição e o sentimento de quem tem anos de prática. “O toque final é justamente essa interpretação do ourives do desenho. Nas mãos dele vira obra de arte”, explica o diretor de criação, Lisht Marinho.

“A gente procura sempre juntar as duas técnicas, tanto as mais antigas e as mais modernas que vem aparecendo. Porque o futuro depende também do passado”, fala o ourives Nilton.

David Ceglio é alfaiate e deixou de lado o velho bloquinho na hora de tirar medidas. Anota tudo no tablet. A profissão pode ser antiga, o ofício artesanal, mas a tecnologia tem feito a diferença.

“Nós fazemos um arquivo com todas as medidas, de camisa, calça, colete, e quando o cliente for numa loja já temos tudo, é passado por email e aí evita de ficar guardando arquivo enorme em todas as lojas”, fala o alfaiate.

A cadeira é clássica, mas, numa barbearia, os antigos instrumentos também não têm mais vez. A navalha tem lâminas descartáveis. As toalhas, que antigamente eram fervidas, hoje entram numa pequena estufa digital e saem quentinhas e esterilizadas para o rosto do freguês. “Há muito tempo atrás era mais visível salões, mas agora estão inovando e como os homens estão meio largados no mercado e aí fizemos um espaço especialmente para o público masculino”, fala o barbeiro Bruno de Lira.

Fonte: Jornal Floripa.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Computador ecológico: a tecnologia colaborando com o meio ambiente

A empresa irlandesa MicroPro criou um computador ecológico com ajuda do instituto alemão Fraunhofer IZM. O iamecoV3 tem a carcaça feita de madeira e tela touchscreen.

O nome iamecoV3 vem da expressão em inglês "I am Eco". O PC tem 98% dos componentes recicláveis. Além disso, a empresa considera que 20% desse material pode ser reutilizado com facilidade.

Outro ponto de destaque do computador é que ele usa dissipadores de calor, ao invés dos sistemas de ventilação tradicionais. Assim, o computador não sofre de superaquecimento e ainda converte o calor em mais energia para funcionar por mais tempo.

A tela do computador é feita de LED. Segundo a empresa, isso também aumenta de 30% a 40% a eficiência energética do aparelho.

Os criadores tentaram diminuir ao máximo a quantidade de halógeno (substância tóxica) dos componentes eletrônicos, como nos processadores. As peças também podem ser substituídas com facilidade, o que aumenta a durabilidade do produto.

A produção de um iamecoV3 usa 360 quilogramas de gás carbônico (CO2). Apesar de parecer um nível alto de emissões de gases poluentes, a porcentagem é 70% mais baixa do que a de um computador normal. Portanto, a pegada de carbono do iamecoV3 é considerada muito pequena.

O aparelho já ganhou o selo de sustentabilidade da União Europeia, o EU Ecolabel. Porém, ainda não há previsão de comercialização do produto.

Fonte: Exame Info.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sprout: o lápis comestível

Quem gosta de usar lápis sabe que a certa altura eles ficam no cotoco, difícil até de segurar entre os dedos. Imagine se você pudesse se desfazer do pedacinho restante simplesmente enterrando-o no canteiro mais próximo e, tempos depois, encontrasse um broto de coentro, uma flor ou um vegetal?

É exatamente isso o que a empresa Democratech fez ao laçar no mercado americano o Sprout, um lápis com cápsulas de semente variadas, acopladas no lugar da borracha, que pode ser plantado. O resultado são brotos de tomate, coentro, salsa, alecrim e até flores, como margaridas, dependendo da escolha do freguês.

A ideia nasceu do curso de design de produto Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) em Cambridge, Estados Unidos, onde os alunos foram convidados a criar um produto sustentável para o escritório do futuro.

Ao inserir as sementes no corpo em madeira de cedro convencional, seus criadores aproveitaram para tornar o lápis também atrativos para as crianças, na esperança de estimulá-las a praticar a reciclagem através da jardinagem.

Fonte: Exame Info.

domingo, 9 de setembro de 2012

Assista a 10 animações sobre sustentabilidade

Conheça dez animações selecionadas pela Super Interessante Online com as quais você pode aprender mais sobre o meio ambiente e sustentabilidade. Passe adiante seus conhecimentos e práticas para preservar o lugar onde vive e descobrir novos olhares sobre o planeta.


Clique aqui.

Fonte: Greenstyle Greenvana.

sábado, 8 de setembro de 2012

Bicicleta de papelão, a novidade do transporte ecológico

Um empreendedor israelense, conhecido como Izhar Gafni, espera revolucionar o "transporte ecológico" com sua mais nova criação: uma resistente bicicleta de papelão, que possui um custo de produção em torno de US$ 10 e pode ser construída com material de reciclagem.

Além de barata, a bicicleta, que é resistente à umidade e à oxidação, ainda pode suportar até 140 quilos de peso. Como seu chassi é inteiramente revestido por uma camada de material impermeável de cor marrom e branca, o papelão acaba ganhando um aspecto de plástico.

"Trata-se de uma bicicleta urbana, a mais simples que pode imaginar, mas suficientemente resistente para se transformar em um bom meio de transporte ecológico", explicou à Agência Efe o empreendedor israelense.

Morador de uma cooperativa rural em Emek Jefer, no norte de Israel, o mecânico autodidata criou sua bicicleta com base em outra invenção: uma canoa feita de papelão com materiais altamente resistente à água.

"Quando trabalhava na Califórnia adquiri conhecimento em canoa. Depois, passei vários meses estudando o tema. Ao retornar para Israel, tive a ideia da bicicleta e passei a me cobrar. Afinal, nunca havia visto uma bicicleta de papelão", afirmou Gafni.

A escolha pelo projeto da bicicleta também não foi por acaso, já que Gafni, nascido e criado no kibutz Bror Jail (no sul do país), sempre teve uma em casa. Aliás, a bicicleta é o meio de transporte mais habitual entre os membros destas comunas rurais israelenses. Batizada como BV6, a invenção de Gafni foi elaborada em quatro anos e contou com seis protótipos, já que o empreendedor queria testar a fundo os limites e possibilidades do papelão.

"Consultei vários engenheiros e, no começo, construí uma bicicleta pequena que mais parecia uma caixa de mercado com rodas", brinca o inventor antes de reconhecer que "o mais duro foi desenvolver a tecnologia para conseguir dar forma a sua bicicleta".

Ao longo de suas pesquisas, Gafni começou a trabalhar com os princípios da papiroflexia japonesa e, com isso, conseguiu aumentar em até três vezes a capacidade de resistência do material. Neste aspecto, a técnica até parece ser simples, já que consiste apenas em dobrar e sobrepor o papelão.

Considerada um meio de transporte ecológico por não emitir gases poluentes, a bicicleta aparece como uma boa alternativa para contornar o problema da poluição causada pelos automóveis. A bicicleta de Gafni, além de seguir esta mesma linha, ainda se apresenta duplamente ecológica, já que é elaborada com papelão de reciclagem.

Outra das vantagens é que não precisa de montagem prévia. A bicicleta de papelão é uma única peça, incluindo as rodas. Por conta deste fato, a invenção de Gafni praticamente não exige manutenção.

O inventor israelense acredita que no prazo de um ano e meio sua bicicleta de papelão já estará disponível nos mercados, principalmente em Israel, na Europa e nos Estados Unidos. Apesar de seu custo girar em torno de US$ 10, a bike deverá custar entre US$ 60 e US$ 90.

Segundo Gafni, sua invenção foi bem aceita no mercado, principalmente por não exigir muita técnica para sua fabricação, e também já despertou o interesse de vários países europeus. Entre seus possíveis clientes, aparecem algumas prefeituras, que querem adquirir as bicicletas para alugar aos moradores da cidade.

Atualmente, após o sucesso de sua primeira invenção, Gafni trabalha em um novo modelo, que, inclusive, conta com um motor elétrico removível, De acordo com o inventor, esse modelo atende uma demanda deixada por seu primeiro modelo e é destinado às grandes companhias, que precisam de veículos rápidos e baratos para facilitar o transporte de seus funcionários.

Após a construção das bicicletas, motorizadas ou não, Gafni já pensa em construir cadeiras de rodas e carrinhos de bebê com a mesma técnica, ou seja, de papelão.

"Gosto dos meios de transporte e até já construí uma moto usando todos os tipos de materiais", completou o empreendedor, que acompanha o processo de desenvolvimento e financiamento de suas invenções com amparo de uma companhia de soluções tecnológicas.

Fonte: Exame Info.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Biocombustíveis de Aviação: uma nova cadeia produtiva em favor da sustentabilidade

No Brasil, a aviação movimenta por ano R$ 32 bilhões, o equivalente a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, e esse mercado tem crescido acima da média mundial.

O principal combustível de aviação é o querosene derivado do petróleo. Entretanto, o setor dos transportes aéreos está buscando alternativas renováveis para os combustíveis fósseis, de forma a se diferenciar frente aos concorrentes e antever requisitos de mitigação de emissões de dióxido de carbono.

Recentemente, a ASTM (American Society for Testing and Materials) aprovou o uso de combustíveis renováveis em aviões comerciais e militares, permitindo a mistura de até 50% de combustível sintético obtido de óleos vegetais ou de gorduras animais por hidroprocessamento com querosene convencional comercial e militar.

Além do hidroprocessamento de óleos e gorduras, existem outras rotas tecnológicas para produção de biocombustíveis para aviação, como a conversão direta de açúcares em hidrocarbonetos e a síntese Fischer-Tropsch a partir de gás de síntese obtido de biomassa.

Entretanto, essas rotas tecnológicas necessitam de maior desenvolvimento para que sejam adotadas industrialmente, tanto em relação a questões tecnológicas visando a diminuir os custos dos biocombustíveis de aviação, como em questões relacionadas com disponibilidade e logística da biomassa necessárias para produção em escala industrial. Desse modo, a produção de combustíveis renováveis de aviação obtidos a partir de biomassa é de grande interesse para a Embrapa e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Com o objetivo de promover discussões e estabelecer parcerias para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas com esse tema, a Embrapa Agroenergia promoverá na tarde de 13/9 e em todo o dia 14/9, em Brasília (DF), o Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação (SNBA).

Esse Simpósio visa a evidenciar as oportunidades e os desafios técnico-científicos para o desenvolvimento dos biocombustíveis de aviação, debatendo as principais tecnologias em desenvolvimento nessa área, bem como as estratégias necessárias para que esses biocombustíveis sejam produzidos em escala industrial. O público-alvo inclui pesquisadores, profissionais de empresas, universidades, associações e sociedades científicas e setoriais, assim como agências de fomento e entidades ministeriais envolvidas com o tema. O SNBA conta com o apoio do MAPA, do CNPq e de algumas empresas privadas.

Fonte: Expresso MT.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

"No futuro, tecnologia substituirá 80% dos médicos", diz cofundador da Sun

Vinod Kholsa, investidor de origem indiana do Vale do Silício e cofundador da Sun Microsystems, afirmou na última semana, durante uma conferência de inovação tecnológica na área da medicina em São Francisco, Estados Unidos, que a tecnologia irá substituir aproximadamente 80% de todos os médicos espalhados ao redor do mundo.

Kholsa foi o cofundador da Sun Microsystems e fez seu legado como um dos principais investidores durante o boom da internet na década de 1990, com suas empresas de gerenciamento de redes.

De acordo com o blog Health Care, em sua apresentação, o investidor afirmou que acredita que a tradição médica foi a responsável por atolar os médicos em práticas similares ao vodu. Além disso, Kholsa afirmou que as máquinas, impulsionadas por grandes conjuntos de dados e poder de cálculos, não só formariam uma opção mais barata, precisa e objetiva, mas muito melhor em comparação aos custos de um médico médio.

"Eventualmente, nós não precisamos de um médico", ressalou o investidor em sua apresentação.

Quando Kholsa confrontou o público perguntando se alguém tinha a capacidade de discordar dele, toda a audiência do evento ficou em silêncio. Ao final de sua apresentação, muitos profissionais da área começaram a enviar suas críticas ao projeto do investidor através de blogs e do Twitter.

Segundo o Venture Beat, Vinod Kholsa ainda irritou os médicos quando afirmou que a ruptura na área da saúde é suscetível de ser conduzida por empresários fora da indústria, e não por especialistas da área médica. As observações feitas por Kholsa sobre o setor não são nenhuma novidade, já que no começo deste ano ele escreveu um artigo, intitulado "Do we need doctors or algorithms?' (Precisamos de médicos ou de algoritmos?, em tradução livre), no qual defende a importância da inteligência artificial no futuro da medicina.

As críticas aos comentários de Kholsa foram de encontro à questão do Big Data da saúde e, principalmente, ao fato de que os mecanismos eletrônicos do setor poderiam ser criados e conduzidos por empresas e pessoas sem especialização na área médica. Especialistas afirmam que a experiência e o conhecimento médico são fundamentais para a condução de projetos de tecnologia médica.

Acredita-se que Vinod Kholsa utilizou o argumento da falta de necessidade de médicos para o desenvolvimento de tecnologias para o setor como uma hipérbole, visando chamar a atenção para sua defesa sobre o futuro da medicina. Outros críticos ainda afirmaram que Kholsa tem razão quando defende uma grande modificação no sistema médico mundial.

E ainda durante seu discurso, Vinod Kholsa afirmou que está investindo em produtos e tecnologias para a área médica como, por exemplo, o investimento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2 milhões) no Cellscope, acessório para o iPhone que transforma sua câmera em um microscópio para diagnosticar infecções de ouvido.

Fonte: Portal AZ.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

País tem desafio de erradicar pobreza e produzir ciência e tecnologia

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (03/09) que o Brasil tem o desafio de erradicar a pobreza e, ao mesmo tempo, produzir ciência e tecnologia, agregando valor à produção. “Esse é o caminho para o Brasil chegar à economia do conhecimento e se encaminhar cada vez mais para ser uma grande nação”, ressaltou.

Ela destacou ainda, no programa semanal Café com a Presidenta, que a previsão de investimentos chega a R$ 500 milhões voltados para o estímulo ao desenvolvimento e à produção de softwares no país. Segundo Dilma, o Brasil conta com quase nove mil empresas que desenvolvem softwares, mas o objetivo do governo é ampliar esse número. “Por isso, vamos investir nas pequenas empresas de tecnologia, que geram muitos empregos – principalmente contando com jovens que têm uma imensa capacidade de criar. Uma das medidas mais importantes desse programa é que nós vamos oferecer cursos para 50 mil trabalhadores do setor de tecnologia da informação.”

A presidente também destacou medidas lançadas dentro do programa de política industrial Brasil Maior para fortalecer e ampliar a indústria de tecnologia da informação. Uma das ações trata da redução do valor que as empresas de softwares e de tecnologia da informação pagam à Previdência (desoneração da folha de pagamento).

“Ela é importante porque reduz o custo do trabalho e aumenta a competitividade das empresas”, disse. “Nós também reduzimos os impostos para as empresas que queiram produzir semicondutores e tablets no Brasil”, completou.

Dilma comentou os resultados da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), ocorrida na semana passada no Rio de Janeiro. Ao todo, mais de 18 milhões de alunos de 44 mil escolas públicas de todo o país participaram da competição – 500 deles foram premiados.

“A matemática é o primeiro passo para o desenvolvimento científico e para a inovação tecnológica, porque é a base de todas as ciências e é fundamental para o aprendizado das engenharias, da física, da tecnologia da informação, da ciência dos computadores, por exemplo. A matemática ajuda a despertar o interesse dos nossos jovens pela ciência e pelo conhecimento.”

Veja, a seguir, o vídeo com o Café com a Presidenta:



Fonte: SEESP.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ciência é peça-chave para o desenvolvimento sustentável

Para que o desenvolvimento global seja possível, a ciência e os cientistas precisam atingir um grau maior de influência em todo o mundo, afirmou Michael Clegg, presidente da Rede Interamericana das Academias de Ciência (Ianas, na sigla em inglês), durante a abertura do 1º Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência 2013, realizado na sede da FAPESP entre 29 e 31 de agosto.

A humanidade, afirmou Clegg, enfrentará grandes desafios no século 21, como mudanças climáticas, doenças emergentes, crescimento populacional e as consequentes dificuldades no abastecimento de alimentos, água e energia.

“É crucial ouvir a voz da ciência ao tratar de problemas mundiais, pois esse é o meio mais bem-sucedido de criação do conhecimento e lida exclusivamente com argumentos baseados em evidências”, disse.

Embora muitos problemas sejam globais, de acordo com Clegg, a adoção de soluções deve ocorrer no âmbito nacional e, portanto, as academias de ciência locais cumprem um papel importante.

“São instituições livres de interferência política, com credibilidade para informar o público e os tomadores de decisão sobre problemas iminentes e potenciais soluções”, avaliou.

Clegg propôs a adoção de uma agenda comum para as academias de ciência, que inclui itens como fornecer conselhos sobre ciência e tecnologia para os governantes, encorajar novos centros de excelência nas áreas de interesse das nações e promover a evolução dos programas educacionais.

Também estiveram presentes na cerimônia de abertura do encontro Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A FAPESP foi representada por Celso Lafer, presidente, José Arana Varela, diretor-presidente, e Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico.

O Fórum Mundial da Ciência 2013 ocorrerá no Rio de Janeiro, com organização da Academia de Ciências da Hungria, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o International Council for Science (ICSU), a Academy of Sciences for the Developing World (TWAS), a European Academies Science Advisory Council (EASAC), a American Association for the Advancement of Science (AAAS) e a ABC. O Fórum tem a missão de promover o debate entre comunidade científica e sociedade.

“A realização do Fórum Mundial da Ciência no Brasil em 2013 dará grande visibilidade à ciência brasileira. É um indício de que conquistamos legitimidade e uma forte presença internacional”, disse Palis.

Nader destacou o trabalho de todas as academias de ciência da América Latina para que o fórum seja realizado fora da Hungria pela primeira vez. “Como esse evento é voltado a uma plateia mais restrita, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação resolveu organizar encontros preparatórios para fazer a discussão sobre a ciência reverberar pelo país”, disse.

Além de São Paulo, serão realizados ao longo do ano encontros em Belo Horizonte, Salvador, Recife, Manaus, Porto Alegre e Brasília. Ao fim do debate nacional, as proposições e principais conclusões sobre o papel da ciência no desenvolvimento global serão consolidadas em um documento que será divulgado antes da reunião internacional no Rio de Janeiro em novembro de 2013.

Evolução da ciência brasileira
Brito Cruz ressaltou a satisfação da FAPESP em dar início às discussões sobre o Fórum Mundial da Ciência no Brasil. “A escolha do país vem em reconhecimento de nossa evolução no que diz respeito à ciência e tecnologia, notável nos últimos anos. Uma das mudanças importantes tem sido o aumento do papel das empresas na atividade científica”, ressaltou.

O crescimento da produção brasileira no setor também foi destacado pelo ministro Raupp. Segundo ele, os gastos do país com pesquisa e desenvolvimento cresceram 85% nos últimos dez anos, embora ainda estejam aquém do ideal.

O número de grupos de pesquisa registrados no CNPq, disse o ministro, saltou de 12 mil em 2000 para mais de 27 mil em 2012 – aumento de 134%. O número de artigos publicados em revistas internacionais passou de 3,5 mil em 1990 (0,63% da produção científica mundial) para 32,1 mil em 2009 (2,69% da produção mundial).

De acordo com Raupp, a expectativa é que o Fórum Mundial contribua para acelerar a corrida do país em direção ao desenvolvimento sustentado. “O Brasil está rumando para a nova economia, cujos pré-requisitos são competitividade e sustentabilidade, que só se alcança com o uso intensivo do conhecimento científico e tecnológico.”

Fonte: Agência Fapesp.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Produção Científica em Acesso Aberto

Por meio das ações e projetos desenvolvidos pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), em parceria com institutos de ensino e pesquisa nacionais, estão à disposição do público, na Internet, mais de 300 mil documentos científicos, em texto completo, de acesso aberto.

Esse total é o somatório dos documentos presentes em repositórios institucionais que armazenam a produção científica dos pesquisadores, cerca de 117 mil, e os registros presentes na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), cerca de 198 mil entre teses e dissertações. Os dados são de agosto de 2012 e os documentos podem ser acessados e baixados gratuitamente.

A informação é da coordenadora técnica do Laboratório de Metodologias de Tratamento e Disseminação de Informação do Instituto, Bianca Amaro, lembrando que o Ibict apoia o desenvolvimento, assim como oferece suporte a essas instituições, sendo, hoje, 97 instituições parceiras do projeto BDTD e 40 instituições do projeto repositórios institucionais.

"Nós parabenizamos as instituições parceiras no empenho em organizar e disponibilizar a produção científica de seus pesquisadores. Com estas iniciativas, poderemos obter um retrato da produção científica nacional, além de tornar a comunicação científica mais fluída, contribuindo para o avanço da ciência no Brasil", ressaltou.

Bianca Amaro explicou que os esforços são contínuos e a tendência é que o número de documentos em acesso aberto cresça de forma vertiginosa e que outras instituições de ensino e pesquisa nacionais venham a aderir e a contribuir com as iniciativas relacionadas ao movimento mundial de acesso aberto à informação científica, por meio da implantação de repositórios institucionais, criação de bibliotecas digitais de teses e dissertações, como também de revistas científicas eletrônicas.

Fonte: Jornal da Ciência.

domingo, 2 de setembro de 2012

Eletrodo desenvolvido no Brasil reduz custo de exame da retina

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram a versão nacional de um eletrodo usado na eletrorretinografia (ERG), exame que permite avaliar respostas elétricas da retina a estímulos luminosos e ajuda no diagnóstico de doenças oculares.

Os resultados do trabalho foram apresentados durante a 27ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em Águas de Lindoia entre os dias 22 e 25 de agosto.

“O Brasil atualmente importa esses eletrodos, que são descartáveis e custam entre US$ 30 e US$ 40 cada. Desenvolvemos um produto similar, mas com preço quatro vezes menor”, contou Adriana Berezovsky, coordenadora da pesquisa financiada pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

O eletrodo tem cerca de 3 centímetros e, como a versão importada, é feito de fibra de tecido com um filamento de prata. Durante a realização do exame, é introduzido no saco conjuntival da pálpebra inferior e permite captar os sinais elétricos emitidos pelas células da retina em resposta aos estímulos luminosos disparados pelo aparelho de ERG.

“Não há necessidade de anestesia. O paciente sente apenas um leve incômodo durante a colocação”, afirmou Berezovsky.

A retina humana possui dois tipos de fotorreceptores, que são células responsáveis por captar a luz e retransmitir o impulso elétrico para outras células e para o nervo óptico.

“Os bastonetes são responsáveis pela visão noturna e os cones, pela diurna. Mas algumas doenças causam a morte dessas células. Isso pode levar, por exemplo, à cegueira noturna ou à perda de visão periférica”, explicou a pesquisadora.

O ERG permite avaliar o funcionamento dos cones e dos bastonetes e, segundo Berezovsky, pode ajudar o oftalmologista a identificar problemas que, muitas vezes, precedem alterações perceptíveis no exame de fundo de olho, no qual o médico visualiza as estruturas que formam a retina.

Validação
Os pesquisadores testaram o eletrodo nacional em um grupo de 50 voluntários saudáveis e compararam os resultados com o de exames feitos com o equivalente importado. O desempenho de ambos foi similar. Os dados foram publicados nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, em 2008.

No ano seguinte, com auxílio da FAPESP por meio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI/Nuplitec), a equipe entrou com pedido para patentear o eletrodo, que ainda está pendente.

Desde então, os pesquisadores têm comparado o desempenho da versão nacional e da importada em voluntários com doenças na retina. “Já testamos em cerca de 50 pacientes e tivemos bons resultados, mas ainda precisamos ampliar a amostra”, disse Berezovsky.

Os estudos têm sido feitos com doenças hereditárias como retinose pigmentária, distrofia de cones e doença de Stargardt. Os resultados preliminares foram apresentados no congresso da Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO), o mais importante da área.

O eletrodo também tem sido testado para uso veterinário. O funcionamento da versão nacional foi comparado com o da versão importada em dez cães saudáveis da raça yorkshire terrier, com resultados parecidos.

“Os dados já foram submetidos para publicação em revista internacional. Agora pretendemos testar o eletrodo em cães com doenças na retina”, disse Berezovsky.

A equipe pretende também aperfeiçoar o modelo desenvolvido no Brasil. “Estamos estudando o tamanho e o material, para melhor adequar o eletrodo às necessidades do país”, disse.

Fonte: Agência Fapesp.

sábado, 1 de setembro de 2012

Conceito de "água virtual" deve nortear consumo sustentável

Em Estocolmo inicia-se a Semana Mundial da Água. Especialistas sugerem modelo global de sustentabilidade para agricultura, considerando o enorme volume de água "invisível", exportado junto com alimentos. "Água é vida. É o coração da economia verde. Por isso, temos que falar sobre eficiência no uso da água", enfatiza Kenza Robinson. Ela é a secretária das Nações Unidas para Água e trabalha no Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (Undesa).

A água é usada em todos os lugares. No setor energético, a força da água é encarada como um meio para se produzir energia sem prejuízo à natureza, e sem acelerar a mudança climática global. A indústria precisa de grande quantidade de água para diversos produtos. Até mesmo na produção de um dos microchips usados no computador, são necessários 32 l de água, para um automóvel, a média é de 400 mil l.

A grande reciclagem
Porém, o setor que mais necessita de água é a agricultura, consumindo 70% dos recursos hídricos do mundo. A água não é usada somente na produção de alimentos, mas também nas culturas destinadas a atender à crescente demanda por biocombustíveis e rações de animais. Os recursos globais de água são parte de um gigantesco processo de reciclagem; nunca se produz mais água, a quantidade disponível é sempre a mesma.

Portanto, a questão se resume a quão eficiente é o uso da água, aponta Benedikt Haerlin, da Fundação para o Futuro da Agricultura. "Na verdade, o ponto decisivo é a forma como mantemos a água no solo e nas plantas, em todo o ecossistema, antes de ela ser evaporada e o ciclo se reiniciar", afirma o jornalista e especialista em Agricultura em entrevista à Deutsche Welle. Haerlin é também integrante da Comissão Internacional para o Futuro da Alimentação.

Dimensão virtual
Haerlin assegura que, com solos saudáveis e agricultura sustentável, também seria possível alimentar de forma saudável a população mundial crescente. Então sustentabilidade significa também incluir nos cálculos a chamada "água virtual". Ela é a que está incluída em cada produto e também é exportada, invisivelmente, junto com os produtos agrícolas.

Portanto, numa região seca como a Somália, por exemplo, são necessários 18 mil l de água para produzir 1 kg de trigo. Na Eslováquia, essa mesma quantidade é colhida com 465 l. Assim, de acordo com Haerlin, trata-se de adaptar o sistema total de produção alimentar à quantidade de água disponível no local onde se produz.

"Por exemplo, a Alemanha importa água de regiões nas quais esse recurso é muito mais restrito do que aqui para nós, por exemplo, na forma de soja." Pois, como lembra Haerlin, a produção dessa leguminosa consome um grande volume de líquido. "No fundo, o comércio dessa água virtual deve ser direcionado para onde falta água, não para onde há mais dinheiro."

Ajuste da agricultura
Segundo Haerlin, a adoção desta ideia significaria o abandono das grandes monoculturas, que causam impacto negativo ao ciclo global da água. Em comparação com cultivos mistos, pouca água é armazenada no solo de monoculturas. Além disso, muitas monoculturas dependem de sistemas artificiais de irrigação. Por isso, seria necessário adaptar o sistema global de produção de alimentos à água disponível em cada região.

Acima de tudo, de acordo com Kenza Robinson, da ONU, é necessário se pensar nos recursos hídricos numa perspectiva de longo prazo, do mesmo modo como hoje são encarados outros recursos por exemplo, os combustíveis fósseis. "A água é um direito humano, está acima de todos os outros recursos. Ela tem uma posição especial e por isso precisamos encará-la de forma global". A World Water Week, em Estocolmo, vai de 26 a 31 de agosto.

Fonte: Terra.